Arquivo do mês: maio 2010

150 anos de mesa de bar

Os Estados Unidos estavam em plena Guerra Civil quando a taverna de Pete serviu sua primeira cerveja, em Nova York. Desde 1864 até hoje, o bar nunca parou de funcionar, chegando a se disfarçar de floricultura durante a lei seca, o que faz dele o estabelecimento do tipo mais antigo da cidade.

A esquina do Pete's Tavern

Pete’s Tavern fica em Gramercy, em uma esquina pouco movimentada, mas sempre agitada por conta do bar, que vive cheio. Ele tem um balcão tradicional na entrada e várias mesas como restaurante nos fundos. Em dias de calor, mesas são colocadas na calçada para servir bebida e comida.

O ambiente interno do Pete's, de 1864

O cardápio oferece 12 cervejas diferentes, incluindo a Ale da casa, que é encorpada e bem boa. Na parte de comidas, o Pete’s diz se especializar em culinária ítalo-americana, mas na verdade serve um pouco de tudo, o que seria chamado de “cozinha internacional” no Brasil. Há massas, carnes, peixes e os habituais hambúrgueres.

Os cogumelos recheados com carne de caranguejo

O Monstro começou a noite com cogumelos gratinados recheados com carne de caranguejo (U$ 10,25). O cogumelo predominava, mas a entrada era gostosa.

O hambúrguer de Kobe

De prato principal, escolheu um Kobe beef burger (U$ 15), carne do gado japonês wagyu, mais macia e gordurosa. O hambúrguer estava muito saboroso e suculento, mas não se diferenciava tanto assim a ponto de poder se perceber se era Kobe mesmo. Ele vinha acompanhado de umas batatas fritas oleosas e sem graça.

O prime rib, costela assada vermelha e suculenta

A esposa pediu um Roast Prime Rib (U$ 15.95), corte suculento da costela de boi, servido bem vermelho e acompanhado por purê de batatas.

Apesar de a principal atração do Pete ser a história, a cozinha também vale a visita, e o cardápio tem opções melhores que a maioria dos bares da cidade.

Serviço:
Pete’s Tavern
129 E 18th St
New York, NY 10003
(212) 473-7676

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NY MAG

NYT

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Arroz com arroz

As massas sempre são a principal atração da gastronomia italiana que domina Nova York. Foram elas que ajudaram a divulgar a comida do país trazida com os imigrantes, e que continuam sendo a principal atração. Talvez para combater isso, um pequeno restaurante do West Village montou um cardápio inteiro dedicado à especialidade italiana ignorada, os risotos.

Pãozinho sem glúten servido de entrada

A Risotteria fica na rua Bleecker, e tem o foco em alimentação livre de glúten. Os pratos com arroz são a atração principal, mas há também pizzas, pães e até uma ou outra massa preparada assim. Logo que se chega ao restaurante são oferecidos palitinhos de pão e queijo preparado com massa sem glúten.

Risoto de gorgonzola com nozes

Mas a especialidade são os risotos, preparados de forma rápida e em duas dúzias de formas diferentes. Primeiro é preciso escolher o arroz: arbório, carnarolli ou vialone, e depois os acompanhamentos.

Risoto de carneiro com espinafre e gorgonzola

O Monstro pediu um de vialone com gorgonzola e nozes. O arroz estava num ponto bom e até tinha um sabor legal, mas o gorgonzola passava bem longe e as nozes são apenas colocadas por cima do risoto, sem combinar tão perfeitamente. Foi uma boa refeição, mas nada impressionante para ser a especialidade da casa.

O prato da esposa foi um risoto de carnaroli com cubos de carneiro, gorgonzola e espinafre. Mais uma vez, nada de sabor do queijo, mas a carne e as folhas estavam muito gostosos.

O restaurante é bem pequeno, tem apenas cerca de 20 lugares. Os pratos custam em torno de U$ 15 a U$ 20. A risoteria tem opções de vinho desde U$ 15, o que permite acompanhar os arrozes com uma bebida sem levar à falência.

