Power to the people na Wikipedia gastronômica

A página inicial de restaurantes de Nova York no Yelp

Em tempos de revolução digital, as transformações do fluxo de informações pela internet atingem a crítica gastronômica de Nova York com força.

A bíblia da gastronomia nova-iorquina ainda é considerada o guia Zagat de restaurantes, que compila e edita milhares de opiniões em uma obra detalhada e organizada que traça o perfil dos locais que vendem  comida na cidade. Ele tem mais de 30 anos, é sério, respeitado e levado de forma profissional por todo o país. Mas ele é atingido junto com toda a imprensa pela rede de computadores. Por maior que seja a credibilidade do Zagat, entretanto, hoje em dia muita gente prefere deixar ele de lado para usar o Yelp, um site onde qualquer pessoa deixa suas opiniões sobre restaurantes e onde é apresentada uma média de todos eles.

Por mais que sejam opiniões teoricamente “menos abalizadas e técnicas”, o Yelp consegue ter uma abrangência muito maior, além de ser de graça. Um não destrói necessariamente o outro, mas podem até se completar. É como se o Zagat fosse uma enciclopédia nos modelos tradicionais, e o Yelp fosse a Wikipedia, menos confiável, mas mais fácil e rápido, valendo para pesquisas menos sérias.

O lema do Yelp é “pessoas reais, resenhas reais”, algo como Power to the people, tentando aproximar o consumidor médio de restaurantes das criticas ali apresentadas. Em vez dos críticos tradicionais, das pessoas que ganham para comer e avaliar restaurantes, as pessoas que escrevem no Yelp são as que pagam para comer (um tanto como o Monstro), que analisam a comida de acordo com o custo dela e que simplesmente gostam de ir a restaurantes e de avaliar o serviço e a comida que recebem. Eles fazem isso de graça, mas muitos se envolvem profundamente com a rede, quase como um vício, um Orkut, em que os críticos fazem amigos e ganham fans. O Yelp permite que os próprios críticos sejam avaliados pelos visitantes do site.

Na página do grupo, a história diz que o Yelp foi criado em 2004, em San Francisco, na Califórnia, pensando originalmente em listar dentistas, cabeleireiros e mecânicos. Desde então, o negócio cresceu, passou a avaliar especialmente restaurantes  (e mais umas dezenas de serviços) e se tornou uma das principais referências em Nova York, em Chicago, em San Francisco, Los Angeles e várias outras cidades.

Em março de 2010 o site foi visitado por 31 milhões de pessoas. O site já reúne 10 milhões de resenhas, e lista mais de 11 mil restaurantes somente em Nova York. Em 2008, eram 15 milhões de visitantes por mês, segundo o New York Times, mas na época os grandes restaurantes, como o Per Se, ignoravam a existência do site, alegando que ele não iria adiante por ser feito por “quem não entende” do assunto.

De fato, os usuários do Yelp são mais jovens e menos “sofisticados” de que os críticos tradicionais. Mais de 80% dos usuários da rede têm menos de 40 anos, o que faz, segundo o jornal, mais pizzarias serem avaliadas de que restaurantes caros.

A lista é apresentada por regiões da cidade, por tipo de comida servida, por estilo, ou como o participante quiser montar sua própria página. É possível passar a acompanhar alguns dos “críticos” do Yelp de acordo com  os gostos e interesses comuns.

Quando se busca informações sobre um restaurante específico, o Yelp permite ler o que os críticos acharam do restaurante, vê informações sobre o local e os preços, pode ver fotos das comidas servidas e do ambiente, um guia completo para se preparar antes de ir ao restaurante.

Nesta página colaborativa, em vez dos restaurantes mais tradicionais apontados nas revistas, jornais e guias de gastronomia de Nova York, a comida mais bem avaliada é de uma sanduicheria italiana do Queens, a Sorriso Italian Pork Store, que recebeu nota máxima em 48 avaliações, num total de 57. Os quatro primeiros restaurantes ficam fora de Manhattan, ao contrário de quase todos os dos guias mais tradicionais. O Yelp detalha as avaliações e monta um gráfico com a evolução de cada restaurante. O Sorriso é ignorado por Zagat e New York Times, e mencionado sem muito destaque nos outros guias.

Mas o Yelp também trata dos grandes chefs. Há uma seção do site voltada para o “fine dining”, em que o Per Se, também aclamado em outros guias, aparece em primeiro lugar, com 4,5 estrelas de cinco em uma média de 250 resenhas.  É a mesma nota dos também premiados Daniel e Le Bernardin, mas o Yelp também aclama o Sasabune, o Gramercy Tavern e o Sushi Yasuda. E é importante lembrar que o crítico do Yelp normalmente paga a conta, o que faz bastante diferença em caso de restaurantes de luxo.

Mas claro que nem tudo é perfeito em relação a esta wikipedia gastronômica. Além de não ter tanta credibilidade quanto os guias mais tradicionais e mais sérios, o Yelp andou enfrentando problemas legais. O site foi processado por pequenas empresas que se disseram prejudicadas por resenhas negativas. A alegação, entretanto, ia mais longa e dizia que o site cobrava pagamentos dos restaurantes para apagar resenhas negativas. O Yelp nega as acusações, e diz que também mostra opiniões negativas. O siet dá a entender que a predominancia de avaliações positivas se dá pelo maior interesse dos críticos independentes de falarem apenas do que gostam.

Pelo bem ou pelo mal, vale dar uma consultada no site antes de sair para comer. No caso de alguma dúvida, ou suspeita em relação às opiniões dali, é só abrir um Zagat e ver a opinião consolidada de quem teoricamente entende mais do assunto.

Serviço:
Yelp

Não acredita? Então olha aí…
Coma e conte, no NYT

Yelp é processado

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