Em busca do hambúrguer perfeito 3 – O favorito

Toda disputa tem algum candidato desde o princípio com mais chances que os outros. Se tinha uma comida encontrada em Nova York com que sonhava antes mesmo de poder experimentar era este sanduíche, e de nada adiantou ter lido descrições detalhadas sobre ele, imaginar cada detalhe da combinação e do sabor, pensar que não podia ser tão bom quanto o imaginado. O Hambúrguer Rossini é surpreendente em cada mordida, um hambúrguer sem dúvida com grandes possibilidades de se chamado de perfeito.

O Rossini, imenso

Servido no Les Halles (de novo o restaurante do chef celebridade Anthony Bourdain, na Park Avenue), o Rossini chuta o balde da categoria sanduíche gourmet quase fugindo até da categoria hambúrguer, juntando à carne uma fatia de foie gras e um molho especial de vinho tinto com trufas.

Ele é assim: O hambúrguer em si é imenso, alto, preparando pedaços especiais da carne que é moída na hora e que chega à mesa no ponto exato pedido. Essa carne, além de imensa e saborosa incrivelmente macia e homogênea, sem ficar se desfazendo, mas quase derretando na boca. Ele vem dentro de um pão tradicional de hambúrguer, mas descoberto.

Nada barato, o prato custa US$ 21 à noite, mas vale cada centavo

Por cima da carne vem uma fatia de uma terrine especial de foie gras também preparada lá mesmo, com forte sabor do fígado gordo de ganso (ou pato), e que faz as vezes de queijo. De novo, imaginar não adianta tanto, pois a primeira mordida em que vêm juntos a carne e o foie é surpreendentemente deliciosa.

Já foi dito que o Rossini é grande, mas deixe que seja repetido: É imenso. Parece que não vai acabar nunca, o que torna a experiência ainda mais agradável. Pode ser dividido, claro, mas com certeza as duas pessoas vão ficar querendo um pouco mais (por mais que comer inteiro possa pesar no estômago – “the tastiest morally reprehensible snack in the city”, segundo Alex Kapranos, autor de “mordidas sonoras”).

Ah, e o molho… O molho de vinho tinto é quase um glacê, encorpado e delicioso, e que ainda leva um toque de trufas surpreendente, que combina com o sanduíche de forma muito melhor de que as maioneses da vida.

As batatas à frente, deliciosas de tão crocantes

No prato vem ainda uma saladinha com molho vinagrete, uma fatia de tomate e outra de cebola deliciosamente grelhada.

Ah, e as batatas fritas, as batatas fritas, as batatas fritas, as batatas fritas (a repetição é pelo efeito que elas têm na lembrança). Bourdain já escreveu publicamente e de forma arrogante que as batatas fritas dele são as melhores do mundo. É triste, mas quem conhece não consegue mais contra-argumetar.

As batatas são longas, crocantes, secas, saborosas, um primor. Bourdain diz que descobriu a técnica usando um processo que frita elas duas vezes, em temperaturas diferentes, e em óleo de amendoim. Isso tudo não é nada relevante junto de outra repetição: são deliciosas. É impressionante que algum chef ainda consiga impressionar fazendo algo tão óbvio quanto hambúrguer e batata frita.

A carne vem macia, suave, grelhada na brasa, deliciosa

Claro que tem o outro lado disso. O sanduichinho custa US$ 19 no almoço e US$ 21 no jantar (O guia Zagat considera o Les Halles um bom exemplo de comida excelente a preço acessível). Se o Monstro pode dar uma opinião, é de que vale cada centavo. Comparando, o prato é mais comida e muito melhor de que três dos sandubas servidos no Burger Joint, onde os “descolados” de NYC gostam de dizer que é feito o melhor hambúrguer. Claro que lá nos Halles ainda se paga 15% de serviço, mas é uma taxa para sentar confortavelmente e ser bem atendido. Só não dá para pensar este sanduíche como fast food, porque ele não é mesmo, especialmente em um jantar especial à luz de velas acompanhado por uma taça de vinho. Como dito, derruba as barreiras entre sanduba e alta gastronomia.

SERVIÇO
Somente o restaurante da Park avenue serve o Rossini em NYC

Les Halles Park Avenue
411 Park Avenue South (between 28th & 29th Streets)
New York, NY 10016
212-679-4111 phone, 212-779-0679 fax

Site oficial

Leia também:
Entrevista de Alex Kapranos menciona o Rossini

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3 Respostas para “Em busca do hambúrguer perfeito 3 – O favorito

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