Arquivo do mês: março 2010

Em busca do hambúrguer perfeito 6 – O café com leite

A dúvida atormentava: o que fazer em relação ao McDonalds?

A marca de comida mais famosa já criada no mundo está tão presente no Brasil quanto nos Estados Unidos, então não faria tanto sentido falar desse fast food em um mergulho gastronômico por Nova York (além disso, é comida trash, e já teve gente reclamando que o Monstro só tem falado de comida trash). Por outro lado, é na repetição de algo que existe nos dois lugares que ficaria clara a diferença entre sabores e temperos entre os dois países. Ainda por cima, o Monstro está procurando o melhor hambúrguer do mundo, e o Mc serve hambúrgueres no mínimo populares. Por último, passava da 1h da manhã na volta de um bar ótimo, mas caro, havia fome e quase tudo estava fechado no caminho até em casa, então vamos lá, encarar o McDonalds nova-iorquino – infelizmente.

Eles não estão em toda esquina, mas 70 McDonalds em Manhattan é bastante coisa

Em primeiro lugar, como já foi comentado por aqui, dois pontos importantes. Em Nova York não há Mcdonalds em toda esquina, como se pode pensar. Em algumas regiões é até difícil encontrar algum deles. Muito mais populares são os Subways. Dito isso, mesmo sem estar em “todas” as esquinas, há quase 70 lanchonetes da rede espalhadas somente por Manhattan, especialmente em Downtown, o que é MUITO!!! O segundo ponto é cultural. Fast Food como o McDonalds, KFC e afins é vista de forma pejorativa como comida de pobre, rápida e barata, bem diferente do aspecto quase chique que se dá a restaurantes deste tipo no Brasil (é uma visão pejorativa, mas todo mundo come lá uma hora ou outra, diga-se).

Os sanduíches de "luxo", com mais de 150 gramas de carne (e cheio de sabor de nada) - o da esquerda levava bacon também (e era melhor), mas não foi o "clássico" experimentado pelo Monstro

Aposto cultural à parte, eis que o Monstro fez sua refeição de fim de noite no Mc da Union Square, voltando para casa. Sem pestanejar, e sem querer ser crítico chato da rede, foi a pior refeição que fez durante os dois meses em Nova York. O hambúrguer estava sem gosto, sem graça, passado do ponto (nem se pede ponto no Mcdonalds), as batatas estavam frias – tudo ruim mesmo. E o Monstro não rejeita completamente o McDonalds, que muitas vezes salva o plantão de trabalho ali na paulista com sanduíches até bonzinhos.

O Angus Deluxe: a cara é até boa - o sabor, não.

A opção escolhida foi o suposto principal sanduíche (tirando os clássicos), o Angus Burger Deluxe, que é a versão do Mc para os sanduíches com pedaços altos de carne comuns nos EUA. Com um terço de libra (150 gramas), é quase o equivalente a três hambúrgueres normais da Mc, e era 150 gramas de “sola de sapato”. Vinha ainda com tomate, cebola, alface, duas fatias de queijo e picles. Na foto da propaganda ele até tem uma cara boa, mas não é bom. Qualquer Big Tasty, com aquele monte de molho melequento, é bem melhor. E não foi nem tão barato assim, chegando a U$ 7 com batata e refrigerante, o mesmo preço do Blue9.

O sanduíche na propaganda

Foi uma surpresa tão desagradável que o Angus Deluxe virou café com leite na disputa pelo hambúrguer perfeito. É um “hors concours” invertido: tão ruim que não vai ser nem levado em consideração.

Serviço:
Mapa dos Macs em Manhattan

Anúncios

Por dentro da Grande Maçã

Toda cidade tem segredos que somente quem vive nela há muito tempo conhece. Toda cidade grande, em compensação, pode ter uma imprensa local eficiente (e estraga prazeres, para os locais), revelando regularmente parte desses segredos. A Time Out é a principal referência semanal de eventos em Nova York, e a edição desta semana é exatamente sobre esses segredos – alguns reais e outros bem marqueteiros.

