Arquivo do mês: janeiro 2011

Estraga o nofe caseiro

Feijão com arroz à parte, talvez o prato mais a cara do Brasil atual seja o estrogonofe. O picadinho de carne ou frango com aquele molho de tomate com creme de leite é quase unanimidade em todo o país, apesar da origem na pouco explorada gastronomia russa e do leste europeu.
Desde que comecei a cozinhar, já havia preparado várias vezes o prato, mas sempre em versões improvisadas e sem seguir nenhuma receita previamente testada e estabelecida. Agora com o “Dona Benta” em mãos, decidi fazer a receita mais popular do estrogonofe de frango, passo a passo.
A receita é simples e fácil, e o prato não é nada que chegue nem perto de uma comida requintada ou algo assim. É uma comida simples, mesmo, preparada com poucos ingredientes baratos, e que afastam grandes chefs, mas que, para o bem ou para o mal, tem cara de comfort food para quase todos os brasileiros.
Foi preciso fazer apenas duas mudanças, usando rum no lugar de conhaque (por simples questão de não ter conhaque em casa) e não usando champignons. No mais, foi tudo seguido à risca, o que deixou o prato com o sabor característico de quando ele é servido em restaurantes.

Foi servido com arroz (integral e simples) e batata palha.

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O hambúrguer do apanhador de centeio

Holden Caulfield jamais foi capaz de revelar, mas o autor do livro de que é personagem principal tinha uma preferência por um certo hambúrguer servido em uma rede de fast food dos Estados Unidos. O autor de “O Apanhador no Campo de Centeio” gostava mesmo era do Burger King.

Cartas inéditas escritas por J.D. Salinger para um amigo revelam a preferência do autor de um dos livros mais importantes da literatura do século passado nos Estados Unidos. O escritor, que morreu no ano passado, tinha hábitos reclusos, mas não perdeu a oportunidade de dizer que os sanduíches do BK eram melhores de que os da concorrência.

Não acredita? Então olha aí também…
Cartas de Salinger no Guardian

Pão de especiarias

A máquina de pão, que se tornou o brinquedo preferido, vem com as receitas básicas para preparo de massas, mas também serve para invencionices e transgressões ao que vem proposto no livro de receitas. Na internet há sites e grupos de discussão onde são compartilhadas receitas de pães diferentes, mas talvez o mais divertido seja inventar mesmo coisas novas.

Fiz mais ou menos isso ao preparar este pão de mel caseiro. Na verdade, ele é mais um pain d’épices, a versão francesa do pão de mel, já que no Brasil este último virou sinônimo daquele doce coberto por chocolate em que a massa quase se esconde. Trata-se de um pão adocicado e temperado com “especiarias”.
A ideia dele veio de um passeio no mercado municipal. Em uma das principais barracas de tempero havia uma mistura pronta para pão de mel, misturando canela, cardamomo, cravo, gengibre e noz moscada.

Com este pacote nas mãos, usei a receita básica para pão doce (água, margarina, sal, açúcar, leite em pó, farinha e fermento), adicionei duas colheres de açúcar mascavo, duas da mistura pronta e mais duas de mel.

Terminado o ciclo total de pão doce, o pão de mel continuava cru, entretanto, e foi preciso deixar mais 40 minutos assando dentro da máquina para chegar no ponto ideal para pão. Mas a espera valeu.

O pão ficou escuro, com sabor levemente adocicado, mas marcado pelos temperos (talvez pudesse ter usado uma colher de tempero a mais, entretanto). Ficou bom de comer puro, mas deve funcionar muito bem também com manteiga ou mesmo calda de chocolate.

Salgadinhos da bíblia brasileira

A virada do ano veio com uma bela promoção no Submarino. O livro de receitas da Dona Benta, que normalmente custa mais de R$ 120, estava por R$ 30. Mesmo não sendo muito adepto à ideia de seguir passo a passo uma receita, é importante reconhecer um clássico e ter este tijolão na coleção de livros de cozinha.

O livro talvez seja a referência máxima em cozinha caseira brasileira. Ele traz uma longa apresentação da história da obra, que é parte da história da alimentação no país.
São centenas de receitas com descrição detalhada, mas infelizmente sem foto – numa época tão tecnológica, é até um tanto frustrante não ter isso com vídeos e fotos. Mesmo assim, é interessante zapear pelo livro e tentar uma ou outra receita.A primeira escolhida é provavelmente a mais simples de todas. Decidi fazer os salgadinhos de queijo, preparados rapidamente com apenas 3 ingredientes básicos: Margarina, queijo e farinha de trigo.
Misturei a margarina com mussarela e um pouco de parmesão (que é o único queijo da receita original), depois acrescentei a farinha, misturei, temperei com pimenta do reino, moldei os salgadinhos e assei.

