A Grande Ostra

Apesar de assumir o nome de uma comida, o apelido mais conhecido de Nova York não tem nenhuma conotação gastronômica. A Grande Maçã é uma referência à forma como se referiam à cidade os cronistas de corridas de cavalo dos anos 1920. A alcunha pegou, mas se fosse para a cidade mais cosmopolita do mundo receber um nome relativo à alimentação, referência histórica ao que se comia na cidade a ponto de se tornar sinônimo dela, Nova York seria a Grande Ostra.

O balcão estilo refeitório do Oyster Bar, viagem a uma história gastronômica pela Nova York que não existe mais

Tem até um livro só sobre isso, chamando de “história moluscular da cidade”. William Grimes, que escreveu “Apetite City” sobre a história gastronômica de Nova York, diz que as ostras encontradas na região se tornaram rapidamente a comida local por excelência, sendo preparadas em dezenas de formas diferentes e vendidas nas ruas muito antes de o primeiro restaurante ser aberto na cidade. Elas estavam ainda no foco dos primeiros lugares que ofereciam comida, os Oyster Saloons, 750 em toda a cidade no ano 1872.

Ostras empanadas, crocantes, mas com mais gosto de fritura de que de ostra

“Hoje, apenas um restaurante em Nova York oferece uma aproximação dos velhos porões de ostras: o Oyster Bar do Grand Central Terminal Suas ostras assadas, cozidas e servidas cruas em uma dúzia de variedades relembra uma Nova York que sumiu há mais de um século”, diz Grimes.

O prato de ostras frescas Grand Central, em que cada uma custa R$ 6 e são servidas bagunçadas, por mais que venham em belo prato de gelo

Pena que o Oyster Bar não ajude a celebrar a história da cidade. Por mais que o ambiente seja impressionante e que o lugar tenha um cardápio variado com frutos do mar frescos e vários tipos de ostras diferentes, a qualidade da comida e o serviço deixam muito a desejar, especialmente considerando os preços altíssimos que são cobrados.

As ostras, comida local por excelência na história de Nova York

O Monstro já tinha tido uma experiência suspeita no Oyster Bar logo no começo da sua odisséia gastronômica por Nova York. Ficou decepcionado com a comida, mas, um pouco deslumbrado com o lugar, achou que podia ter sido uma ocasião isolada, e que se voltasse apenas pelas ostras, podia gostar mais. A volta se deu na última semana, e só confirmou que não é, de fato, um lugar que valha a pena recomendar para se comer.

Peixe com tempero cajun, em que só havia gosto de pimenta

O ambiente gigate dentro da estação de trem vale uma visita, é verdade. Mas não vale o sacrifício pessoal e financeiro de fazer uma refeição. O lugar é gigantesco, então acaba sendo fácil arrumar um lugar para sentar, e os balcões em forma de refeitório fazem referência aos restaurantes do passado, então pode-se até dar um desconto para a falta de conforto. O lugar virou atração turística, então as pessoas se preocupam menos com a qualidade da comida de que com a experiência de conhecer o lugar histórico (isso praticamente transforma o lugar numa tourist trap)

O ambiente subterrâneo impõe respeito e faz com que incautos gastem pequenas fortunas com comida sem valor no Oyster bar

Mas nada perdoa o atendimento ruim. Nada desconta o fato de a garçonete não anotar o pedido de entrada enquanto não se decide a refeição toda, “porque depois eu fico ocupada”. Nada perdoa que o prato com oito ostrinhas custe U$ 22 e chegue à mesa quase jogado, com o papel da caixa registradora por baixo das conchas (R$ 6 por ostra). Nada perdoa que a conta chegue à mesa antes mesmo de os pratos pedidos. Nada perdoa ser maltratado como se o restaurante estivesse fazendo um favor de vender comida cara e sem graça.

Acima de tudo, nada perdoa a comida sem nenhuma característica especial. O almoço começou com um pedido de ostras empanadas (U$8), o pratinho com seis ostras minúsculas cegou rápido, mas pouco se sentia o gosto delas no meio da fritura.

Depois vieram as ostras do Grand Central Platter (oito por U$ 22) e o peixe com tempero cajun (U$ 20). Poucas ostras variadas, das quais apenas duas tinham um tamanho respeitável e sabor bom. Além de um peixe excessivamente apimentado (com pimenta, não com tempero cajun picante) e com textura nada excepcional. E aí não se podia pedir mais nada pois já havia chegado a conta e acabado o dinheiro.

Foram os U$ 77 mais mal gastos de todo o tempo vivido em Nova York. E consolidaram a impressão negativa já da primeira visita ao Oyster Bar, reforçando a ideia de que o lugar é lindo e vale a pena ser visitado, mas é melhor passar rapidinho e depois ir comer alguma coisa em outra lanchonete da Grand Central, ou em algum restaurante que faça o gasto de dólares valer a pena… Há muitos lugares para se ter refeições memoráveis por U$ 77 por casal, não é preciso pagar o preço para mergulhar tanto assim na história gastronômica de Nova York.

Serviço:
Grand Central Oyster Bar & Restaurant
Grand Central Terminal
89 E. 42nd St.,
New York, NY 10017
212-490-6650

Não acredita? Então olha aí também…
História da Grande Maçã segundo o NYT

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