Arquivo do mês: fevereiro 2010

Frozen mac

O tradicional macarrão com queijo americano nem sempre é feito com o cuidado e detalhismo de lugares como o S’Mac, casa especializada no Mac ‘n Cheese que o Monstro conheceu e elogiou. Como símbolo da comida servida a crianças e adolescentes em todo o país, o lugar central dele é a própria casa, e as receitas variam da mais gastrônomica à mais simples.

A caixinha do mac 'n cheese comprado congelado

Mais simples, no caso americano, não quer dizer poucos ingredientes. Mais simples aqui significa mais pronto para o consumo na prateleira do supermercado. E o mac ‘n cheese está lá em diferentes versões, da massa seca com um pó agregado, passando pela que precisa só acrescentar água (como um “cup noodles”) ao prato pronto congelado.
A cara dele congelado não é das melhores
Este último foi experimentado na semana passada. Encontrado no Trader Joe’s por cerca de US$ 3, ele vem em uma caixinha e precisa apenas de alguns furos na parte superior e 5 minutos de microondas para ser servido – mais fácil impossível.

O prato saído do microondas depois de 5 minutinhos

E surpreende. Claro, não é nada de maravilhoso e excepcional, mas é muito menos bizarro e sem graça de que era pensado antes. A massa, incrívelmente, não fica molenga, pastosa e uniforme, mas se mantém integral e com uma textura até agradável. O molho tem aquele sabor tradicional de queijo artificial, mas nada que chegue a incomodar.

Na hora de comer, surpresa, não é ruim.

Não é o objetivo aqui falar das maravilhas da comida pronta, mas como alternativa rápida e barata, para quem tem orçamento limitado e pouca estrutura e habilidade na cozinha. Três dólares a mais e uma caminhada ao East Village oferecem uma versão muito mais saborosa do mesmo prato, no S’Mac ou algum outro restaurante, mas nem sempre se pode caminhar e pagar U$ 3 a mais, e com a versão pronta dá para se alimentar, conhecer o prato, sem exatamente jogar fora a dignidade.

Leia também:

Conheça a história do Mac ‘n cheese

Além do macarrão

Apesar da apologia de massas em geral, como principal alternativa de baixo custo para comer de forma simples em casa, sem ter que recorrer a restaurantes, nem só de macarrão se faz uma dieta caseira. Em alguns momentos, mesmo com pouca estrutura, vale até esbanjar para ter uma refeição especial.

De volta do Food Emporium. Tudo por US$ 70

Uma visita de amigos vindos do Brasil serve perfeitamente para isso, então em vez de continuarmos a maluquice turística de correr de um canto a outro da cidade, gastando muito dinheiro para comer na rua, um dos dias foi reservado para uma longa tarde gastronômica em casa.

OS camarões frescos

O começo de tudo foi uma visita à terceira grande opção de supermercados na região do East Village. Depois do Whole Foods e do Trader Joe’s, foi a vez de conhecer o Food Emporium.

Refogando os camarões

O Food Emporium é uma rede de supermercados bem local de Nova York, com 16 lojas somente em Manhattan e com foco em comidas de qualidade. O supermercado não é tão grande, nem tem um foco tão “natural” quanto o Whole Foods, mas tem poucas marcas, sempre enfatizando a qualidade dos alimentos. Eles oferecem de comidas prontas para o consumo e congeladas a legumes e carnes frescas. Os preços não são tão bons quanto os do Trader Joe’s, mas a oferta e o preço fazem uma boa disputa com o Whole Foods.

Salada com camarões

O cardápio do almoço foi decidido na hora, graças ao que havia mais interessante de oferecido. Foram comprados camarões de um tamanho médio (U$ 8 por meio quilo), uma salada verde já higienizada, que compuseram a entrada, uma costela de porco (De um quilo e meio por U$ 22), e uma torta de maçã de sobremesa (U$ 7). Um cardápio bem americano.