Serviço:
Risotteria
270 Bleecker St
New York, NY 10014
(212) 924-6664

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NY MAG

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Croquete frito de macarrão com queijo

A mentalidade da alimentação trash é bem simples: se alguma coisa é boa de comer, pode ficar melhor ainda se for frita. E assim tudo é mergulhado no óleo fervente para se transformar em petisco. O impressionante é que por menos saudável que seja essa forma de pensar, ela funciona perfeitamente na hora de preparar petiscos em um bar.

Os bolinhos de macarrão frito, que ainda são servidos com um molho de queijo

Se os italianos começaram a fritar sobras de risoto para fazer o arancini (o bolinho de arroz que nem os conhecidos em São Paulo), porque os americanos não podiam dar um passo além e fritar sobras de macarronada? No caso, o prato de massa mais americano de todos, o macaroni and cheese, que é o tubinho com molho de queijo servido gratinado. Por todo o país há lugares que fazem isso, e em Nova York, o mais popular dos lugares a servir macarrão frito é o Professor Thom’s.

Os tubinhos de massa com queijo dentro do croquete

O Bar fica na segunda avenida, tem decoração inspirada em temas e times de Boston, e se tornou um dos mais populares entre os fãs de Lost por ter colocado em sua fachada a série de números que sempre aparecia na série. No dia do último episódio, havia filas para entrar no bar, e centenas de fãs de Lost assistiram aos últimos momentos ali.

O Monstro foi depois, em um happy hour em que a cerveja fica por U$ 3, e pediu a porção de bolinhos de macarrão frito para experimentar. A porção custa U$ 7, e vem com sete croquetes triangulares. O macarrão cozido com bastante molho de queijo é coberto em uma fatia fininha de massa, empanado e frito.

O gosto é de queijo frito, mas a textura é uma das mais diferentes, pois ao morder o croquete percebe-se claramente a textura de macarrão cozido. A mistura é interessante, mas não parece funcionar tão bem quanto o bolinho de arroz frito, e se matem em cardápios provavelmente só por causa deste aspecto pitoresco.

Serviço:
Professor Thom’s
219 Second Ave
New York, NY 10003
(212) 260-9480

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Village Voice

O ataque dos sushis gigantes

Faltou pretensão, mas sobrou qualidade em um jantar sem grandes expectativas num dos trocentos restaurantes japoneses do East Village. A ida ao Sharaku foi numa noite sem grandes expectativas, em que quase não levava a câmera por falta de perspectiva de escrever sobre mais um restaurante básico de sushi. Mas aí o prato combinado de sushi chegou à mesa implorando para ser fotografado, com sushis imensos.

Os sushis impresionantemente grandes do Sharaku

Por U$ 20, o combinado tinha somente oito sushis, mas vinha tanto peixe em cada um que era como se fossem mais de 20. Cada sushi tinha uma quantidade relativamente grande de arroz, mas o peixe cobria todo ele e ainda sobrava em grande quantidade para os dois lados.

O ambiente do Sharaku é simples, o atendimento foi bem ruinzinho, mas o pexe estva BM fresco e o sushi muito bem preparado, além de ser gigantesco. Valeu pela surpresa, que é um dos melhores pontos gastronômicos de Nova York. Mesmo sem procurar nada espetacular, quando menos se espera pode-se encontrar algo sensacional.

Serviço:
Sharaku
14 Stuyvesant St
New York, NY 10003

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Dogão centenário

Coney Island pode ter se tornado uma praia decadente, mas a gastronomia americana tem uma dívida eterna com o balneário do Brooklyn. Foi ali, diz-se, que surgiu o cachorro-quente como os Estados Unidos espalharam pelo mundo.

Cachorros-quentes de Nathan's, o ponto mais antigo a vender esses sanduíches nos Estados Unidos

Não é que os americanos tenham sido inventores de lingüiças e salsichas, há tempos comidas na Europa, e até mesmo preparadas com pães. A diferença estava na forma de servir e comer. Em 1867, um açougueiro alemão que vivia em Nova York, Charles Feltman, abriu sua primeira lojinha dessas sanduíches, servindo as salsichas alemãs grelhadas e dentro de um pãozinho francês. A invenção fez sucesso exatamente pela praticidade, e Feltman vendeu quase 4 mil salsichas somente no primeiro ano da invenção, que se popularizou e gerou centenas de imitações e concorrentes.

