Por dentro da Grande Maçã

Toda cidade tem segredos que somente quem vive nela há muito tempo conhece. Toda cidade grande, em compensação, pode ter uma imprensa local eficiente (e estraga prazeres, para os locais), revelando regularmente parte desses segredos. A Time Out é a principal referência semanal de eventos em Nova York, e a edição desta semana é exatamente sobre esses segredos – alguns reais e outros bem marqueteiros.

A Time Out revela os segredos por dentro da maçã

Entre dicas para conseguir ir a festas secretas, encontrar famosos, comprar peças usadas no cinema e na TV, há, claro, dicas sobre comida, algumas que vale a pena repetir.

A primeira delas é em relação a conseguir reservas em locais disputados. NY sempre tem alguns restaurantes bem na moda, onde é difícil conseguir um lugar especialmente de última hora. Claro que nisso há muito hype também, usando a dificuldade para valorizar ainda mais os locais já na moda. Muitos guias de turismo dizem ser impossível conseguir uma reserva no brunch do badalado Balthazar com menos de um mês de antecedência, mas na última terça-feira, por exemplo, eles tinham mesas livres tanto no sábado quanto no domingo seguintes.

Uma boa dica que o Monstro aprendeu em dois meses na cidade é simples: é só fugir das horas de pico. Nos dias de semana, por exemplo, qualquer restaurante vai estar cheio às 13h, mas é bem provável que todos tenham mesas livres às 14h30, quando as pessoas que estão trabalhando já voltaram para o batente. Para quem está fazendo turismo, não chega a ser um problema adiar um pouco a hora do almoço. O mesmo serve para a noite, quando há mesas livres bem cedo (antes das 19h) eu bem mais tarde (às 22h30, por exempo – a não ser que seja uma região cheia de teatros, como a Times Square).

As Dicas da Time Out dessa semana são mais específicas, e algumas são bem baseadas nas lendas de dificuldade de que falou-se antes. No Babbo, por exemplo, restaurante de Mario Batali que dizem ser o melhor italiano da cidade, dizem ser difícil até mesmo conseguir falar com uma atendente para fazer uma reserva. Eles sugerem ligar para o número de confirmação em vez do de reserva, e assim conversar com alguém e fazer uma reserva.

Mas lá vem aquela história do mito. Enquanto escrevia este texto, quinta-feira às 13h22, o Monstro ligou para o número de reservas do Babbo (o oficial), foi atendido, e em menos de dois minutos conseguiu uma mesa para dois às 22h30 no jantar do sábado. Ou seja, talvez o atalho da revista valha para tentativas de última hora, mas não é algo assim tão necessário (a reserva ficou para depois, pois é preciso juntar um dinheiro par ir ao menu degustação de massas deles, que custa US$ 65 por pessoa).

A outra dica da Time Out vale para vários restaurantes, e é parecida com a que o Monstro deu de fugir das horas de pico: apareçam no restaurante. Muitos restaurantes, diz a revista, mantêm até 30% das mesas sem reservas, para receber quem chega neles sem reserva. Elas só ficam livres logo que o lugar abre, entretanto, valendo cegar cedo. Isso funcionou nas duas vezes em que o Monstro foi ao Lês Halles, ambas sem reserva e conseguiu sentar rapidamente.

Tem ainda uma terceira opção. Alguns lugares, como o aclamado Spotted Pig, permitem que você tente reservar no mesmo dia e pessoalmente. Você vai ao restaurante às 17h30, por exemplo, deixa um nome e um telefone celular, e eles ligam para você se aparecer uma mesa vazia.

Claro que alguns restaurantes valorizam a dificuldade em conseguir um lugar para sentar e comer. O Momofuku Ko, por exemplo, de David Chang, tem um esquema de reservas pela internet que já foi comparado por um blog brasileiro com um vídeo game. O esquema abre diariamente às 10h da manhã, tem pouquíssimos lugares livres (o restaurante tem 12 lugares apenas), e dizem que às 10h01 já não tem mais lugar livre (Esse o Monstro ainda não testou – AINDA).

Segundo a Time Out, há duas opções neste caso: Corra! É preciso conectar e ficar tentando, às 10h da manhã, para conseguir. A segunda é tentar desistências. Ela às vezes aparece em um dia qualquer, no meio da tarde, então é possível conseguir uma mesa, por mais que ela não seja tão fácil nem mesmo com muita antecedência.

Esse esquema de reservas pela internet se disseminou por Nova York. Ingressos para shows e esportes, por exemplo, só são vendidos assim, agora, com domínio da Ticketmaster, que cobra taxas absurdas para fazer o favor de vender ingressos. E mesmo assim eles voam. O show solo de Thom Yorke, por exemplo, teve ingresos para dois dias esgotados em 10 minutos pela internet – 10 minutos depois os mesmo ingressos eram vendidos em sites de cambistas pelo dobro do preço (mas isso foge da arena gulosa do Monstro na Grande Maçã).

A Time Out traz uma outra boa dica de comida, voltada para o povo mais obcecado. Ela lista quase uma dezena de restaurantes em Nova York que servem pratos secretos, que não aparecem no menu. Tirando uma cabeça de bode servida inteira em um dos restaurantes, nada parece muito atraente para quem ainda não conhece os restaurantes. Mas as dicas podem valer pelo menos para impressionar os amigos e dizer ter comido algo que ninguém nem sabe que existe.

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Off-the-menu food and drink

Comidas secretas na Time Out

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