Delícia de clichê

Um dos principais clichês do turismo e da culinária nova-iorquina é, de verdade, uma das coisas mais gostosas da cidade. O sanduíche de pastrami em pão de centeio vendido na Katz Delicatessen é absurdamente delicioso, suculento, com a carne que se desfaz. E vale a pena enfrentar toda a confusão de um ambiente tão turístico para experimentá-lo. É algo que foge da tradição de importar sabores que faz parte de Nova York, e sim um prato bem característico da cidade, por mais que também seja fruto de influência internacional.

O sanduíche de pastrami da Katz: perfeito

O sanduíche de pastrami é um dos pratos mais representativos de Nova York e a lanchonete é um dos principais exemplos de delicatessens criadas pelos judeus que imigraram para os Estados Unidos, escolhendo fixar raízes na Grande Maçã. Calcula-se que 2 milhões de judeus tenham se mudado para os Estados Unidos até 1924 e que um milhão deles viviam na cidade no ano 2000, e eles chegaram trazendo sua cultura, que se adaptou à cidade criando pratos bem locais com a cara deles.

O cardápio da lanchonete, que tem atendimento com garçom para quem senta nas mesas da parede

As delicatessens se tornaram a casa comum da comunidade judaica em Nova York ao longo do século XX. Por definição, trata-se de um lugar que vende comidas, especialmente carnes, lingüiças, temperos e saladas que faziam parte da cultura deles. Comida simples, familiar montada com a cultura deles e os ingredientes locais, respeitando as regras da religião, mas sem ser fanático e permitindo também a mistura mais livre de ingredientes. Desde a chegada dos imigrantes, a região do Loewr East Side entre as ruas Houston e Delancey se tornou o lugar central das “delis” – até hoje há dezenas de lugares especializados nesta comida por ali, por mais que haja casas similares em outras partes da cidade.

O ambiente interno, cheio a qualquer hora do dia

Entre as especialidades levadas das pelos judeus europeus para Nova York estava o pastrami, um preparo de carne de origem romena, que é temperada e curada, depois assada ou cozida, fatiada e servida com sanduíche. No Brasil até é possível achar fatias de pastramis na parte de frios de supermercados, mas não é nada que se pareça nem um pouco com o que é servido em delis como a Katz.

Um knishe, bolinho frito de batatas

A Katz é a mais famosa das delis há algumas décadas. Fundada no final do século XIX na avenida Houston, ela já era muito popular entre a população local, e se tornou um fenômeno global de turismo depois que a lanchonete apareceu no filme “Harry e Sally”, com Meg Ryan fingindo um orgasmo em público. Atualmente, o lugar vive cheio de locais acostumados com o sabor da comida dali há anos e de turistas que chegam para visitas rápidas e não podem ficar sem passar ali.

Egg cream, bebida bem nova-iorquina: leite achocolatado com gás

O lugar é uma bagunça. Apesar de grande e com muitas mesas, vive cheio e com filas. A melhor alternativa para quem não quer enfrentar a confusão de fazer o pedido no balcão, a melhor alternativa é sentar numa das mesas próximas à parede, onde há serviço de garçons (a diferença é ter que pagar gorjeta).

Bagel com cream cheese e lox, o salmão defumado judaico

O cardápio é formado por sanduíches e pratos da culinária judaica. Há knishes, que sçao bolinhos fritos de batata, sopas, pratode café da manhã, bagels e osa sanduíches preparados com estes pães redondos, cream cheese e o salmão defumado que eles chamam de Lox. O Katz serve ainda uma bebida bem nova-iorquina, o egg cream, que apesar do nome, não tem nada de ovo e é um leite com chocolate gasoso (misturado com água com gás) que fica interessante e diferente, menos doce de que se pode esperar.

De novo o sanduíche de salmão em bagel

A principal atração, entretanto, é o sanduíche de pastrami em pão de centeio, que visualmente lembra o sanduíche de mortadela do mercado municipal de São Paulo, de tanto recheio, mas que é muito mais gostoso. Ele custa US$ 15, e é imenso e delicioso. A carne curada é assada longa e lentamente, para ficar bem cozida, suculenta e macia. O sabor é excepcional e bem diferente, as fibras quase de desfazem na boca. É impressionante e delicioso, valendo a pena experimentar mesmo que em alguns momentos pareça uma daquelas opções mais turísticas de que boas. É um lugar muito badalado e de fato é espetacular. É clichê, mas quem viaja, assim como quem escreve, uma hora ou outra precisa aceitar o clichê como parte da vida.

O delícioso sanduíche de pastrami

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