Famigerados cachorros quentes

Em inglês, hot dog, traduzido literalmente para cachorro quente, não é necessariamente um sanduíche, como se conhece no Brasil. Hot dog é algo mais simples, somente a salsicha, que acaba servida num pãozinho pequeno e quase insignificante.

Os cachorros quentes servidos no Gray's Papaya, em Nova York

O idioma dá uma dica a repeito do cachorro quente comido nos Estados Unidos, e especificamente em Nova York. A imagem clássica do sanduíche pequeno, simples e barato, comido nas ruas, com as mãos e sem molhos além de um pouco de mostarda, dão uma impressão de algo sem gosto e sem graça. Nada mais longe da realidade, pois as salsichas servidas como cachorros quentes pela cidade são normalmente o que no Brasil é visto como salsicha especial, pois têm muito mais sabor, textura e tempero, por isso a ausência de molhos, milho, ervilha, batata palha, queijo e purê, como costumam fazer em São Paulo.

É aquela salsicha alemã, a Frankfurter (que também é sinônimo de hot dog), pré-cozida, temperada e suculenta, ainda grelhada antes de servida. Assim como no caso dos hambúrgueres, é nela que está o foco, o interesse do sanduíche, e não nos acompanhamentos. Uma das versão mais difundidas a respeito da origem do cachorro quente, segundo o “NY Herald Tribune”, o hot dog surgiu em Frankfurt, na Alemanha, em 1852, se difundindo nas décadas seguintes nos Estados Unidos.

Os hot dogs, com pouco molho, sem acompanhamentos, um pão pequeno, é tudo a respeito da salsicha

Uma pequena anedota sobre o passado do famigerado cachorro quente é relatada por Câmara Cascudo, estudioso da história da alimentação no Brasil: “Nos subúrbios de Chicago, famoso por seus matadouros, uma firma de comestíveis fundou uma fábrica muito anunciada de ‘cachorros-quentes’ feitos garantidamente de carne de coelho. Um vizinho fronteiro fez-se logo freguês da nova e deliciosa iguaria. Entretanto, com tempo, notou ele que na fábrica entravam com material enormes carroções puxados por quatro ou seis cavalos, e depois saíam tirados por dois apenas. O homem desconfiou e acabou processando a casa e pedindo indenização. No tribunal o fabricante acabou confessando usar alguma carne de cavalo nos dogs. Em que proporção? Inqueriu o juiz. Fifty-fifty, sr. Juiz. Fifty-fifty? Que quer dizer? Pois, titubeou o homem: – um cavalo, um coelho”. Segundo ele, a combinação de pão com salsicha aportou no Brasil em 1928 (“ou 29”, diz), pelo cinegrafista Francisco Serrador.

O balcão de cachorros quentes do Gray's

Com o inverno ainda castigando as ruas de Nova York, os primeiros cachorros quentes experimentados foram servidos por lanchonetes, porque comer na rua ainda é quase impossível.

O Gray’s Papaya já foi escolhido o melhor da cidade por publicações como a revista Time Out. Ele tem mais de um endereço na cidade, e a rede foi criada em 1973, depois que se separou de outra forte rede, o Papaya king.

As salsichas grelhando e os pães esquentando para se juntarem nos cachorros quentes do Gray's

O nome papaya vem do mesmo mamão que se conhece no Brasil. Além do cachorro quente, a lanchonete serve sucos, dos quais o carro chefe é o de papaya.

A organização do Gray’s é bem simpoles, o cliente entra, escolhe a quatidade de salsichas, o ponto de grelha delas e um dos dois molhos oferecidos (repolho ou cebola), já recebe os sanduíches e come ali do lado mesmo, de pé. Por US$ 4,5 comem-se dois dogs e mais um suco.

Como mencionado, o segredo todo é a salsicha, muito bem temperada e grelhada num ótimo ponto. O sanduíche fica pequeno, mas dois servem como uma refeição.

Serviço:
Gray’s Papaya
402 Sixth Ave.
New York, NY 10014
212-260-3532

Leia também:
New York Magazine

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Uma resposta para “Famigerados cachorros quentes

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