A costela de porco marinando

Os camarões foram descascados e lavados, temperados com limão siciliano, sal e azeite e refogados em alguns cubos de bacon, sendo incorporados à salada. De complemento, uma colher de uma maionese temperada com wasabi foi suavizada com azeite e vinagre, criando um molho delicioso e picante para a salada.

A costela já assada

A costela foi limpa e temperada com um tempero genérico (desses completos que vendem em potinhos), sal, pimenta, azeite e coberto em um belo molho barbecue também comprado no supermercado. Ficou três horas assando junto com cenouras até ficar bem macia e suculenta.

A costela

A torta foi comprada pronta, e esquentada na hora que foi servida. Tinha uma massa não muito pesada, e um recheio doce, com as maçãs bem macias.

A torta de maçã

Além das comidas, foram quatro garrafas de vinho para quatro pessoas, todos vinhos americanos, uma grande farra.

De novo a torta

Serviço:
Food Emporium

O copo, o sanduíche e o jogo

Em primeiro lugar, o que importa: em eventos esportivos dos Estados Unidos se vende cerveja!!! Pode ser um país moralista, pode ser politicamente correto, pode proibir de mostrar embalagens de bebida alcoólica na rua e o escambau, mas não limita a cerveja durante o jogo do esporte nacional, como o Brasil faz atualmente com o futebol. O caso em questão aqui é outro esporte, o basquete, que é um dos preferidos dos americanos. No ginásio, há muitas opções de bebidas e comidas, a preços altos, mas que tornam o evento ainda mais divertido.

Telão do Madison Square Garden incentiva o time da casa

Evento é mesmo a palavra que deve ser usada para descrever um jogo de basquete nos Estados Unidos. O Monstro esteve na semana passada no Madison Square Garden, que se diz a casa de espetáculos mais famosa do mundo, e talvez seja mesmo. O jogo era entre os NY Knicks e o Chicago Bulls. O jogo acabou com vitória dos Bulls, de virada, por 115 a 109, mas ninguém pareceu ligar muito, não.

As Cheerleaders dos Knicks no intervalo do jogo

A festa começa bem antes do jogo, e é puxada pelo telão e por um sistema de som, que funcionam inclusive durante o jogo. Enquanto um jogador avança, toca músicas, tocam vinhetas, gracinhas e até ironias. O telão incentiva a torcida, empurra o time da casa, tentando atrapalhar o time visitante – mais coisas que o Brasil não permite no futebol (saudades da rádio Ilha). A festa acaba sendo longa, chegando a passar de três horas de jogo. Nos intervalos, é claro, vêm as líderes de torcida, para melhorar ainda mais o clima.

Os cachorros quentes: pão e salsicha

Para agüentar esse tempo todo é que vêm comidas e bebidas. Por todo o ginásio há pequenas áreas vendendo comidas como pipoca, salgadinhos, bolachas e os famosos cachorros quentes, como se vê sempre no cinema e na TV. Os preços são bem altos, mas vale pela experiência turístico-antropológica.

Cada cachorro-quente custa US$ 5,5, e vem apenas a salsicha, em um minúsculo pãozinho, com dois saches de mostarda e catchup. O sanduíche ate que é bom, pois a salsicha é daquelas especiais, temperadas, estilo alemão (Frankfurters). A vantagem desse simplicidade é que se come sem ficar todo sujo, como normalmente acontece com aqueles cashorros quentes cheios de recheio (até purê) encontrados no Brasil.

Bem, depois de toda a descrição, é preciso dizer que, apesar de vender cerveja livremente no ginásio (o que merece comemoração), o preço é quase proibitivo. Cada lata de cerveja com quase meio litro custa US$ 9 (9,5 em caso de chopp). Juntando com o cachorro quente, pagar quase R$ 30 por uma cerveja e um sanduíche fica meio fora dos padrões brasileiros.

