Serviço de utilidade pública

O consumo de álcool nas ruas de Nova York é proibido. Esta é a primeira frase da seção 10-125 do código administrativo da cidade, que lida com a posse de bebidas nas chamadas “embalagens abertas” (open containers, no original). Existe um controle grande sobre isso, e nenhum bar e restaurante permite que os clientes saiam às ruas com copos ou garrafas. Mesmo em lojas e supermercados, é comum que bebidas alcoólicas sejam embaladas separadamente, sempre em plástico ou papel mais escuros.

Calor do versão deixa parques e margens dos rios cheias de gente, e é possível ver pessoas bebendo disfarçadamente

Essa é uma questão nacional, na verdade. Por mais que a decisão final seja dos Estados, apenas poucos lugares dos Estados Unidos, como a Strip de Las Vegas e o Quarteirão Francês de Nova Orleans, permitem o consumo de bebidas em lugares públicos. Isso diferencia o país da Europa, onde é comum o consumo de bebidas.

Margem do rio Hudson pouco antes do pôr do sol

Com a chegada de verão, quando as pessoas correm aos parques da cidade e às margens dos rios para confraternizações que celebram a estação, não se pode consumir nenhuma bebida alcoólica (com mais de meio porcento de álcool, diz a lei). Fosse em Paris, por exemplo, nada seria mais natural de que levar vinho para a margem do Sena. Em Nova York, os bares conseguem permissão para abrir as portas e colocar pequeno cercados em que a bebida pode ser servida ao ar livre, considerando que aquela área é parte do bar, mesmo que na calçada – Algumas situações soam quase esquizofrênicas, como em um jogo de futebol em que foi colocado um cercado do lado de fora, com poucos metros e completamente aberto, dentro do qual se podia comprar e beber cerveja.

Sacola de feira com garrafinhas esportivas iguais às que todo mundo usa quando vai fazer exercício

A lei diz que é proibido beber e possuir álcool com o intuito de consumi-lo em todos os locais públicos, e que a posse de uma embalagem aberta presume a intenção. Segundo o código encontrado na página pública do poder legislativo de Nova York, a punição é de multa de, no máximo, U$ 25 ou 5 dias de prisão (ou ambos), mas não explica o que determinaria um ou outro. Segundo um site de advogados da cidade, entretanto, a multa pode chegar a U$ 100, mas por ser um código civil, e não criminal, não pode haver prisão, pois não se trata de crime.

O sol se põe por trás de Hoboken, do outro lado do Hudson

Tudo acaba se tornando uma questão de controle de baderna e confusão, na verdade. Conversando com os locais, descobre-se que a lei nova-iorquina, por mais que costume ser seguida de forma geral, não é aplicada de forma intensiva pela polícia (que fica mais preocupada com cooler de garrafas de água vistos como ameaças terroristas). Uma ou outra vez, já foi possível ver pequenos grupos bebendo garrafas de vinho disfarçadas na margem do East River, ou misturando suco com vodka junto ao Hudson, tudo de forma discreta e silenciosa, e já houve até casos de ambulantes vendendo coquetéis no Central Park. Segundo os nova-iorquinos, ninguém reclama e ninguém é punido se tudo é feito sem criar confusão.

Em festas públicas, como o Brazilian Day e o St Patrick’s Day, por exemplo, há um controle maior. Na festa irlandesa foi possível ver policiais passando e cheirando copos que tentavam disfarçar bebidas alcoólicas, algumas vezes apreendendo elas, outra retirando a pessoa da área. Em outras situações, nunca há abordagens nem pressão.

Isto não é uma apologia ao ilícito, mas se a bebida for tomada de forma discreta e educada, fora de ambientes festivos e de aglomerações, e sem chamar a atenção, não é impossível criar um momento romântico, por exemplo, sem criar um problema para ninguém.

Na última semana, o Monstro acompanhou com a esposa um pôr-do-sol sensacional à beira do rio Hudson tomando clérico, a sangria de vinho branco e frutas, devidamente disfarçada em garrafas esportivas. A bebida foi levada dentro de bolsas e ficou o tempo todo discretamente guardada, sem chamar a atenção. No mesmo lugar em que o casal ficou havia outras pessoas e pequenos grupos, todos relaxando, e nunca houve nenhum clima de repressão.

Mais uma vez, isto não é um incentivo, mas só uma descrição de como funcionam  as coisas por aqui.

Serviço:
Seção 10-125 do código civil da cidade de Nova York

Leis de Open Container no país

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