Arquivo do mês: agosto 2011

Suco da estrada

Sempre fiz cara feita para um clássico da gastronomia da estrada paulista.  Por quase todas as saídas da cidade há reis do milho, seja pamonha ou o que mais se queira, e nestes lugares sempre há aclamados sucos de milho.

Só que nunca fui fã de milho doce. Gosto de milho verde, mas prefiro os pratosa salgados preparados com ele, então não conseguia nem imaginar como uma suco de milho poderia ser bom.

Mas aí voltando de Holambra no fim de semana, pela rodovia dos Bandeirantes, decidimos parar no Rei da Pamonha para experimentar o famoso suco.

A impressão foi de que é muito melhor de que poderia imaginar. Não é bem um suco, mas um creme doce de milho (quase como uma canjica batida, ou o que se chama de canjica em Pernambuco – curau em SP, talvez). O sabor é extremamente doce e a texturma muito cremosa, é interessante, mas enjoativa. Foi ótimo experimentar o novo sabor, mas não deixou vontade de repetir.

Biscoitos de Holanda em SP

Se a expectativa de reencontrar a gastronomia holandesa em Holambra, no interior de São Paulo, não era tão grande, a pequena viagem foi cheia de expectativa de achar uma fonte nacional de stroopwafel.

Esse biscoitinho de waffle recheado com um xarope de açúcar, tipo um caramelo, é um dos pontos mais altos de qualquer viagem a Amsterdam (respeitemos os queijos holandeses também, vá). Mas era difícil encontrá-los em qualquer outro lugar.

Pois na “rua turística” de Holambra (é assim que ela é indicada nas ruas da pequena cidade), há mais de uma opção desses biscoitos.

A porção não é lá muito barata, e fica em R$ 10, cada pacotinho. Mas o sabor é bem original. A textura é mais quebradiça, sem o perfil pegajoso do caramelo do original holandês, mas mesmo assim é uma ótima versão nacional.

Além do stroopwafel, há vários outros biscoitos e doces de inspiração holandesa em lanchonetes e confeitarias da cidade. Valem bem.

Holanda paulista

Holambra se diz a cidade mais holandesa do Brasil. Conhecendo Amsterdam, a gastronomia não criava tanta expectativa na hora de marcar um fim de semana por lá, há 140 km de São Paulo. Depois de nunca comer especialmente bem na gastronomia holandesa, não esperava muito mais de que panquecas e biscoitos da pequena holanda brasileira.

Mas aí, logo na chegada na cidade, vários panfletos de restaurantes faziam propaganda da gastronomia da Holanda. O mais atraente desses anúncios era do Warong, um restaurante que propunha alta gastronomia meio holandesa meio indonésia. A ideia é estranha, mas as fotos de comida eram boas e a aparência do local, bastante atraente.

Foi uma ótima aposta, pois o restaurante é muito agradável, o atendimento excelente e a comida deliciosa, por mais que os preços não sejam os mais baixos da cidade.

A esposa comeu um salmão com crosta de pistaches, acompanhado por purê de mandioquinha. Ela sentiu falta de uma “capinha” crocante no peixe, mas a combinação com a crosta de pistaches estava deliciosa.

Comi um prato com cara mais de alemão de que holandês propriamente dito, um kassler acompanhado por linguiça especial, purê e repolho roxo. A alta bisteca de porco estava mutio macia e suculenta, uma delícia, e a linguiça seria dispensável, mas estava boa também.

Com dois chopps e dois cafés, o almoço custou R$ 128. Os pratos, entretanto, poderiam ser divididos, até porque há um buffet de salada que pode ser visitado à vontade.

Polenta, maçã e porco

Ainda há muita sobra do pernil assado no congelador de casa. Na tentativa de encontrar formas de comê-lo sem ser tão repetitivo, decidi preparar uma polenta especial, com cubos de maçã, e servir acompanhado de um ragu do pernil.

O ragu foi preparado com o pernil, que foi descongelado e refogado longamente, até que a carne ficasse quase se desfazendo. ele ganhou ainda tomates, para dar um toque diferenciado, e alecrim fresco.

A polenta foi feita com um caldo de legumes, e quando estava pronta, ganhou os cubos de maçã, que deram um toque adocicado e uma textura mais interessante.

Pudim de doce

Não conhecia a possibilidade de preparar pudim com doce de leite até ler sobre isso na edição da semana passada do Paladar, caderno do Estadão. A publicação fez uma imensa pesquisa para descobrir o pudim de leite perfeito, e mencionou o pudim preparado com doce como um dos candidatos, que deixaria o pudim mais doce. Deu curiosidade e vontade, afinal, é a mistura do flan con dulce, tradicional sobremesa argentina, em uma coisa só.

Comprei então, um pote de doce e preparei a receita usando ele como usaria o leite condensado. Um pote de doce, medida igual de leite integral e 3 ovos, bate tudo e coloca na forma caramelizada.

O resultado foi bom, mas decepcionante, dada a expectativa. O pudim fica com aparência e sabor de pudim passado do ponto no forno (mas sem o amargor de açúcar queimado). Falta o sabor tradicional, e nem fica tão mais doce assim. Melhor voltar à receita tradicional, ou tentar a campeã do Paladar, que propõe usar leite condensado caseiro.

Volta às origens, e ao tradicional

Depois de experimentar com uma receita nova de inspiração regional do Nordeste, decidi usar o restante da carne de sol de forma mais tradicional. Depois de refogar os cubos de carne com cebola, triturei a carne para que ficasse bem desfiada (lembrando a charque mais que a carne de sol), e servi junto com um purê de jerimum (ele cozido com um pouco de caldo de galinha e de coentro). Para servir, coloquei um pedaço de queijo coalho frito por cima do purê. Ficou um pouco mais salgado de que deveria, mas ainda assim muito bom.

Voltando às origens, encontrando novidades

Nascido no Recife e criado feliz da vida em meio a todas as comidas regionais que podia imaginar, precisei viajar para Campina Grande durante o São João para conhecer um preparo novo com carne de sol. Foi lá, no bar do cuscuz que descobri que existe uma receita com creme de leite e queijo, deliciosa, mas que não é tão conhecida assim no Recife – é a carne de sol com natas, em que os cubos da carne são mergulhados em um delicioso molho branco.

Passei na feira do Pacaembu no fim de semana e comprei carne seca (como tratam a carne de sol por aqui) por R$ 10 meio quilo, comprei também um pedaço de queijo coalho ( custa R$ 22 o quilo lá na feira) e repeti o prato em casa junto com macaxeira (a tradicional nordestina, amarela e molinha, não a mandioca branca).

Segui uma receita sugeria pela mãe, monstra na cozinha, ela também. A ideia é refogar a carne com cubos de cebola e depois juntar uma mistura de creme de leite com queijo de coalho triturado, para formar o caldo. Funcionou, ficou uma delicia e de fato lembrou o prato comido no interior da Paraíba.