Serviço:

Madison Square Garden
4 Pennsylvania Plaza
New York, New York 10001
Site

Gastronomia de turismo

A cada ostra experimentada, todo o prédio parece tremer, fazendo um leve barulho, lembrando que o restaurante é dentro, no subsolo, de uma estação de trem. Da estação de trem, na verdade, já que se trata da bela Grand Central, uma das principais de Nova York. O ambiente impressiona, com um amplo salão bem decorado que, segundo alguns críticos, transporta os comensais a uma Nova York do passado.

Vista do Oyster bar de fora

O Grand Central Oyster Bar é um daqueles locais que aparecem em guias de turismo como “obrigatórios”. Diz-se que, com seus preços “acessíveis”, é possível experimentar a maior variedade de frutos do mar mais frescos da cidade.

De papel, o cardápio tem data e muda frequentemente de acordo com a oferta de produtos

O cardápio de fato é extenso, com muitas opções de peixes, crustáceos e moluscos. Os preços ficam em torno de US$ 20 por prato, o que de fato pode ser chamado de acessível, mas não exatamente barato. Junto com um casal da família maurista, a conta, para 4 pessoas, chegou a US$ 150, incluindo uma garrafa de vinho (a carta de vinhos é variada e tem boas opções por menos de US$ 40).

Camarões empanados

Foi possível experimentar quatro pratos. Um grande salmão grelhado com legumes, fresco e com sabor suave; um prato de camarões gigantescos empanados e com ótima textura; lulas empanadas, em que o destaque era o molho marinara. Por último, o que deveria ser o destaque do restaurante: ostras.

Salmão grelhado

As ostras pedidas estavam na parte de entradas, então o fato de terem sido apenas seis ostras no prato (que custava US$ 11) não foi exatamente um problema. Em vez de pedir as cruas, frescas, o cardápio atraiu mais pela oferta de ostras gratinadas, assadas e fritas. A escoha foi por ostras grelhadas, lembrando das comidas em Nova Orleans, no Drago’s, que prepara elas na brasa. Criar expectativa assim não foi uma boa ideia. Não que as ostras não estivessem exatamente boas, mas que não estavam impresionantes como se poderia esperar de um restaurante “obrigatório” e focado especialmente nelas.

Anéis de lula fritos

O Oyster bar é imenso, e tem uma parte que lembra um refeitório e outra em que o balcão fica em frente ao bar onde as ostras são preparadas. Nova York tem uma forte ligação com as ostras (há até um livro de história somente sobre esta relação), e o cardápio do bar tem ofertas vindas direto da costa oeste do país, o que fortalece a variedade. Comer as ostras mais tradicionais, cruas, pode ser uma boa aposta, mas nenhuma delas comida na cidade grande vai ter o efeito de comer uma pescada na hora em Florianópolis, por exemplo, a não ser que seja preparada na brasa e com molho de queijo, como em Nova Orleans.

Ostras, finalmente, assadas no forno e sem impressionar muito

Serviço:
Grand Central Oyster Bar
89 East 42nd Street
New York, NY 10017-5503
(212) 490-6653
Site

Leia também:
Revista NY

Visita do Monstro ao Drago’s, em Nova Orleans

Drago’s

O balcão de ostras frescas

Almoço de cinema, entre o clássico e o clichê

Todo mundo tem uma visão prévia de um restaurante tradicional bem no estilo americano, os chamados Diners, com um modelo prefabricado, quase o equivalente americano dos bistrôs franceses. Por causa da influência do cinema e da TV, provavelmente vai ser algo como se via em Seinfeld, por exemplo, com mesas grudadas na parede, um banco de cada lado, como se fossem cabines (as chamadas booth), um cardápio variado de sanduíches, saladas e panquecas e aquela indefectível garçonete que vem encher sua xícara de café regularmente.

