China York

A comida chinesa está tão entranhada na cultura americana que há quem diga que ela é mais importante na dieta deste povo de que os tradicionais hambúrgueres e tortas de maçã, símbolos dos Estados Unidos. “Perguntem-se, quantas vezes você comeu comida chinesa nas últimas semanas? E torta de maçã?”, perguntou Jennifer 8 Lee, descendente chinesa que escreve para o “New York Times” e que passou mais de meia década pesquisando a história dos pratos chineses na América. Ela falou durante uma palestra realizada há algumas semanas no Museu da Cidade de Nova York.

Tigres decoram Chinatown na festa do Ano Novo Chinês

Sua tese, defendida no livro “The Fortune Cookie Chronicles” (Crônicas dos biscoitos da sorte), funciona nos dois sentidos. Enquanto os americanos se empanturram de comida chinesa, a comida chinesa como se conhece no país (e no Brasil, diga-se) na verdade não é chinesa, mas criada com influência oriental nos Estados Unidos. “Não existe nada como chop suey na China”, disse, comentando o que chamou de “pegadinha cultural” – “chop suey significa, na verdade, algo como mistura, sobras, ‘isso e aquilo'”.

Jennifer 8 Lee, durante palestra no City Museum of New York

Mas há um lugar em Nova York, pelo menos, em que a comida chinesa de verdade, igual à comida pelos chineses na China, pode ser experimentada: Chinatown.

Cardápio do Peking Duck, com fotos dos pratos

O bairro contruído pelos imigrantes do país na cidade mais cosmopolita dos EUA (e em quase todas as outras grandes cidades americanas), onde vivem 150 mil pessoas de origem oriental, guarda lugares tradicionais com comidas mais “estranhas” para os padrões ocidentais.

Ambiente do Peking Duck, em Chinatown

A dica para quem quer tradição, segundo Lee, é buscar comidas servidas com cabeça e tudo (os ocidentais gostam de fingir que sua comida nunca foi um bicho, nunca esteve viva, os chineses aceitam as cabeças dos animais em seus pratos.”

Dumpling, guiozas suculentos servidos no Peking Duck

Caminhando pelas ruas do bairro, em Downtown Manhattan, entre feiras que vendem ostras e mariscos ressecados, ou peixes e sapos ainda vivos, a vitrine com patos assados pendurados inteiros chamou a atenção. E na primeira oportunidade, o almoço foi no Pekin Duck, um dos restaurantes mais elogiados da região, com comida temperada, mas sem os exageros de lugares mais “raíz”, oferecendo uma boa entrada no universo oriental.

Pratos do almoço. Os dois pratos de pato são complementares do pato inteiro

O ambiente lembra o de alguns chineses daqueles mais obscuros na Liberdade, em São Paulo, como o Chi Fu. Salão grande, mesas redondas e com espaço para uma dezena de pessoas e o cardápio cifrado sem muita coisa de fácil acesso para os ocidentais.

Arroz misto: frango e camarão

A entrada escolhida foi um prato de guiozas, chamados dumplings nos restaurantes orientais de NY. Assados, eles têm um recheio bem temperado e suculento.

Pato Pequim

Dois pratos imensos serviram de almoço para quatro pessoas. Primeiro um arroz misto, metade com um temepero adocicado de frango e a outra com grandes camarões e molho branco.

Uma vitrine de patos laqueados à moda de Pequim

O segundo foi o tradicional Pato Pequim. “Um das artes mais sofisticadas da culinária chinesa. Nós preparamos com bastante antecedência. Primeiro, ar é injetado dentro do pato para esticar e soltar a pele, e então água fervente é repetidamente jogada sobre a ave, que depois é cuidadosamente seca. A pele seca é  esfregada com um caramelo e o pato é assado em um forno quente por um período de tempo até que a carne está macia e a pele crocante”, descreve o site do restaurante.

O prato é um pouco adocicado, mas com o sabor forte e intenso do pato. A pele ficou menos crocante de que se podia esperar, e por conta da gordura acumulada, muitas vezes foi deixada de lado. mesmo assim, é uma comida deliciosa e diferente dos chineses ocidentalizados. E barato também. Toda a comida, além de chá e refrigerante, custou US$ 13 por pessoa, com todos saindo da mesa bem cheios.

Lee contou que viajou ao Brasil, e que viu coisas muito similares ao que há nos Estados Unidos. “A diferença é que existe ainda uma mistura com a comida japonesa, que não há nos EUA”, disse. Ela disse que tambpem ficou impressionada com os tamanhos de guizas e rolinhos nos restaurantes chineses do Brasil.

Serviço:
Explore Chinatown

Peking Duck

Leia também:
Visita do Monstro ao Chi Fu, em SP

NY Mag

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