A lanchonete ocupa uma esquina junto à praia logo na saída da estação Coney Island do metrô

Em 1880, com os sanduíches se espalhando pelo país, um outro imigrante alemão criou o pãozinho especial para comer com salsichas no Missouri. Na época o sanduíche ainda se chamava Red Hot. Antes do fim do século os americanos já popularizavam o nome de cachorro quente, como ironia por conta da origem duvidosa da carne das salsichas.

O Nathan's vive cheio, mas a lanchonete é grande e não fica com muitas filas

Um ex-funcionário de Feltman foi um dos que seguiram o exemplo do chefe e montaram concorrência. Em 1916, o imigrante polonês Nathan Handwreker abriu a sua lojinha de cachorros quentes em Coney Island, servindo salsichas preparadas por sua mulher. O Nathan’s se consagrou por sua qualidade e pelo marketing competente, e hoje é reconhecido como a lanchonete especializada em hot dogs mais antiga no país.

O hot dog simples vem assim, só com pão e salsicha

O Nathan’s orignal cresceu muito, e continua funcionando na mesma esquina da praia do Brooklyn, logo na saída da estação do metrô Coney Island. A marca se espalhou por outros pontos de Nova York, pode ser encontrada em qualquer lugar dos Estados Unidos e é servida até mesmo em estádios de beisebol, mas todos os dias, milhares de pessoas de todo o país viajam até o local para experimentar o “famoso” hot dog, servido simples, com mostarda, ou com molhos e bacon.

Longos balcões oferecem apoio para comer, catchup, mostarda e guardanapos

O Monstro visitou o ponto histórico em Coney island. Era domingo por volta da hora do almoço e a lanchonete estava bem cheia, mas sem muitas filas, pois há dúzias de caixas prontos para dar conta da demanda. Comeu um cachorro-quente do mais simples, somente com a linguiça tipo frankfurt grelhada e colocada dentro do pãozinho quente. Cada sanduíche pequeno custa U$ 3, mas de fato o cachorro-quente é melhor de que o servido na maioria das barraquinhas de rua de Nova York.

A barraca menor que eles montaram na beira da praia

Uma das coisas que mais ajudou o Nathan’s a se popularizar é que ali é organizado anualmente uma das mais importantes competições de comida do país. Todo 4 de julho, durante a comemoração da independência americana, glutões se reúnem em Coney Island para ver quem consegue comer mais cachorros-quentes de uma vez só.

Outdoor faz a contagem regressiva para o próximo concurso de quem come mais hot dogs

A loja do Nathan’s atualmente tem um cardápio bem variado, que inclui ainda hambúrgueres e frituras. Eles abriram ainda um estande menor da lanchonete no calçadão em frente à praia. Considerando a falta de bons lugares para se comer em Coney Island, experimentar um cachorro-quente centenário vale como refeição e como passeio histórico pela praia nova-iorquina.

Serviço:
Nathan’s Famous
1310 Surf Ave
Brooklyn , NY 11224
(718) 946-2202

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História do cachorro-quente

Farofada nova-iorquina

Sentado no calçadão de frente para o mar, sentindo a brisa da praia, tomando uma cerveja e comendo um pedaço de galinha na brasa, nem parecia estar mais em Nova York. Mas quando o calor começa a bater forte no asfalto dessa selva de pedra que é Manhattan, existe uma alternativa bem tropical a poucos minutos dela, acessível de metrô: Coney Island.

A praia de Coney Island, com coqueirinho artificial

É uma praia de verdade, que fica no Brooklyn (a estação Coney Island do metrô, 45 min de Downtown, fica quase na areia) e que tem uma orla até interessante, por mais que água seja gelada demais nessa época do ano e não seja nada convidativa. Mas a areia é limpinha (embora um pouco dura demais) e a água é bem cristalina.