A Time Out revela os segredos por dentro da maçã

Entre dicas para conseguir ir a festas secretas, encontrar famosos, comprar peças usadas no cinema e na TV, há, claro, dicas sobre comida, algumas que vale a pena repetir.

A primeira delas é em relação a conseguir reservas em locais disputados. NY sempre tem alguns restaurantes bem na moda, onde é difícil conseguir um lugar especialmente de última hora. Claro que nisso há muito hype também, usando a dificuldade para valorizar ainda mais os locais já na moda. Muitos guias de turismo dizem ser impossível conseguir uma reserva no brunch do badalado Balthazar com menos de um mês de antecedência, mas na última terça-feira, por exemplo, eles tinham mesas livres tanto no sábado quanto no domingo seguintes.

Uma boa dica que o Monstro aprendeu em dois meses na cidade é simples: é só fugir das horas de pico. Nos dias de semana, por exemplo, qualquer restaurante vai estar cheio às 13h, mas é bem provável que todos tenham mesas livres às 14h30, quando as pessoas que estão trabalhando já voltaram para o batente. Para quem está fazendo turismo, não chega a ser um problema adiar um pouco a hora do almoço. O mesmo serve para a noite, quando há mesas livres bem cedo (antes das 19h) eu bem mais tarde (às 22h30, por exempo – a não ser que seja uma região cheia de teatros, como a Times Square).

As Dicas da Time Out dessa semana são mais específicas, e algumas são bem baseadas nas lendas de dificuldade de que falou-se antes. No Babbo, por exemplo, restaurante de Mario Batali que dizem ser o melhor italiano da cidade, dizem ser difícil até mesmo conseguir falar com uma atendente para fazer uma reserva. Eles sugerem ligar para o número de confirmação em vez do de reserva, e assim conversar com alguém e fazer uma reserva.

Mas lá vem aquela história do mito. Enquanto escrevia este texto, quinta-feira às 13h22, o Monstro ligou para o número de reservas do Babbo (o oficial), foi atendido, e em menos de dois minutos conseguiu uma mesa para dois às 22h30 no jantar do sábado. Ou seja, talvez o atalho da revista valha para tentativas de última hora, mas não é algo assim tão necessário (a reserva ficou para depois, pois é preciso juntar um dinheiro par ir ao menu degustação de massas deles, que custa US$ 65 por pessoa).

A outra dica da Time Out vale para vários restaurantes, e é parecida com a que o Monstro deu de fugir das horas de pico: apareçam no restaurante. Muitos restaurantes, diz a revista, mantêm até 30% das mesas sem reservas, para receber quem chega neles sem reserva. Elas só ficam livres logo que o lugar abre, entretanto, valendo cegar cedo. Isso funcionou nas duas vezes em que o Monstro foi ao Lês Halles, ambas sem reserva e conseguiu sentar rapidamente.

Tem ainda uma terceira opção. Alguns lugares, como o aclamado Spotted Pig, permitem que você tente reservar no mesmo dia e pessoalmente. Você vai ao restaurante às 17h30, por exemplo, deixa um nome e um telefone celular, e eles ligam para você se aparecer uma mesa vazia.

Claro que alguns restaurantes valorizam a dificuldade em conseguir um lugar para sentar e comer. O Momofuku Ko, por exemplo, de David Chang, tem um esquema de reservas pela internet que já foi comparado por um blog brasileiro com um vídeo game. O esquema abre diariamente às 10h da manhã, tem pouquíssimos lugares livres (o restaurante tem 12 lugares apenas), e dizem que às 10h01 já não tem mais lugar livre (Esse o Monstro ainda não testou – AINDA).

Segundo a Time Out, há duas opções neste caso: Corra! É preciso conectar e ficar tentando, às 10h da manhã, para conseguir. A segunda é tentar desistências. Ela às vezes aparece em um dia qualquer, no meio da tarde, então é possível conseguir uma mesa, por mais que ela não seja tão fácil nem mesmo com muita antecedência.

