Blame Canada

Aquela folha vermelha na bandeira do Canadá tem um sentido gastronômico para os Estados Unidos. Apesar de ironizarem o “Grande Norte Branco” como sendo inútil, os estadunidenses (já que os dois são norte-americanos) dependem da produção canadense de um item básico da dieta deles, o maple syrup. A folha é o símbolo da árvore Maple, que é a origem de um xarope doce, uma calda que parece mel e é comida regularmente com waffles, panquecas, ou como adoçante no preparo de doces. Os americanos até produzem parte do xarope no Nordeste do país, mas é no Canadá que a árvore vira símbolo nacional.

Maple syrup, o xarope de bordo, para comer com panquecas caseiras

A princípio a calda lembra os xaropes doces que se encontram no Brasil com a extração de açúcar de milho, como o mel Karo, por sua coloração e por ser doce. O xarope de maple, entretanto, é mais licoroso, menos concentrado, bem menos doce e com um sabor mais complexo (em alguns momentos parecendo um lícor com álcool mesmo). Não é simples açúcar e não é fácil de gostar logo ao experimentar a primeira vez, pois pode parecer estranho ao paladar que não conhecer o sabor (por mais que seja bom). O xarope pode variar dentro de uma série de categorias relacionadas à coloração dele.

Uma árvore de maple cheia de folhas - a extração da seiva ocorre logo após o inverno

O xarope de maple de verdade é preparado apenas com a seiva da árvore, que acumula açúcar naturalmente. A seiva é fervida até se tornar mais concentrada. Este processo vem de antes mesmo da chegada dos colonizadores, e os índios norte-americanos ferviam a seiva até obter açúcar cristalizado. Os colonizadores da Nova Inglaterra (no nordeste dos EUA e sul do Canadá), desenvolveram a tecnologia de extração da seiva e de produção de açúcar e xarope, buscando se tornar independentes do açúcar importado.

A extração da seiva, historicamente, ocorre no início da primavera, quando a árvore volta a ter seiva circulando rapidamente por ela. O processo costuma marcar o fim do inverno e o naturalista John Borroughs o descreveu de forma interessante em 1886 como o doce adeus ao inverno.

Atualmente o xarope de maple é produzido de forma ainda mais tecnológica, mas ainda depende da extração da seiva das árvores para ser feito (quase como um seringueiro). Isso torna o xarope puro um item quase de luxo, por mais tradicional que seja na cultura do país. Nos supermercados, não é estranho que as garrafinhas dele puro custem em torno de U$ 10 (o mais barato visto até agora foi o do Trader Joe’s, por U$ 6).

Uma alternativa, entretanto, são os xaropes artificiais de açúcar industrializados, que vêm do milho ou de outras fontes originais e que podem ser encontrados em supermercados a preços muito mais baixos (até U$ 1). O xarope original é mais saudável, diz-se, por não ser formado de frutose, mas de sacarose, que é menos prejudicial ao organismo.

Restaurantes e lanchonetes costumam apelar para o sabor artificial mais barato. Vale a pena questionar o lugar e procurar quem tenha o xarope de verdade para poer experimentar o sabor dele. Fora isso, mercados na cidade costumam ter doces feitos com maple syrup, onde o sabor pode ser conhecido.

Panquecas e coberturas para o café da manhã

A tradução oficial para o nome da árvore e do xarope no Brasil seria chamá-la de Bordo, ou Acer. Como não se trata de uma planta comum no hemisfério sul, fica mais fácil se referir a ela pelo nome original. Assim como a planta, o xarope também não é popular nem achado facilmente, mas algumas importadoras opferecem dele a preços altos.

Não acredita? Então olha aí também…
Museu do Maple em New England

Maple Syrup no Food Reference

Brasileira acompanha produção do Maple Syrup em Michigan

John Borroughs (naturalista) descreve a produção de açúcar de maple em 1886

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2 Respostas para “Blame Canada

  1. Não custa lembra que a mesma árvore é usada para fazer escalas de guitarra. A Fender entre outras a utiliza bastante.

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