Sanduíche de feijão com arroz

A referência à brasileira seria fácil. Pegue o tradicional feijão com arroz e bife, espalhe dentro de um pão que parece uma panqueca (uma tortilla), enrole como se fosse um wrap e saia comendo na rua, com as mãos. Assim é um dos principais exemplos da culinária supostamente mexicana, vinda de San Francisco para Nova York (?!), o burrito. É um enrolado exatamente com carne, arroz e feijão, além de salada de tomate, queijo, molho picante, guacamole e creme azedo.

O burrito na versão de São Francisco (com feijão e arroz) em Nova York

É uma refeição inteira dentro de um sanduíche, e por mais que seja bem bom, pode ser meio estranho encarar um burrito como este, conhecido por ser no estilo de San Francisco, um dos mais reconhecidos no país. Ele foi experimentado no que vem sendo chamado pela mídia local como Meca desse estilo de comida “mexicana”, o Dos Toros, uma pequena lanchonete em Downtown. Os feijões são mais secos de que na versão brasileira, mas estavam cozidos perfeitamente, e caíam bem com o tempero da carne.

O bacão de preparo dos Burritos no Dos Toros (Foto NYT)

O Dos Toros oferece um cardápio mínimo de burritos, tacos e quesadillas, tudo preparado na hora, rapidamente, e servido como fast food. São três opções de recheio principal (carne, porco e frango), além dos acompanhamentos. OS proprietários vieram direto da Califórnia, e criaram o lugar em homenagem à lanchonete preferida deles na Califórnia.

As três embalagens para viagem, da esquerda: quesadilla, taco e burrito

A comida é excelente e muito barata. Por mais pesado que seja o burrito, os tacos são menores e mais simples, com uma pequena tortilla servida aberta e sem feijão e arroz (a carne de porco que recheava o experimentado estava suculenta e deliciosa. As quesadillas é que lembram mais ainda uma panqueca, ou crepe, servidas dobradas com recheio de queijo, molho de tomate e uma guacamole deliciosa. Cada Burrito imenso custa U$ 7, enquanto tacos e quesadillas ficam em torno de metade disso.

O Burrito antes da primeira mordida

O “supostamente” incluído ali no primeiro parágrafo foi uma homenagem a uma carta publicada pela Time Out uma semana depois de a revista publicar uma resenha positiva do Dos Toros alegando ser bom exemplo de comida mexicana. A missivista ficou indignada com aquilo. “Não há burritos no México; essa não é nossa comida e até que as pessoas como o crítico viagem e entendam nossa cozinha, lugares como Taco Bell e Dos Toros vão continuar sendo considerados ‘mexicanos’ quando são totalmente o oposto. É uma vergonha”, dizia.

A quesadilla (queijo, salada e guacamole), mais fininha, mas deliciosa

Em defesa do crítico da revista e dos donos do restaurante, o próprio Dos Toros se diz representante da culinária Cal-Mex, uma adaptação do antigo TexMex trocando Califórnia por Texas. Por mais que seja confundido com a comida tradicional do México, o TexMex, e o burrito, é uma comida americana sob influência latina, e por mais que seja encontrado em todo o mundo, é na Califórnia que o recheio costuma ser tão imenso.

Taco recheado com deliciosa carne de porco

Segundo Robb Walsh, autor do “Livro de receitas das lendas do churrasco texano”, esse tipo de cozinha é influenciada pela história do Texas, que surgiu como colônia espanhola antes de ser parte dos Estados Unidos. O resultado da história, explicou em entrevista em 2008, vai além da comida mexicana, com a qual costuma ser comparada.

Mais uma do taco, excelente

“O tex-mex não é comida mexicana. É uma cozinha de influência latina, espanhola, mas uma comida regional norte-americana. É como a comida cajun, na Louisiana, que tem influência francesa, por mais que seja comida típica dos EUA”, disse.

Mais uma do burrito

Segundo ele, por muitos anos, o tex-mex foi chamado de comida mexicana. “Em 1972, Diana Kennedy, uma inglesa que vivia no México, publicou um livro sobre comida mexicana, deixando bem claro que ela era diferente daquela com o mesmo nome que se comia nos Estados Unidos. Foi aí que os mexicanos insistiram que deixássemos de chamar nossa comida de mexicana, então passamos a diferenciar ela como Tex-Mex”, explicou.

A mudança de termo, diz, foi influenciada por uma alteração na sociedade texana, que passou a aceitar os imigrantes mexicanos como cidadãos dos Estados Unidos, dando uma nova feição ao Estado.

“Até 50 anos atrás, chamávamos nossa população de origem latina de ‘mexicanos’. Mas então eles mesmos ressaltaram o fato de que eles nasceram aqui, são norte-americanos. Não são mexicanos, mas mexicano-americanos. Nos anos 80, o termo se estabeleceu, se diferenciando.”

Serviço:
Dos Toros Taqueria
137 Fourth Avenue (13th Street)
(212) 677-7300

Leia também:
NYT avisa: peça guacamole

Timeout elogia o Dos Toros

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