Esse esquema de reservas pela internet se disseminou por Nova York. Ingressos para shows e esportes, por exemplo, só são vendidos assim, agora, com domínio da Ticketmaster, que cobra taxas absurdas para fazer o favor de vender ingressos. E mesmo assim eles voam. O show solo de Thom Yorke, por exemplo, teve ingresos para dois dias esgotados em 10 minutos pela internet – 10 minutos depois os mesmo ingressos eram vendidos em sites de cambistas pelo dobro do preço (mas isso foge da arena gulosa do Monstro na Grande Maçã).

A Time Out traz uma outra boa dica de comida, voltada para o povo mais obcecado. Ela lista quase uma dezena de restaurantes em Nova York que servem pratos secretos, que não aparecem no menu. Tirando uma cabeça de bode servida inteira em um dos restaurantes, nada parece muito atraente para quem ainda não conhece os restaurantes. Mas as dicas podem valer pelo menos para impressionar os amigos e dizer ter comido algo que ninguém nem sabe que existe.

Leia também:
17 ways to be an NYC insider
As dicas da Time Out para conhecer a maçã por dentro

Off-the-menu food and drink

Comidas secretas na Time Out

O sistema de reservas videogame
Que Bicho me mordeu e a reserva no Momofuko Ko

Fantástica fábrica de chocolate do careca

Max Brenner é Willy Wonka. Ele não aparenta total loucura, nem traumas de infância, e não tem cabelo. Mas é em seu nome que foi criado o verdadeiro parque de diversões dedicado ao chocolate, tal qual o do clássico do cinema. Max Brenner – Chocolate by the Bald Man é um grande restaurante voltado especialmente para sobremesas, atraindo desde os chocólatras mais apaixonados até mesmo quem não é tão fã de doces, mas se impressiona com opções interessantes.

Marshmallow flamejante no fondue de chocolate (foto do cardápio, mas bem realista)

Ainda sem entrar nos méritos da qualidade do chocolate, é como se uma Koppenhagen brasileira abrisse um restaurante do tamanho daquele Bovinu’s da Paulista. Um lugar imenso para um grande cardápio de doces e chocolates.

A alegria que a overdose de chocolate causa (Foto do New York Times)

É uma ode ao doce, com toda a decoração voltada para o chocolate, frases de efeito, canos pintados de marrom como se fossem tubos transportando chocolate. Segundo Frank Bruni, do “New York Times”, o “parquinho” atrai mais adultos de que crianças. São jovens que enxergam no lugar um “naughtiness bazaar”, uma fuga das regras tão grande quanto a de “maconheiros em Amsterdam”.

Mais chocolates, em foto do cardápio (outra)

O cardápio até tem umas opções salgadas como sanduíches, saladas e pizzas (“coisas leves”), mas é nas sobremesas que ele se diferencia de qualquer outro lugar. No menu de doces há mais de 30 opções de bebidas de chocolate, sorvetes, pizzas de chocolate, barras de chocolate e chocolate com biscoitos, waffles, em fondue. Tudo é chocolate.

Um dos balcões de atendimento do Max Brenner em NY (foto da revista New York)

Na opinião do crítico do New York Times, o Max Brenner não é tão bom de chocolate quanto de marketing. A rede poderia mesmo ser comparada aos chocolates de gramado (como a Kopenhagen já citada), pois os chocolates são muito doces e bem simples para os padrões do mundo atual, em que os chocolates amargos já atraem quase tantos “especialistas” quanto o vinho, criando o perfil dos choco-chatos. Para quem é chocólatra, entretanto, o lugar é o paraíso.

O fondue de chocolate (foto de divulgação)

Bastava olhar a cara de alegria das pessoas ali na noite de segunda-feira (eram 22h e o lugar estava cheio). Todas as pessoas (a maioria jovens e a maioria mulheres) areciam delirar ao “mergulhar” no chocolate, sem culpa. E o pedido mais popular parecia ser o fondue em estilo “europeu”, o mesmo que o Monstro experimentou.

A porção para dois custa US$ 22 (28 se acrescentado o serviço e o imposto) e vem com três torres de chocolate derretido (um ao leite, um branco e um meio amargo), uma cesta de frutas frescas, outra de doces e uma pequena fogueira. Chocolate mais que suficiente para duas pessoas.

