O empreendedor de estrelas e o hambúrguer perfeito

Ele não é chef de cozinha, não inventa pratos, não mexe no cardápio, não usa avental sujo e ainda assim é uma das pessoas mais poderosas da gastronomia de Nova York. Onde Keith McNally vai, a nata do poder político, econômico e cultural da Grande Maçã vão atrás, assim como os turistas que visita a cidade. McNally coleciona fãs entre os clientes e divide opiniões entre os críticos, arrecadando ataque a alguns de seus empreendimentos e elogios efusivos a outros.

Keith McNally, durante as obras para montar sua pizzaria, Pulino, aberta em 2010

É dele um dos restaurantes mais badalados pelos guias de turismo, o bistrô francês Balthazar, assim como a padaria deste restaurante e seu “concorrente” pelo sabor francês, o Pastis. Também é dele o italiano Morandi, a pizzaria Pulino e alguns bares, assim como leva sua assinatura o retrô Minetta Tavern, que o crítico do “New York Times” diz ter a melhor carne da cidade e a “Time Out” diz ter a melhor comida nova-iorquina, elegendo o hambúrguer dali como o que há de mais importante em toda Nova York.

O hambúrguer Black Label do Minetta Tavern, melhor comida da cidade segundo a revista "Time Out" (foto da Time Out)

Nascido em Londres, McNally se mudou para os Estados Unidos em 1975 querendo se tornar diretor de teatro. O projeto não deu certo e ele acabou escalando a hierarquia de restaurantes e se tornando muito popular por sua coleção de amigos “importantes” no mundo da moda e do entretenimento. Quando abriu seu primeiro restaurante, o Odeon, o público foi atrás dele, e tem feito isso a cada novo empreendimento.

Por mais variados que sejam os perfis dos restaurantes dele, os projetos de McNally sempre criam uma atmosfera teatral, como se transportasse o comensal a um outro mundo. Com serviço impecável e comida minimamente boa em todos os restaurantes, ele se consolida como um investidor ativo, sempre de olho em novos negócios. Ele “combina em seus restaurantes o equivalente de grande bilheteria de cinema com séria fidelidade dos foodies”, diz Frank Bruni, do New York Times. Não são necessariamente os melhores restaurantes da cidade, mas são ótimos restaurantes com um público maior de que os mais premiados.

O Monstro visitou alguns dos restaurantes de McNally, e também encontrou situações dúbias. Por mais frustrado que tenha ficado no Balthazar, que lhe parece sobrevalorizado, ficou impressionado muito positivamente com o Minetta Tavern, restaurante inaugurado em 2009 na região da rua Bleecker, em Downtown.

O Minetta Tavern havia entrado na lista de restaurantes a serem conhecidos porque a “Time Out” dizia que o hambúrguer Black Label servido ali era melhor de que qualquer outra comida servida na cidade. Mas o restaurante é mais de que o sanduíche, e cria um clima agradável, com boas opções no cardápio a preços relativamente acessíveis. Um jantar para duas pessoas, incluindo duas taças de vinho, fica em torno dos U$ 70, nada absurdo para uma ótima refeição. E o hambúrguer, realmente está bem à frente de outros bons experimentados na cidade.

O aclamado hambúrguer, entretanto, tem um dos preços mais altos da cidade. Custa U$ 26, mas impressiona por ser completamente diferente e muito superior a qualquer outro hambúrguer bom encontrado em NY, tendo sérias chaces de ser o melhor do mundo. Ele é preparado com carnes especiais “envelhecidas” que ficam mais curadas naturalmente em refrigeradores e ganham um sabor mais acentuado. É o mesmo tipo de carne usada na churrascaria Peter Luger, e assim como lá, é possível perceber uma textura e um sabor bem diferentes dos que o paladar brasileiro está acostumado. Bem mais intenso e saboroso.

É servido em uma peça mais alta que o normal e muito suculenta, com uma carne que se diferencia dos outros hambúrgueres. Vem acompanhado de cebola caramelizada e salada, além de batatas fritas, e é surpreendente.

Ah, vale lembrar que o Minetta Tavern não abre para o almoço durante a semana, só para jantar desde as 17h30 ou nos brunches de fim-de-semana.

Não acredita? Então olha aí também…

Frank Bruni do NYT sobre o Minetta

NY MAG sobre abertura do Pulino

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Uma resposta para “O empreendedor de estrelas e o hambúrguer perfeito

  1. Caro Sr. Monstro da cozinha!
    Você mexe fundo nas lembranças (que não são poucas) dos visitantes da Big Apple. Aquele lanche de Pastrami é Tudo de Bom! E confesso que por causa dos Pastramis eu não fui à Caça do tal Hamburguer perfeito. Mas realmente vale o preço! O sabor dos lanches são maravilhosos. Meu marido que o diga!
    Estarei anotando todas as dicas do seu blog para aproveitar quenod voltar para lá!
    Continue alimentando nossos olhos!

    Parabéns!

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