O jantar chique do americano médio

Em Nova York tem lugar para se comer frutos do mar e caranguejo quebrando as patas e arrancando a carne de dentro delas. A rede de casual diner de frutos do mar virou uma referência político-cultural ao “americano médio”: guloso, auto-centrado, pouco requintado e desprezado pela elite. Um perfil bem em desacordo com a cosmopolita Nova York, mas mesmo nela tem que ter lugares como o Red Lobster para satisfazer turistas internos e internacionais.

A página inicial do Red Lobster, que tem imagem melhor de que a comida como todo casual diner

O restaurante é igual a todos os casual diners mais conhecidos no resto do mundo. É como se o Friday’s, o Applebees, ou o Outback tivessem cardápio e decoração de frutos do mar – comida simples, pré-fabricada, mas até boa. A estrutura é a mesma, o atendimento é o mesmo, e o estilo de preparar e servir a comida também (até os donos são os mesmos fundos de investimento em alimentação).

A entrada de camarão empanado em coco ralado, em foto do site

Ah, a qualidade também: Comida boa e em grande quantidade, mas nada de pratos delicados, comida autoral e criatividade gastronômica. Eles até oferecem invenções como nachos ou pizza com lagosta, mas nada que valha muito a pena arriscar. É o inferno dos gastrônomos, desprezado por críticos de comida sérios, mas pode ser o paraíso de quem quer comer bem sem se apegar a detalhes.

O combinadão de frutos do mar, em foto do site

Com foco em turistas, o único Red Lobster de Manhattan está muito bem localizado ao lado da Times Square. Ao entrar nele, entretanto, as pessoas são transportadas a um ambiente imparcial ,sem nenhuma ligação real com Nova York.

A sobremesa na foto da propaganda, na versão servida o sorvete veio derretido

O Monstro esteve ali nesta semana, e começou a refeição com uma entrada de camarões empanados com coco ralado, o Parrot Isle Jumbo Coconut Shrimp (U$ 10) . Mais oleoso de que o esperado, o prato trazia seis camarões médios e crocantes, mas doces demais e sem quase nenhum sabor dos camarões.

De prato principal, dividiu-se o carro-chefe da casa, um Ultimate Feast (U$ 29), que vem com bons camarões médio empanados, pequenos camarões assados na manteiga, uma cauda de lagosta média aberta ao meio e metade de um caranguejo gigante. A lagosta estava deliciosamente macia e com tempero leve. O caranguejo lembrava as praias do Nordeste do Brasil, com carne fácil de arrancara da carapaça e sabor suave, bem equilibrado. O prato sustenta duas pessoas facilmente.

Por último pediu-se ainda uma sobremesa, o Warm Chocolate Chip Lava Cookie (U$ 8), que é um biscoito desses tradicionais aqui nos EUA, bem grosso e assado na hora com recheio de chocolate e coberto por uma bola de sorvete de creme. A sobremesa é absurdamente doce e deliciosa, mas veio com o sorvete completamente derretido, o que foi um problema.

O Red Lobster não chega a ser barato, mas não tem preços assutadores. A conta deles já vem com o cálculo de gorjeta de 15%, diferente do que acontece em 99% dos restaurantes da cidade. Pode ser um bom lugar para comer frutos do mar com qualidade e sem riscos (nem de ser ruim, nem de ser absurdamente bom). E é uma boa forma de viver a cultura de raiz americana, que muitas vezes vê lugares como estes como verdadeiros templos da gastronomia americana.

Serviço:
Red Lobster

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