A primeira surpresa foi um retorno a uma infância que não houve. As bolinhas de marshmallow, assadas diretamente no fogo e depois mergulhadas no chocolate eram tão deliciosas quanto aparentavam nos filmes americanos em que as famílias comiam isso ao acampar (bem diferente daquele marshmallow experimentado na infância do Brasil). Ele ficar com uma crosta torrada e completamente derretido por dentro, e é doce, ficando ainda mais doce com o chocolate do fondue.

Além do marshmallow, havia queijadinhas e um bolo de castanhas, e entre as frutas tinha morango, abacaxi e banana. O chocolte era simples, doce, mas bom. Ele não chegou a ficar quente no fondue, mas derreteu bem e cobria as frutas e doces mergulhados nele.

Apesar da imagem do careca desenhada nas paredes do restaurante, Max Brenner de verdade não existe. Ele é um personagem apaixonado de chocolate, tão inventado quanto o próprio Wonka. A rede, que tem origem em Israel, foi criada por Max Fichtman and Oded Brenner, que juntaram os dois nomes para criar o chocólatra careca. A rede atualmente tem lojas em Nova York, Filadélfia, Austrália, Filipinas e Singapura e vende chocolates e pratos para viagem (até mesmo kits completos para fondue).

Serviço:

Max Brenner, Chocolate by the Bald Man

841 Broadway near 13th Street

(212) 388-0030

Site

Leia também:

You Can Almost Eat the Dishes – Frank Bruni, do NYT, pentelha, mas se impressiona e diz que o lugar é “Satisfactory”

NY MAG

Em busca do hambúrguer perfeito 5 – Surpresa casual

Os restaurantes americanos tradicionais, os Diners apresentados aqui um tempo atrás, têm uma concorrência genérica deles espalhada pelo mundo: os Casual Diners, restaurantes de redes multinacionais que copiam o modelo dos primeiros para servir o que só pode ser chamado de fast food: comida rápida, pre-moldada e sempre igual.

O hambúrguer do Casual Diner Ruby Tuesday, bom e servido em um brioche

Diferente do que acontece com os Diners (restaurantes familiares, sem chefs, que servem comida caseira boa, com personalidade, mas sem estrelismo), as redes de Casual Diners não costumam merecer a atenção de quem leva comida a sério. Falta personalidade nos cardápios, e os pratos costumam ser pre-fabricados de forma igual a fast foods como o McDonald’s.

Ignorados pela mídia gastronômica, TGI Friday’s, Chili’s, Applebees e cia. bombardeiam suas propagandas nos intervalos comerciais da TV local. Eles acabam apelando a um público diferente, oferecendo padrão de qualidade sempre idêntico em qualquer loja e preços baixos em comparação com os locais que de fato preparam a comida na hora. Diferentemente do que acontece no Brasil, aqui nos EUA eles são a opção econômica em termos de refeição, um degrau acima das lanchonetes – para o bem e para o mal.

O lado positivo é que, se não chegam a ter personalidade, não se pode negar que é possível encontrar boa comida em algumas dessas redes –  e quando isso acontece, o mesmo sabor estará em todas as outras filiais, sem falta.

Uma surpresa agradável nesse sentido foi encontrada em um desses casual diners que ainda não chegou ao Brasil: O Ruby Tuesday. Fundado em 1972, no Tennessee, a rede que leva o nome da canção dos Rolling Stones tem um restaurante imenso no epicentro do turismo em Nova York: a Times Square. Na última semana, em meio à loucura do dia de São Patrício, ele serviu de refúgio para uma refeição tranquila e agradável, surpreendendo de forma positiva na busca pelo hambúrguer perfeito.

O Hambúrguer caseiro do RT é daqueles altos, preparado de forma interessante, à vista do cliente. Uma bola de carne moída fresca é colocada na chapa, e vai ganhando o formato tradicional na hora, sendo moldado pelo chapeiro. a carne é bem temperada e macia, muito saborosa. O preço do sanduíche, que vem acompanhado de batatas “sem fim”, que podem ser repostas de graça, é atraente também> US$ 11.