A Fachada do Cozy, aberto na Broadway em 1972

Os primeiros Diners dos Estados Unidos, com este mesmo modelo de cabines e balcão, foram criados no final do século XIX, aqui na Costa Leste do país. Foram os imigrates gregos que tornaram o estilo popular, na metade do século passado, segundo o “New York Times”, que estima que ainda existem cerca de mil estabelecimentos assim na região metropolitana de Nova York. O projeto deles era ter um cardápio variado, que agradasse a todo mundo. Segundo o dicionário, trata-se de um restaurante no formato de um vagão de trem, de onde o nome teria originado (como dining car). A descrição mais perfeita, no entanto, é a dos Diners em geral encontrada na página que reúne uma base de dados sobre estes restaurantes no país. Além do molde prefabricado, “um Diner serve comida despretensiosa, caseira, a preços razoáveis, e geralmente é operado pela família que é dona.”

Canja de galinha servida no Famous Cozy

O Monstro esteve num lugar assim em 2008, em Chicago, onde tomou o café da manhã mais “típico”, dentro do clichê americano. Cosmopolita demais, Manhattan não tem mais tantos lugares como estes que o cinema sempre mostrou, e muitos são, como diria um americano com quem conversei, apenas um simulacro de realidade. Mesmo assim, há as excessões, como ilhas de tradição no meio da cidade moderna.

O Diner por dentro, um clássico e um clichê ao mesmo tempo

No domingo do ano novo chinês, celebrando o início do ano do Tigre, os restaurantes de Chinatown, onde se planejava almoçar, ou estavam muito lotados ou, por ser feriado para os chineses, fechados. Foi depois de andar por uma meia hora rumo a uptown já no West Village, que o Cozy, representante deste tipo de restaurante à americana, com suas quatro décadas de funcionamento, foi encontrado.

Sopa de cebola à francesa

Ambiente um tanto desleixado, atendimento corrido, serviço rápido e preços baixos fazem a frente da comida bem simples, mas gostosa servida lá. O lugar é daqueles que não tem um chef, nem um cardápio pensado como filosofia, mas que oferece a comida boa sem nada muito especial, mas sem frescuras também.

A crítica geral sobre o restaurante, que na verdade se chama Famous Cozy Soup ‘n Burger, é ambígua. A revista “New York” não foi nada compreensiva com o estilo “antigourmet” do cardápio, dos hambúrgueres e das sopas, atacadas duramente. No site do Zagat, principal guia só de restaurantes da cidade, os clientes rasgam elogios a tudo o que há no lugar. Além de barato, ele funciona 24 horas, e entrega em casa.

Panquecas com blueberry, para o café da manhã, sobremesa, ou simplesmente para matar a vontade

O Monstro não procurava nada muito especial, e dentro da simplicidade oferecida, adorou o Cozy. Como não havia apetite para hambúrguer, a opção foi a outra especialidade: sopas. A escolhida foi a de cebola “francesa”, forte, usando caldo de carne, ela vem com pedaços de pão crocantes e queijo gratinado por cima. Forte, mas deliciosa. A esposa foi de canja de galinha, bem simples, mas também boa. Cada uma custou menos de U$ 6 numa proposta melhor de que parte das sopas de potinho encontradas na cidade.

De complemento e sobremesa, o pedido foi um prato de panquecas com blueberry. A massa da panqueca americana é mais grossa, macia e aerada que a encontrada no Brasil (que lembra mais os crepes franceses, na verdade). As frutinhas vêm derretidas dentro da massa das panquecas, que ficam ainda melhores com o xarope de maple, que é bem menos doce de que um mel normal ou calda. A porção com 3 panquecas custou quase US$ 9.

Mais café, por favor

Um dos motivos da “fama” do Cozy, que leva o lugar a ter fotos de atores com seus autógrafos, é que era lá que trabalhava o personagem de Rob Schneider, que era meio burrinho, na verdade, no filme “O Paizão”. No site do restaurante tem até um vídeo do filme em que é possível ver o crachá dele com o nome do restaurante.

Rob Schneider, à esquerda, com crachá do restaurante, em cena do "Paizão"

Ah, e nesse almoço rápido no domingo teve, claro, o café, ralo e fraco como em todo restaurante americano que não serve espresso, sendo enchido a cada vez que o nível baixava um pouco.