O calçadão das bizarrices

Melhor mesmo é o calçadão que fica por quase toda a orla, parecendo uma viagem no tempo pela decoração e pelos temas dos bares. Há parques de diversões, montanha russa, roda gigante, um daqueles parquinhos de bairro bem podrões  que havia pelo brasil nos anos 1980.

Lanchonetes da orla

A região já foi um resort de pessoas ricas de Nova York, mas entrou em decadência e o passeio não é mais algo que as pessoas valorizem muito, mas praia é praia. Coney Island ainda tem um pier bem legal, e durante o verão há uma queima de fogos quando o sol se põe.

Barraca vendendo bebidas abertamente, apesar de ser proibido beber em lugares públicos

São muitos bares e barracas vendendo bebidas, dando a entender que a regulamentação que proíbe de beber em público não funciona tão bem ali. As comidas, entretanto, não mudam muito o clima de cidade americana, ficando na base de frituras, pizzas, hambúrgueres e sanduíches.

A galinha na brasa peruana, de frente para o mar

O Monstro sentou em um dos poucos bares que tinha mesa naquele domingo. A partir das 15h a praia começa a encher, e fica até lotada no fim da tarde. O Piu Piu Riko servia comidas peruanas populares, como a galinha na brasa que dá um clima bem de farofa. O tempero da galinha estava delicioso e a carne bem macia, mas não havia farofa de verdade para acompanhar, mas uma banana verde frita ruim de dar dó. A refeição ficou na casa dos U$ 30, e serviu bem pelo ambiente. Tirando as bizarrices de uma praia culturalmente diferente, sentar de frente para o mar já é uma coisa sensacional.

A banana verde frita com gosto de óleo velho

Com um pouco mais de planejamento é possível organizar uma farofada de verdade e sair de Manhattan com umas comidas e bebidas mais interessantes para serem consumidas sentados na areia. É mais podre, mas mais divertido de que sentar num bar qualquer.

Serviço:
Como chegar a Coney Island

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Por falta de referência melhor, vai a wikipedia mesmo…

Refrigerante sabor pasta de dente

O primeiro gole de “cerveja de raiz” trouxe um cheiro familiar, que deixava uma sensação estranha ao terminar o primeiro gole. Uma cheirada e outro gole depois, foi feita a associação… Root Beer tem gosto daquelas pastas de dente vermelhas da Colgate. Nada agradável de beber.

A coloração é de Coca-Cola, mas o sabor é de Colgate

Essa cerveja não tem nada a ver com a bebida maravilhosa que tanto amamos. Root Beer não tem álcool e é um refrigerante bem popular nos Estados Unidos, tem coloração escura que nem Coca-Cola, mas um sabor bem “ensaboado” que realmente lembra produtos dentais.

Os críticos adoram falar mal do marketing capitalista norte-americano e de culpá-lo por empurrar internacionalmente sabores bizarros como o da Coca-Cola. Mas na hora de falar sobre a história de uma das marcas mais poderosas do mundo esquecem dos casos em que não teve marketing que fizessem dar certo. Root Beer nunca conquistou mercado internacional como a Coca.
A origem dos dois é parecida, e ambos foram usados a princípio como remédio. Root Beer como é conhecida hoje foi criada em 1866, por um farmacêutico da Filadélfia. A primeira versão engarrafada veio em 1893 e tinha um pouco de álcool. A bebida era preparada com raízes da planta sassafrás, que é comum na América do norte. Com o tempo, ela perdeu o álcool e passou a ser feita com extratos de raízes variadas, já que descobriu-se que a sassafrás podia causar câncer.

A maior parte das marcas de Root Beer atuais vendem a bebida com sabor completamente artificial, então o gosto de paste de dente pode variar e ser mais forte e umas de que em outras. Em qualquer bodega ou supermercado de nova York é possível encontrar as garrafinhas da bebida junto dos outros refrigerantes.

O engraçado é que uma pesquisa científica indicou que a Root Beer é o refrigerante menos prejudicial aos dentes. Deve ser por causa do sabor. Ele deve afastar as cáries.

Não acredita? Enão olha aí também…

Wise Geek explica a cerveja de raiz

Root beer pode ser o refrigerante “mais seguro” para os dentes