Em busca do hambúrguer perfeito 9 – Pequenos e subestimados

Nenhuma das principais listas populares que indicam bons lugares para se comer na cidade vai incluir a pequena lanchonete escondida em um subsolo da St. Marks Place. Enquanto o Burger Joint e o Shake Shack colhem os louros de serem aclamados no mundo todo como alguns dos melhores hambúrgueres de Nova York, o primeiro posando até de “segredo” (por mais que seja um dos mais populares da cidade), o Mark fica de fato desconhecido do grande público, por mais que tenha uma comida provavelmente superior.

Os sliders servidos no Mark - Quatro dentadas são suficientes para acabar com cada um deles

Do lado de fora de quem passa na agitada rua do East Village, três coisas chamam a atenção para a lanchonete: primeiro é uma vaca, dessas da Cow Parade, toda pintada, que fica bem na entrada; Depois é uma plaquinha falando de preços, indicando que o mini-hambúrguer servido ali custa apenas U$ 2; e a terceira é a informação estampada bem no alto de que eles mesmos moem a carne que é usada para fazer os hambúrgueres dali – OK, ele não é tão popular, nem tão conhecido, mas já consegue dar vontade de experimentar.

A entrada da lanchonete, que fica num corredor quase no subsolo

Quase no subsolo, o lugar é um corredor, com balcão de frente para a chapa em que os sanduíches são preparados e algumas mesas no fundo. É verdade que o lugar é meio novo, abriu em 2009, e que entre blogueiros e no Yelp, um guia de internet para restaurantes na cidade, o Mark já é aclamado, mas ele aparentemente ainda não foi descoberto pela moda gastronômica da cidade.

O ambiente interno do corredor

E a comida é fantástica. O Mark tem um cardápio bem pequeno, com foco nos pequenos hambúrgueres, os sliders. Esse tipo de sanduíche é mais comum de ser encontrado em bares, servido como petisco, mas têm espaço em muitas lanchonetes também. Bem menores que os sanduíches mais tradicionais, eles podem ser acabados em 4 ou cinco boas dentadas, e vêm com recheios mais simples, somente com carne, queijo e cebola (e talvez bacon). O sanduíche mais caro ali é o duplo com bacon, que não chega a U$ 5.

Os pequenos hambúrgueres são preparados na chapa na frente da gente

A carne dos hambúrgueres é fina, mas isso se percebe pouco por conta do tamanho do próprio sanduíche. Ela é feita com cortes de picanha (sirloin, que fica ali do lado, na verdade) e costela moídos lá mesmo. Ela é muito bem temperada e suculenta, e vem acompanhada de cebola quase caramelizada e bem macia e bastante queijo derretido. O recheio forma uma coisa só, muito saborosa, e o pequeno pão é macio e absorve parte do gosto. No hambúrguer duplo, o recheio domina a atenção com classe.

A versão dupla do sanduíche, dois são mais que suficientes como refeição

É interessante também que no caso do hambúrguer com bacon, a fatia da gordura de porco não é simplesmente jogada por cima da carne, como acontece comumente. O bacon é precozido e fatiado, sendo misturado à carne de forma que o gosto fique mais homogêneo, por mais que fique também um tanto disfarçado.

Batatas fritas também baratas e ótimas

Além da ótima relação de qualidade e preço nos hambúrgueres, que dariam chance de o Mark disputar títulos de melhor sanduíche, o lugar ainda se destaca pelos paralelos. A batata frita servida ali é barata também, custa U$ 3 a porção, e é muito seca e crocante. A lanchonete ainda oferece opção de quatro molhos preparados por eles mesmo para completar a refeição, seja um catchup que foge do padrão Heinz com qualidade, ou um barbecue, ou dois molhos de pimenta para satisfazer o povo mais suave e o mais radical.

O hambúrguer duplo depois de duas mordidas

Por último, há os milk shakes, que merecem igual destaque e fazem valer a visita ao local. Não falo nem dos tradicionais baunilha e chocolate, feitos com sorvete e leite (e não daqueles tirados direto da máquina) e bem doces. O bom mesmo é um milk shake de Guinness, isso mesmo, a encorpada cerveja escura irlandesa.

Milk shakes: o da esquerda é o delicioso, diferente e pouco doce feito de Guinness, e o outro é de chocolate.

Segundo a garçonete do lugar, a lanchonete faz um xarope com a cerveja, que é reduzida no calor junto com açúcar. Esse xarope é usado para dar sabor a um milk shake preparado com sorvete de baunilha. O gosto desse milk shake é único. Lembra um pouco o que era visto no Recife como “leite maltado”, que era justamente feito com cevada. Ele é menos doce, e é fácil detectar sabores amargos e torrados vindos da cerveja, mas não parece em nada com o que se pode imaginar ao ler a descrição. O shake de cerveja custa U$ 6, e é a melhor opção para acompanhar os sanduíches, ou pode valer a viagem por ele mesmo.

Serviço:
Mark
33 St. Marks Pl.
212-677-3132

Não acredita, então olha aí também:
Quase nota máxima no Yelp

NY MAG e a batalha dos hambúrgueres

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