O melhor dele, entretanto, é também seu diferencial. No lugar o pão redondo tradicional usado para estes sanduíches, o RT serve seu hambúrguer em um brioche, aquele pão de origem francesa bem amanteigado que quase lembra um bolo por sua textura. Este brioche dá um sabor especial ao sanduíche, o colocando dois degraus acima do fast food, um acima dos sanduíches de outras redes casuais encontradas em qualquer grande cidade do mundo.

Serviço:
Ruby Tuesday
585 7TH AVENUE
NEW YORK NY 10036
212-382-3898
site

É por isso que você é gordo!

Algumas comidas se tornam mitos, lendas, coisas que todo mundo já ouviu falar que existe, mas nunca viu, então não sabe se é verdade realmente. Entre os maiores mitos do pensamento guloso está este exemplo do “é por isso que você é gordo”, compilação de alimentos lotados de calorias: chocolate empanado e frito. Não, não é uma lenda urbana. Ele existe de verdade em Nova York – e é bom!

Barrinhas de chocolate mars e lion, empanadas e fritas

Segundo uma reportagem publicada pela BBC em 2004, a ideia de fritar uma barra de chocolate surgiu na Escócia, nos anos 1990, e um quinto das lojas de comidas fritas de Glasgow ofereciam a sobremesa em seus cardápios quando a matéria foi ao ar. Mesmo na Escócia, entretanto, foi preciso um estudo médico para determinar que a sobremesa existia e não era apenas lenda urbana.

A barra de mars - diz-se que ela é congelada antes de ser frita, para não ficar sem forma

Depois de quase dois meses nos Estados Unidos, finalmente o Monstro encontrou um lugar que prepara as barras de chocolate mars e lion empanadas e fritas, servindo como sobremesa. É uma lojinha de inclinação britânica, especializada em peixe com batata, pequena e em que cinco minutos dão um grande enjôo, tamanho o cheiro de óleo.

Chocolate empanado: crocante por fora e derretido por dentro

A Salt & Battery é o nome, e fica no Greenwich Village. Além de porções de fish n chips por cerca de US$ 10, tem os chocolates por U$ 4, cada. Não demora muito, e rapidinho o pedido é entregue em pequenos potes, com um papel absorvente para o que sobre do óleo.

O ambiente oleoso do Salt & Battery

A casquinha crotante, e com toque levemente salgado, cobre e dá forma ao chocolate, que fica se derretendo, servido quente. Para quem já vê a foto, fica fácil imaginar o gosto. É algo que deve ficar ainda melhor com uma ola de sorvete por cima, mas sem dúvida é o suficiente para enlouquecer qualquer chocólatra.

Fachada da lanchonete

Serviço:

A Salt & Battery

112 Greenwich Avenue
(12th and 13th Streets)
Phone: (212) 691-2713
Site

Leia também:

BBC investiga a lenda urbana da barra de mars frita


O Japão popular em NY

O East Village, bairro em que o Monstro mora em Nova York, é um bairro dominado pelo orientais, pela comida oriental, pelo menos. A cada quarteirão há mais de um restaurante japonês, tailandês, coreano e até mesmo chinês (que tem em todo canto da cidade). Os principais, entretanto são os bares japoneses especializados no macarrão (noodle) servido mergulhado em caldo, o lámen (como se diz no Brasil) ou rámen, como pronunciam por aqui.

Miojo decora as mesas no bar do Ippudo

Por todo canto há os restaurantes que servem este prato barato e encorpado, com molhos variados. Por mais japonês que seja o estilo de servir, o prato tem origem na China, e já há casas chinesas e coreanas que imitam o preparo com seus próprios caldos com noodle.

O cardápio - boa parte das opções são imcompreensíveis, mas vale a pena arriscar

O “New York Times” diz ser uma onda recente, iniciada neste século, a dos rámens na cidade, e alega que no Japão é uma coisa antiga (desde os anos 1950, especialmente) e tradicional, respeitada e valiosa em todo o país: “é o prato nacional. Mais barato de que sushi, disponível em qualquer lugar, e sempre na moda”, diz o jornal.

