Big Italy e o siri de U$ 18

Pouco antes de desaparecer, a prestigiada revista “Gourmet” colocou o Babbo em 17º lugar na lista de 50 melhores restaurantes do país, em 2006. “Batali virtualmente reinventou o restaurante italiano-americano, com sua música barulhenta, carta de vinhos ambiciosa e pratos rústicos e simples.”  Na última década, o restaurante se consolidou como marca registrada da cidade, atração de locais e turistas ricos, premiado por revistas e guias gastronômicos. Resumindo, é aquele lugar apontado com frequêncoa como melhor italiano da cidade – isso bem longe de Little Italy.

Frente do Babbo, em foto do Serious Eats

Mario Batali é uma figura divertida e um tanto anacrônica. Com cara de italiano bonachão, usando sandálias e meia, ele faz o tipo coroa metaleiro, quase um Meat Loaf. Americano, gordo, com aquele cabelo ruivo que começa a desaparecer na frente da cabeça, mas que é longo no comprimento, além da barba que às vezes toma forma de cavanhaque. E ele está sempre com cara de muito feliz, falando em defesa da comida, modestamente se dizendo um homem de sorte. Ele é um tanto celebridade, lançou livros e vive aparecendo na TV.

O bonachão metaleiro Mario Batali, em foto do NYT

A alma roqueira aparece no seu principal restaurante. O Babbo, no West Village, ao lado da Washington Sq., é um restaurante pequeno, para menos de 100 pessoas, muito chique e arrumado, com serviço impecável, mas em vez de ter um grupo de jazz, o uma música clássica de fundo, o que se houve é o bom e velho “rock pauleira”, e alto. A trilha sonora do Babbo parece ter saído de uma mistura do Guitar Hero 80’s com o de Clássicos do Rock. Led Zeppelin, The Who etc, martelam enquanto comida italiana classuda é servida.

Torratas com grão de bico de brinde como mini entrada

O Babbo é o principal restaurante de uma série de empreendimentos dele pelo país. O restaurante foi aberto em 1998 e é o oposto da ideia que se pode ter de cantina italiana, fazendo mais o perfil alta gastronomia, com comida excepcional em minúsculas porções a preços assustadores.

Ravioli de bohechas de boi com molho de fígado e trufas

Com o horário de atendimento estendido das 17h30 até bem depois das 23h, não é tão difícil fazer uma reserva para jantar no Babbo quanto alguns guias podem querer fazer acreditar. Na última terça-feira, ligando às 16h foi feita uma reserva para dois às 22h no mesmo dia (por mais que falem ser preciso reservar com um mês de antecedência). O sistema de reservas funciona perfeitamente e o atendimento desde a chegada no lugar é tão atencioso que chega a constranger. Não passam cinco minutos sem o garçom passar para explicar algo, oferecer algum prato, servir água, servir vinho, limpar a mesa, oferecer mais alguma coisa.

Os dois siris moles, perfeitos e minúsculos, por U$ 36

O povo que visita o restaurante é formado americanos ricos. Os nova-iorquinos abastados foram os que mais adotaram o lugar, mas muitos turistas internos também vão lá. Há mais grupos de pessoas arrumadas, com cara de jantar de negócios (gente que nem olha o preço do que pede) e menos turistas internacionais.

Sobremesa, torta de chocolate com sorvete de avelã e molho de laranja

O cardápio segue o perfil de refeição de vários pratos italianos. Há as entradas, os primeiros (massas), os segundos (carnes) e os pratos especiais. A média de preços fica entre 20 e 30 por prato, o que não seria um problema financeiro, caso os pratos fossem completos em si. O problema (para o bolso) é que a cozinha trabalha pensando em quem vai comer 4 ou 5 pratos, então as porções são muito pequenas (mesmo).

Para quem segue o moldelo de não se preocupar com o preço, e quer experimentar comidas espetaculares, há um menu degustação de massas, com oito pratos custando U$ 69 por pessoa (que pode ser harmonizado com vinhos por mais U$ 50 por pessoa), ou uma versão mais completa do menu por U$ 75. Considerando o preço dos pratos, sai mais em conta de que comer três pratos por pessoa, o que seria uma refeição normal. A degustação para dois, com vinho, impostos e gorjeta, sairia em torno de U$ 250.

Há uma carta de vinhos extensa, com opções importadas de garrafas desde U$ 30, taças a U$ 8 e “quartinos”, garrafinhas com 250 ml, por desde U$ 11, que sai bem em conta para duas taças.

Enquanto se decide o que comer no grande menu recheado de opções exclusivas e de descrições altamente atraentes, o restaurante oferece uma fatia de bom pão italiano e duas pequenas torradas cobertas com grão de bico em tepanade de azeitonas pretas (tudo isso de graça).

O pedido de apenas um prato por pessoa não se torna constrangedor, por mais que os garçons perguntem se é isso mesmo que se quer e ainda ofereçam alguns acompanhamentos (conscientes de que é pouca comida). Apesar de não ter sido a escolha, pratos com espaguete eram vistos sendo servidos com uma quantidade um pouco maior de que os demais pratos.

No jantar, pediu-se um ravioli de bochecha de boi com molho de fígado de ave e trufas (U$ 23) e um dos pratos especiais, siris moles com polenta e favas (U$ 29). O primeiro prato estava muito bom, com massa em ótimo ponto e molho bem encorpado, apesar de as trufas (mesmo que em boa quantidade) não estivessem com sabor tão forte quanto se esperava. Este prato nem estava tão minúsculo assim.

Os siris moles causaram uma sensação dúbia. Por um lado, o sabor estava espetacular, com os siris fritos de forma perfeita, as patinhas individualizadas, com fina capa crotante e carne bem macia, extremamente saborosa, impressionante mesmo. O problema é que o prato de U$ 29 (U$ 36, contando impostos e gorjeta) vinha com apenas 2 (isso mesmo, dois) pequenos siris por cima de uma polenta que só dava cor ao prato e dois ou três grãos de feijão verde. Estava sensacional, inovador, diferenciado, perfeito, mas minúsculo (U$ 18 por siri é um tanto assustador).

Por fim, pediu-se ainda uma sobremesa, a torta de chocolate e avelã (U$ 12), que vem com uma torta que lembra um brownie e uma bola de delicioso sorvete de avelãs, além de uma forte calda de laranja.

O jantar para duas pessoas, incluindo o quartinho de vinho, a comida, os impostos e a gorjeta de 15%, custou U$ 94. Não chega a ser um preço exorbitante, considerando que foi uma das comidas mais criativas e diferenciadas das experimentadas por essas bandas(no brasil nenhum restaurante de luxo serve jantar para dois, com vinho e sobremesa, pelos equivalentes R$ 160). Mas foi muito se pensarmos nos dois pequenos siris e na fome que apareceria dali a pouco.

A impressão é de que não é um lugar para quem conta o dinheiro, mas que deve ser uma das melhores experiência para quem chega sem se preocupar com os gastos e pode experimentar tudo o que quiser e o quanto quiser.

Serviço:

Babbo Ristorante e Enoteca
110 Waverly Pl
New York, NY 10011
(212) 777-0303

Mario Batali

Não acredita? Então olha aí…

Arias na cozinha e rock no salão, diz o NYT

NY MAG

Boas fotos no Serious Eats

Nota 4,5 de 5 no Yelp

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