Vinhos nacionais

Sexta-feira à noite em Nova York no inverno. Mesmo com temperaturas em torno dos 0 graus celcius, e promessa de nevasca ao longo do fim de semana, a maior fila na região do East Village não era para comprar comidas, mantimentos, cobertores, nada além de vinho. Mais de dez pessoas esperavam, no frio, do lado de fora da loja de vinho do supermercado Trader Joe (os vinhos normalmente são vendidos em lojas próprias, e não dentro do mercado), mostrando que o hábito de tomar vinho já se consolidou, pelo menos nesta cidade.

Dancing Bull, um bom Zinfandel Californiano por US$ 9

Foi nesta mesma loja, dois dias antes, que o monstro entrou para começar a experimentar os vinhos locais, que normalmente ficam de fora do cardápio cotidiano em São Paulo. Para quem tem limites no orçamento, mas gosta de tomar vinho regularmente, as etiquetas até R$ 30 são o teto do cotidiano. Até essa faixa de preço é comum encontrar, no Brasil, uma vasta gama de garrafas de boa qualidade e variedade, permitindo uma experiência agradável sem esbanjar e sem entrar na enochatice. Assim é a vida do Monstro em seu habitat.

Dentro deste limite financeiro, entretanto, ficam de fora vários tipos de vinho comuns em diferentes partes do mundo, mas que chegam caros nas importadoras brasileiras. Enquanto argentinos, chilenos, italianos e brasileiros (com uvas merlot, cabernet sauvignon, malbec e afins) dominam a carta de vinhos caseira em São Paulo, franceses, australianos e norte-americanos costumam faltar, pois custam mais nas prateleiras brasileiras.

Foi assim que foi preciso viajar aos Estados Unidos para experimentar a fundo os vinhos californianos, produção que tem melhorado gradualmente e que já chega a querer disputar em qualidade com os centenários europeus.

Depois de tomar vinho pela primeira vez em restaurante (no Les Halles, com garrafas a partir de US$ 37) e de ver ofertas em bares a partir de US$ 5 por taça, a primeira garrafa comprada para beber em casa foi um Dancing Bull, californiano, preparado com a uva Zinfandel.

A Zinfandel é quase um símbolo da viticultura norte-americana, com cerca de 10% da produção de vinho na california, e sem produção tão regular em outros locais fora dos Estados Unidos. Por muito tempo se pensou que a variedade fossa norte-americana, mas descobriu-se que ela é semelhante à Primitivo, da Itália, e Crljenak Kaštelanski, da Croácia. Esta uva chegou à América do Norte na década de 1830, e se consolidou como um vinho tipicamente californiano desde a década de 1970. Há quem a compare ao Cabernet Sauvignon, mas é fácil perceber que por mais fácil que seja seu sabor, como o Cabernet, ela tem personalidade própria.

O vinho experimentado era encorpado e equilibrado, fácil de gostar. Diz-se, entretanto, que a uva oferece uma grande variedade de sabores, dependendo do quanto maduras estavam quando foram colhidas, e que elas costumam amadurecer de foma mais rápida que as outras uvas.

Custou US$ 9, um dos preços mais baixos da loja – argentinos e chilenos podiam ser encontrados desde US$ 7. Havia outras garrafas até US$ 10 e US$ 15, muitos de produção em território norte-americano.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s