Deliciosos pedaçoes de enguia grelhada de entrada

Um dos principais representantes desse tipo de casa é o Ippudo, filial de uma rede do Japão que foi Aberta em 2008 em Nova York. A especialidade ali é o tonkotsu, massa servida mergulhada em molho de porco, que consegue ser ao mesmo tempo suave, mas com sabor impactante. A massa tem uma ótima consistência, e vem ainda com pedaços de carne de porco bem macia e um ovo cozido. O cardápio é quase indecifrável, mas pedir mesmo sem conhecer o que vem pode ser uma surpresa agradabilíssima.
Caldo de porco, carne e ovo cobrindo a massa dentro da tigela
O lugar, como no Japão, serve ótima comida a baixos preços. Por US$ 12 vem a imensa tigela com a massa mergulhada no caldo, e há ainda ofertas no almoço em que ganha-se uma saladinha e uma entrada.

A entrada, no caso, surpreendeu tanto quanto o ótimo caldo. Era uma porção de arroz coberta com pedaços grelhados de enguia, deliciosa, macia, com molho saboroso.

Massa deliciosa servida dentro do caldo do Ippudo

Uma refeição no Ippudo pode sair por menos de US$ 15, com bastante comida e sabor para mergulhar na cultura de rua japonesa dentro de NYC.

Serviço:
Ippudo
65 Fourth Avenue (Ninth Street), East Village.
(212) 388-0088.
Site

Leia Também:
NYT: Febre dos noodles na cidade

NYT sobre o Ippudo

TimeOut

NY Mag

Fetival dos cheirosinhos

Com milhares de opções de restaurantes e uma cultura que faz a maior parte das pessoas comerem na rua em vez de fazerem comida regularmente em casa, Nova York tem uma série de festivais gastronômicos em seu calendário. A exemplo da Restaurant Week, em fevereiro, no início de março aconteceu a terceira edição anual de um festival inteiro dedicado aos queijos fedorentos, aqueles mofados e deliciosos, o Stinky Cheese.

Entradinha de brinde servida no Maison, simples, mas ótima

Por pouco mais de uma semana, chefs de 9 restaurantes franceses prepararam um cardápio especial com queijos de cheiro e sabor fortes. Os restaurantes fazem parte de um grupo local chamado Tour de France, e servem como uma apresentação da gastronomia francesa ao gosto americano.

O Welch Rarebit: muito molho de queijo Taleggio gratinado sobre torradas de pão integral - Perfeição!

Durante o festival deste ano, o Monstro visitou o Maison, um francês com cara bistrô em Midtown, na esquina da Broadway com a rua 54. Além do cardápio tradicional, havia uma lista de opções preparadas especialmente para o festival.

O filé coberto com queijo

Desde a chegada no restaurante, foi oferecido um pequeno prato de pequenas entradas, incluindo já um queijo bem cremoso que combinava bem com uma baguete crocante.

O prato escolhido foi o Welch Rarebit Taleggio, que era um gratinado formado por torradas de pão integral cobertas com queijo taleggio derretido. O pão ficou ao mesmo tempo com camadas crocantes e outas molhadas com forte sabor do queijo, e bastante molho do queijo podia ser comido com batatas fritas ou com mais pão fresco. Era uma delícia.

Sem queijos cheirosos, o crepe de ratatouille

O Welch Rarebit é uma versão britânica que lembra o croque francês. A diferença é que a versão francesa não é mergulhada, mas apenas coberta com molho. O queijo Taleggio, usado no prato é italiano, e tem cheiro forte, mas sabor relativamente suave, levemente picante.

Além do Monstro, a esposa pediu um outro prato do festival, um filé coberto com queijo landhaus, também muito bom. Uma amiga que também estava no jantar preferiu um crepe recheado com ratatouille e queijo de cabra. Todos tomaram ainda um vinho tinto  italiano e a conta deu U$ 35 por pessoa.

Serviço:
Stinky Cheese Festival (Tour de France)

Maison
1477 Second Avenue (77th Street)
(212) 879-6413
Site

Leia também:
NYT dá uma estrela ao Maison
“One of New York’s most interesting new bistros”