Donut de cimento

Os americanos não são tão bons de pães em termos gerais quanto os europeus. Por mais que eles tenham a mania de comer tudo como sanduíche, recheando pedaços de diferentes tipos de pães, e por mais que cidades grandes tenham cada vez mais casas especializadas em pães de qualidade, a alimentação de pão no cotidiano é simples e até meio sem graça. O equivalente nova-iorquino do croissant francês, por exemplo, é o Bagel, pãozinho redondo com um furo no meio, apelidado de “donut de cimento” de tão densa, pesada e dura que é a massa dele.

O bagel, pesado, denso e com cobertura brilhante, é o croissant de Nova York

Os bagels são o maior símbolo do café da manhã da Grande Maçã. Por todas as esquinas há pequenas lanchonetes, barracas e bodegas em que estes pãezinhos aparecem com destaque, sendo partidos ao meio, torrados e recheados com queijos cremosos. Eles têm uma cobertura levemente crocante, resistente e dourada, bem diferente dos pães de estilo francês e italiano, e um recheio pesado e bem pouco aerado. O sabor também não chama a atenção, sendo simples, levemente salgado e sem graça.

O bagel quase sempre é recheado, e um dos mais populares é o cram cheese misturado com cebolinha

A diferença se dá pelo processo de preparo do bagel. Sua receita leva malte de cevada além de farinha, água e fermento. Em vez de a massa ser assada como acontece com pães normalmente, com a massa crua e descansada, os bagels são fervidos antes de serem assados, e acabam tendo um processo duplo de cozimento. É isso que o deixa com textura tão densa e mastigável, além de dar brilho à cobertura. Nas pequenas padarias de Nova York, é bem comum que os bagels sejam ainda cobertos com cebola ou alho, ou ganhem mais cereais em sua receita. Além disso, o costume pode incluir recheios mais variados, com misturas de cream cheese com cebolinha, por exemplo.

A origem do bagel é a Polônia, onde ainda se come muito deste tipo de pão. Ele surgiu ainda no século XVI e veio para Nova York junto com os imigrantes daquele país e se popularizaram pela simplicidade e facilidade, ganhando espaço especialmente nas delicatessens judaicas.

Nos Estados Unidos, os bagels também passaram por um processo de industrialização, e desde os anos 1960 há máquinas que aceleram o preparo de centenas deles de uma vez só, preparando a massa, dando formato, cozinhando e assando sem muita necessidade de trabalho com as mãos.

Em Nova York, é uma comida para matar a fome da manhã de forma rápida e barata – o bagel recheado vale por uma refeição e não costuma custar mais de que U$ 3. É o croissant da cidade, o pão de queijo americano, mas não chega nem perto da delícia que são essas versões francesa e brasileira.

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