Serviço:
The Famous Cozy Soup ‘n Burger
739 Broadway, at Astor Pl.
New York, NY 10003
212-477-5566
Site

Lista de Diners Clássicos pelos EUA

Leia também:

História dos Diners no NYT
New York Magazine

Zagat

Village Voice

É dia de feira

Aquela primeira impressão de que a vida nos Estados Unidos seria completamente abstêmia em relação a produtos naturais, comida de verdade e saudável, já ficou para trás há algum tempo. É um mito simplista, igual ao de pensar que só se come mal no país todo. Depois de três semanas, percebe-se uma boa oferta e uma enorme demanda por frutas e verduras, produtos orgânicos, tudo comida de verdade – em Nova York, pelo menos, onde a população supostamente é mais bem informada e rica.

Vista geral da feira da Union sq

A mais forte evidência disso está no meio da Union Square, praça a dois quarteirões de casa, quatro vezes por semana. É quando os produtores de alimentos da região se reúnem em barracas formando uma feira bem tradicional, parecida com as do Brasil, mas bem menor (e mais cara).

A proposta aqui é semelhante a aquela comentada no post sobre a cervejaria Heartland, promover os produtos locais, mais frescos e que chegam ao consumidor sem poluir tanto o ambiente. Mesmo não sendo fã da ecochatice, é preciso admitir que os produtos chegam mais frescos, e até mais gostosos, de que se comprados no supermercado.

Barraca de frutas na feira

O Greenmarket Farmers Market, como se chama a organização da feira que acontece na Union Square e em outros locais de Nova York, começou a oferecer os produtos e a incentivar os fazendeiros locais em 1976. O lugar era a solução para ajudar os fazendeiros a sobreviver e melhorar a oferta de produtos naturais de qualidade, e começou com 12 fazendeiros.

A primeira feira da cidade foi a da Union Square, que continua sendo a maior da cidade, funcionando às segundas, quartas, sextas e sábados, desde bem cedo até o meio da tarde. A programação inclui eventos de demonstrações de culinária, degustação de vinhos locais e aulas de cozinha. O número de feiras espalhadas por Manhattan atualmente já chega a 13.

Barraca de peixes frescos na feira

Na praça Union, há desde frutas (basicamente maçãs de diferentes tipos, por enquanto, por conta do rigoroso inverno e nevascas que atingem a cidade), alguns legumes, muitos cogumelos e até flores e plantas ornamentais. Entre os produtos trabalhados, há uma boa oferta de pães e bolos, queijos, pickles. E também carnes, todas orgânicas, de porco, boi e carneiro. Há até uma pequena barraca que oferece peixes frescos.

Isso tudo, como já dito, bem mais caro de que em qualquer supermercado ali por perto, mas bem mais fresco também.

A minipadaria instalada na praça

No dia da primeira visita, faltou ânimo para fazer grandes compras, mas foi possível voltar para casa com um belo pão temperado com cebola e coberto com queijo, um bloco de cheddar defumado e uma caixinha com biscoitos de melaço e gengibre (tudo saiu por US$ 12).

As compras na feira (tudo por U$ 12)

Em casa, o pão foi recheado com o queijo e assado no forno, compensando o que antes era chamado de falta de padarias no estilo brasileiro. Mesmo que a feira daqui não tenha pastel, vale pelo sanduíche de depois, ou mesmo pelos pequenos lanches encontrados nas barracas.

Sanduíche com produtos da feira

Serviço:
Lista de locais e dias das feiras em NY

Leia também:

NY mag

Em busca do hambúrguer perfeito 3 – O favorito

Toda disputa tem algum candidato desde o princípio com mais chances que os outros. Se tinha uma comida encontrada em Nova York com que sonhava antes mesmo de poder experimentar era este sanduíche, e de nada adiantou ter lido descrições detalhadas sobre ele, imaginar cada detalhe da combinação e do sabor, pensar que não podia ser tão bom quanto o imaginado. O Hambúrguer Rossini é surpreendente em cada mordida, um hambúrguer sem dúvida com grandes possibilidades de se chamado de perfeito.