Geleia – sem acento

Depois de quase 6 meses usando a máquina de pão apenas para o preparo básico de pães (e de um único bolo), nesta semana decidi testar outra função que a máquina oferece: geleia.


Nunca tinha sido muito fã de geleias em geral, e preferia pães salgados com queijo ou frios. Mas a esposa adora pão com requeijão e geleia e isso acabou mudando um pouco o meu paladar também.
Então decidi seguir totalmente a receita que vem no livreto junto com a máquina comprada. Morangos cortados (uma caixa), açúcar (uma xícara), um pouco de suco de limão, liga a máquina e, 1h20 depois, está pronta.


Rápida e fácil, se não fosse a sujeira que fica na máquina, especialmente se não for limpa imediatamente.
Pelo menos a geleia caseira fica excelente. Cheia de pedaços de fruta, com creme doce, bem vermelho – nível Queensberry de qualidade (sem desembolsar R$ 10). A porção é relativamente pequena, e pode ser guardada por alguns dias na geladeira.

Os pães nossos de cada dia

A máquina de pão

A máquina de pão foi a melhor compra que já fiz para a cozinha. Demorei para tomar coragem, pesquisei bastante a respeito antes de escolher a Multipane da Britânia, e ainda comprei com forte suspeita de que poderia não funcionar tão bem, ou que funcionaria, mas acabaria encostada num canto do armário. Mas aconteceu o oposto, e ela se tornou um dos equipamentos mais usados, junto da cafeteira. Agora em vez de comprar pão industrializado, volto do supermercado a cada mês com 4 ou 5 quilos de farinha de trigo e muito fermento biológico.

A máquina vem com um pequeno livro de receitas e é fácil de começar a fazer as receitas mais básicas (o preparo básico leva farinha, fermento, água, margarina, açúcar, sal e leite em pó). É muito tranquilo de improvisar também, incluindo novos ingredientes. O processo normalmente pede apenas que sejam medidos os ingredientes e colocados na forma da máquina, deixando que ela sove a massa, deixe o tempo necessáriod e espera e asse. Aí é só tirar e comer (incrivelmente fácil). Dá até para usar o timer para calcular a hora em que o pão deve ficar pronto pela manhã.

pão francês caseiro

Entre as receitas padrão que vêm no livreto, prefiro a de pão francês, que é simples e usa azeite em vez de margarina, mas a esposa gosta mais do pão doce, que apesar de levar mais açúcar na receita, não chega a ficar doce de verdade.

pão doce caseiro

O pão “doce” fica mais fofo de que os outros que experientei até agora, e acaba sendo o que tem mais vida útil também.

Ah, e isso aqui não é propaganda da Britânia. Paguei quase R$ 300 pela máquina, que é o preço médio dessas máquinas de pão. Ouvi falar bem de outras marcas também, mas acabei escolhendo essa por referências pesquisadas na internet. Estou satisfeito, mas já vi testemunhos de gente que teve problema com esta, assim como vi gente muito feliz com máquinas de outras marcas.

Mais momofukus em NY

A rede de restaurantes mais sensacional de Nova York, e a mais idolatrada pelos críticos também, deve crescer no mundo real e no mundo virtual.

Depois de ser confirmado que o grupo passaria a funcionar em uma nova localidade de Midtow, no hotel Chambers, a imprensa americana falava hoje que o chef David Chang abriu consulta para abrir um restaurante novo na rua 13, bem em frente a onde já funciona o Milk Bar, lanchonete especializada em doces que talvez seja o menos interessante dos cinco que fazem parte do grupo.

O boato, segundo a “New York”, é de que o Milk Bar possa crescer, mas quase todos os restaurantes do grupo ficam na mesma região, então pode ser um projeto novo e diferente.

O Momofuku é a rede que tem o Ko, restaurante que oferece uma das melhores experiências gastronômicas do mundo, com menu degustação cheio de inovações, mas caro. É de David Chang também o Ssäm bar, que foi considerado o 26º melhor do mundo pela revista “Restaurant”. E completa o grupo o Noodle bar, primeira casa, especializada em macarrão oriental.

Esse crescimento da rede é sem contar um boato de que vai ser aberto um Momofuku novo na Austrália (o primeiro fora de NY).

No mundo virtual, o “New York Times” conta que vai ser lançado um aplicativo do Momofuku para iPad. Vai ser um programa com vídeos e receitas – mais para elevar a adoração da cidade a tudo o que Chang faz.

Não acredita? Então olha aí também…
Monstro no Ko

Monstro no Ssäm bar

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