O anti-restaurante do imperador

Bem antes de o endeusado chef David Chang consolidar seu império gastronômico em Nova York, havia o seu bar de Noodles. Foi com ele que tudo começou, em 2004, e a partir dele que Chang conquistou seu mercado atualmente com cinco restaurantes, da alta gastronomia do Momofuku Ko ao o bar SSäm, que é considerado um dos 50 melhores restaurantes do mundo.

A cozinha e o ambiente propositalmente desconfortável do Momofuku Noodle Bar

O próprio Chang descreve o lugar como o anti-restaurante. Não há mesas formais, a cozinha é aberta, o ambiente é simples e até desconfortável –  a comida é excepcional e bem barata. “O objetivo é fazer uma comida com preço acessível, servida e feita com integridade”, diz. O lugar originalmente ia ser realmente só um bar de noodles, a sopa com macarrão oriental, desses que há tantos em Nova York, mas evoluiu para uma coisa muito maior.

O cardápio de todos os Momofukus é alterado diariamente de acordo com o que há na estação e no mercado

Hoje, por mais que o Momofuku Noodle mantenha seu nome e o ambiente continue o mesmo, o cardápio é variado e inovador, com pratos exclusivos e variando dentro da abordagem oriental que domina a cozinha de Chang. Os críticos mais ferrenhos dizem até que esta é a principal atração do lugar, e que o rámen deve ser deixado de lado. E muitas atrações do lugar são as mesmas do já elogiado Ssäm bar.

Ovo de shoyu, que não estava no menu degustação, mas valia para conhecer mais uma experiência de Chang

No dia da visita, às 22h45, pouco antes de a cozinha encerrar as atividades, havia lugares disponíveis mesmo sem reserva (que não é feita para grupos menores de que 6 pessoas). O pedido tinha que ser feito rápido para não correr o risco de a cozinha fechar, então o pedido foi o menu degustação de jantar, com 4 pratos, que custa U$ 30.

Amuse bouche, micro entrada com chips e caviar para começar a degustação de jantar

Antes dele, entretanto, pediu-se o “ovo de shoyu”, chamado soy sauce egg no cardápio (U$2) que é um ovo cozido com sabor de shoyu, delicioso, simples, mas um pouco salgado. E o menu começou com um amouse bouche extra, minúsculo, mas ótimo. Era um pedaço das chips com 7 temperos exclusiva da casa com uma gota de creme azedo e ovas de salmão.

Ostras com grapefruit e pimenta chinesa

O menu de jantar começou de verdade com ostras servidas com grãos de grapefruit e pimenta chinesa. O tempero parecia uma cebolinha, na verdade, e quem predominava, felizmente, era a própria ostra.

Grande surpresa do jantar, bolinhos de arroz grelhados com molho de missô e linguiça

O segundo prato é uma das especialidades dos Momofukus: roasted rice cakes. São pequenos pedaços de um bolinho de arroz (preparado com a farinha de arroz provavelmente, já que não há grãos nele) assados na grelha. Ele fica ao mesmo tempo crocante e de consistência levemente emborrachada, quebrando na casca e sendo mastigado no restante. O acompanhamento dessas tortinhas de arroz era um molho de missô com lingüiça chinesa e pedacinhos de pêra asiática. Sabosres completamente surpreendentes e deliciosos.

Prato principal do jantar, peito de pato levemente defumado com cogumelos beterrabas e purê

O prato principal do jantar era um peito de pato levemente defumado servido com beterrabas cozidas, cogumelos e um purê delicioso e não-identificado (gergelim, talvez). O pato parecia quase cru, sua capa de gordura estava crocante e bem temperada e a carne tinha uma consistência impressionante. Os acompanhamentos e equilibravam bem e o prato estava delicioso.

O sorvete misto de pickles de cereja e azeite de oliva

A última parte do menu era a sobremesa, que por muito tempo foi excluída dos menus Momofukus, mas que ganharam presença desde que Chang resolveu incluir o Milk Bar, um restaurante só de doces, a seu império. As duas opções eram sorvete cousin leroy & arlo’s, nos sabores pickles de cereja ou azeite de oliva e bolinho com pedaços de chocolate. O sorvete é provavelmente o menos doce de todos os tempos, bem azedo, mas até gostoso mesmo assim. O bolinho esférico fazia o contraste por ser extremamente doce e macio. A melhor coisa, descobriu-se depois, era misturar os dois.

Bolinho doce com pedaços de chocolate, pare encerrar a refeição

O final dessa farra foi de barriga cheia e bolso não tão vazio. Pedidos individualmente, os pratos do Noodle Bar custam de U$ 10 a U$ 15 em média. Já que não foi pedida nenhuma bebida além da água de torneira gratuita, a conta ficou na casa dos U$ 70 para duas pessoas, o que não chega a ser barato, mas é um ótimo preço para um jantar excepcional no anti-restaurante.

Serviço:
Momofuku Noodle Bar
171 1st Ave (between 10th St & 11th St)
New York, NY 10003
(212) 777-7773

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Uma resposta para “O anti-restaurante do imperador

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