O Rossini, imenso

Servido no Les Halles (de novo o restaurante do chef celebridade Anthony Bourdain, na Park Avenue), o Rossini chuta o balde da categoria sanduíche gourmet quase fugindo até da categoria hambúrguer, juntando à carne uma fatia de foie gras e um molho especial de vinho tinto com trufas.

Ele é assim: O hambúrguer em si é imenso, alto, preparando pedaços especiais da carne que é moída na hora e que chega à mesa no ponto exato pedido. Essa carne, além de imensa e saborosa incrivelmente macia e homogênea, sem ficar se desfazendo, mas quase derretando na boca. Ele vem dentro de um pão tradicional de hambúrguer, mas descoberto.

Nada barato, o prato custa US$ 21 à noite, mas vale cada centavo

Por cima da carne vem uma fatia de uma terrine especial de foie gras também preparada lá mesmo, com forte sabor do fígado gordo de ganso (ou pato), e que faz as vezes de queijo. De novo, imaginar não adianta tanto, pois a primeira mordida em que vêm juntos a carne e o foie é surpreendentemente deliciosa.

Já foi dito que o Rossini é grande, mas deixe que seja repetido: É imenso. Parece que não vai acabar nunca, o que torna a experiência ainda mais agradável. Pode ser dividido, claro, mas com certeza as duas pessoas vão ficar querendo um pouco mais (por mais que comer inteiro possa pesar no estômago – “the tastiest morally reprehensible snack in the city”, segundo Alex Kapranos, autor de “mordidas sonoras”).

Ah, e o molho… O molho de vinho tinto é quase um glacê, encorpado e delicioso, e que ainda leva um toque de trufas surpreendente, que combina com o sanduíche de forma muito melhor de que as maioneses da vida.

As batatas à frente, deliciosas de tão crocantes

No prato vem ainda uma saladinha com molho vinagrete, uma fatia de tomate e outra de cebola deliciosamente grelhada.

Ah, e as batatas fritas, as batatas fritas, as batatas fritas, as batatas fritas (a repetição é pelo efeito que elas têm na lembrança). Bourdain já escreveu publicamente e de forma arrogante que as batatas fritas dele são as melhores do mundo. É triste, mas quem conhece não consegue mais contra-argumetar.

As batatas são longas, crocantes, secas, saborosas, um primor. Bourdain diz que descobriu a técnica usando um processo que frita elas duas vezes, em temperaturas diferentes, e em óleo de amendoim. Isso tudo não é nada relevante junto de outra repetição: são deliciosas. É impressionante que algum chef ainda consiga impressionar fazendo algo tão óbvio quanto hambúrguer e batata frita.

A carne vem macia, suave, grelhada na brasa, deliciosa

Claro que tem o outro lado disso. O sanduichinho custa US$ 19 no almoço e US$ 21 no jantar (O guia Zagat considera o Les Halles um bom exemplo de comida excelente a preço acessível). Se o Monstro pode dar uma opinião, é de que vale cada centavo. Comparando, o prato é mais comida e muito melhor de que três dos sandubas servidos no Burger Joint, onde os “descolados” de NYC gostam de dizer que é feito o melhor hambúrguer. Claro que lá nos Halles ainda se paga 15% de serviço, mas é uma taxa para sentar confortavelmente e ser bem atendido. Só não dá para pensar este sanduíche como fast food, porque ele não é mesmo, especialmente em um jantar especial à luz de velas acompanhado por uma taça de vinho. Como dito, derruba as barreiras entre sanduba e alta gastronomia.

SERVIÇO
Somente o restaurante da Park avenue serve o Rossini em NYC

Les Halles Park Avenue
411 Park Avenue South (between 28th & 29th Streets)
New York, NY 10016
212-679-4111 phone, 212-779-0679 fax

Site oficial

Leia também:
Entrevista de Alex Kapranos menciona o Rossini