As trash as it gets

Boa parte da culinária tradicional dos Estados Unidos, especialmente quando se trata de fast foods e de grandes redes, pode ser conhecida sem ter que vir ao território americano. A presença ostensiva dessas marcas nas ruas da cidade e o fato de que ela fazem parte do cotidiano tornam esses lugares necessários neste mergulho gastronômico na cidade (por menos gastronômico, que muita gente possa achar). Não é uma coisa exatamente saudável, mas é interessante mergulhar no “mais trash impossível” da culinária local.

A refeição completa do KFC, suficiente para 4 pessoas, por US$ 20 - as cervejas são à parte

Em primeiro lugar é preciso dizer que, ao contrário do que muita gente pensa, Nova York não tem um McDonald’s em cada esquina (nenhuma cidade americana, provavelmente). Há, na verdade, mais pequenos restaurantes, carrinhos e barracas sem marca global de que a lanchonete dos grandes arcos amarelados. Há mais lojas da Subway, e do Quiznos, concorrente direto. Há muitas da Wendy’s, muitos mais Starbucks e etc… Juntando todas essas marcas, entretanto, é provável que hajaum fast food em cada esquina.

Uma outra característica interessante da abordagem local do fast food é que eles são “trash” como um todo: bagunçados, meio sujinhos, barulhentos, bem diferentes daquela coisa insípida das mesmas marcas no Brasil. E são bem baratos, então acaba sendo uma opção para famílias mais pobres, estudantes, algo bem diferente do Brasil também.

Vista aérea dos impressionantes 13 pedaços de galinha frita

E no quesito barato, sujinho e trash, nenhum ganhou até agora do Kentucky Fried Chicken, o KFC.

Na teoria, o KFC oferece a seus 12 milhões de clientes diários uma receita original de pedaços de galinha fritos e crocantes, preparada com 11 ervas e temperos. Na prática, são pedaços de uma carne de frango tão macia que impressiona, mergulhados em uma tonelada de óleo para ficar crocantes e saborosos, mas nada saudável ou de se orgulhar. A rede tem mais de 20 mil restaurantes no mundo, incluindo 5.200 nos EUA (pelo menos 6 só em Manhattan) e o restante em 108 países (no Brasil, ela está pelo menos no Rio de Janeiro, no Largo do Machado e em Copacabana).

Impossível encontrar uma refeição mais trash de que esta

Mas se é para passar um semestre entendendo a dieta americana, o KFC era parada obrigatória,e virou um jantar na última semana. O processo foi o que muitos americanos seguem: uma pessoa da família vai à lanchonete, escolhe a refeição, compra em um balde e leva para comer em casa. Por US$ 20 é possível comprar uma refeição completa para mais de 4 pessoas, com um total de 13 pedaços de galinha frita, cinco pãezinhos (biscuits deliciosos), um baldinho de purê (horrível), um de molho gravy (sem gosto) e outro de salada de repolho (dispensável).

O destaque, claro, é o frango empanado, que é feito bem crocante e gorduroso, mas também ótimo, é claro. Na mistura há filé de peito crocante, coxas, sobrecoxas e asas. É muita comida, comida pesada, que, em caso de exagero, pode fazer até passar mal em seguida (been there, done that).

A rede é um dos maiores inimigos da Peta, aquele grupo de pessoas sem ter muito o que fazer que resolvem defender os direitos dos animais. Segundo ela, os fornecedores de galinha à rede KFC criam os animais em situações “torturantes”. Há até uma página só sobre este assunto na internet, a Kentucky Fried Cruelty, mostrando o coronel que está no logo da rede com chifres de diabo.

O KFC deve seu nome à origem da marca, em Louisville, estado do Kentucky. Ele faz parte da rede Yum! de restaurantes, com 36 mil lojas e valor estimado em US$ 11 bilhões (e inclui Taco Bell e Pizza Hut). A rede surgiu em 1930, criada por Harland Sanders, que recebeu o título de coronel  honorário do estado. No começo, se chamava Sanders Court & Cafe. A tal da receita original do frango empanado é de 1940, e as franquias começaram a se espalhar em 1952.

Em 1999, quando morou na Inglaterra, o Monstro comia regularmente sanduíches do KFC, que eram o destaque das lanchonetes naquele país. Nos EUA, as opções de sanduíche aparecem sem destaque nos menus, sem haver tantas opções (saudades do Fillet tower!!!).

Serviço:
Site oficial do KFC

Página da PETA contra o KFC

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Uma resposta para “As trash as it gets

  1. Pingback: O sanduíche com muito marketing e nenhum pão « Monstro na Cozinha

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