Arquivo do mês: setembro 2014

A cidade das ostras

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Ostras do mercado de peixes de Whitstable

Não conheço nenhuma cidade inglesa que tenha uma relação tão intensa com a gastronomia quanto Whitstable, uma pequena vila litorânea de 30 mil habitantes com forte apego aos frutos do mar.

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Mesa na praia no Old Neptune

Em nenhuma outra parte da Inglaterra percebe-se um apreço tão grande aos ingredientes frescos, recém-tirados do mar. Por todos os lados há restaurantes com cardápios criativos e bem cuidados, chefs empolgados com as criações com os produtos da região e comedores empolgados de peixes, mariscos e ostras. Desde a época em que os romanos dominaram a região que a cidade se consagrou por suas ostras, muito apreciadas até os dias de hoje.

Whitstable fica a menos de 10km de Canterbury, esta, sim, uma das cidades mais buscadas por turistas que visitam Londres. Há uma trilha muito famosa que liga as duas cidades, e que costuma ser percorrida de bicicleta. De Londres, a cerca de 100 km, é preciso pegar dois trens (ou um ônibus) em uma viagem de mais de duas horas.

wheelersHá dezenas de bares e restaurantes à beira-mar, no porto e na área central de Whitstable oferecendo ostras e frutos do mar frescos. O restaurante mais famoso da cidade, entretanto, é o Wheelers, um pequeno bar de mais de cem anos com apenas quatro mesas e um balcão que é considerado o melhor lugar para comer frutos do mar no país e que tem filas de espera de meses para se poder comer lá – apesar da quase impossibilidade de reservar mesas, é possível dar sorte e conseguir um lugar no balcão ao chegar sem hora marcada, ou ainda pode-se comprar parte da comida do cardápio para viagem. A tentativa de reservar um lugar com uma semana de antecedência foi totalmente frustrada, mas durante a visita à cidade, um rearranjo nas mesas internas havia deixado lugares vazios no balcão, e foi possível experimentar deliciosas vieiras na brasa, salmão defumado da casa, enguias em gelatina, peixe empanado, bolo de salmão e whelks (búzios). Tudo delicioso e por preços bem baixos (a conta para duas pessoas não chegou a 40 libras).

Veja fotos do jantar no Wheelers

Vieiras do Wheelers

Vieiras do Wheelers

Na região portuária de Whitstable há um pequeno mercado de peixes frescos, onde vendem-se ostras abertas na hora e frutos do mar fritos, prontos para serem comidos. Logo em frente há a barraca West Whelks, que tem alguns dos frutos do mar mais frescos e mais baratos da cidade (cada ostra custa 60 centavos de libra), para serem comidos em pequenas mesas de plástico.

Veja fotos do mercado de peixes

Acima do mercado está o Crab and Winkle, um dos restaurantes mais arrumados da cidade, com vista para o mar e um cardápio sazonal montado em torno de pescados frescos. O restaurante é um pouco mais caro, e a conta para duas pessoas, com vinho, pode chegar perto das cem libras, mas é uma extravagância bem válida.

Veja fotos de almoço no Crab and Winkle

O pub Old Neptune

O pub Old Neptune

Na praia, há vários lugares oferecendo ostras frescas abertas na hora, todos bem agradáveis e com bons preços. Indo além da comida, entretanto, o pub Old Neptune tem um dos melhores ambientes da cidade – à beira da praia, com mesas ao ar livre e um panorama perfeito para o pôr do sol.

Veja fotos do Monstro no Old Neptune

Bem perto dali, ainda no litoral próximo a Whitstable, está o pub The Sportsman, um pequeno bar isolado, estrelado pelo Guia Michelin e no qual o chef prepara até o próprio sal, com água retirada do mar da região.

Veja abaixo um vídeo sobre o Sportsman

Leia mais sobre o Wheelers

Veja como chegar a Whitstable

O pub no meio do nada

IMG_9020O trem que sai de Norwich em direção a Gunton tem apenas um vagão, algo estranho para quem se acostuma a viajar em longos comboios na estrada de ferro do Reino Unido, mas que dá uma ideia do quanto isolado é o vilarejo de Thorpe Market, onde fica o Gunton Arms, um pub no meio do nada. Depois de viajar mais de três horas e desembarcar na deserta estação de trem em Gunton, ainda é preciso andar por quase 30 minutos para chegar ao restaurante, mas cada segundo de espera vale pela experiêcia de uma bela refeição com ótima bebida em um ambiente isolado do resto do mundo.

Veja mais fotos do Gunton Arms no Tumblr do Monstro

IMG_8990O pub na verdade fica no meio de um parque que é uma reserva para veados selvagens – e é possível ver muitos dos bichos passeando livremente. É uma bela casa de fazenda com um bar, um restaurante e uma pousada para quem se interessar em ficar algumas noites relaxando longe da civilização.

A grande atração para quem pensa só em comida é o fogão à lenha que ocupa quase uma parede inteira do Elk Room, principal sala do restaurante. É ali que são preparadas excelentes carnes que são as melhores opções do cardápio, e que enchem o ambiente de um cheiro hipnotizante de churrasco.

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O chef Stuart Tattersall criou um cardápio com cara de casa de campo inglesa, investindo em ingredientes locais (incluindo carnes de veado, quando o abate é permitido) e em preparos que valorizam esses ingredientes. A comida é excelente, o atendimento é simpático, e os preços não fogem muito à regra dos pubs de Londres, com pratos em torno de 15 libras (com exceção do prime rib, um imenso pedaço de costela que custa 60 libras, mas alimenta tranquilamente três pessoas).

Além das partes internas, o Gunton Arms tem um amplo jardim com mesas, que também servem para o restaurante, mas que são bons mesmo para passar a tarde (não no inverno, claro) bebendo e conversando. Um almoço simples no Gunton Arms inclui quase sete horas de viagem desde Londres, mas transforma uma refeição em um agradável dia de viagem pelo campo britânico.

Veja o site do Gunton Arms

Veja a crítica ao Gunton Arms no Guardian

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Foto de divulgação do site do Gunton Arms

Veja como chegar ao Gunton Arms

Vinhos ingleses

denbiesLojas de vinho no mundo todo costumam organizar suas prateleiras de acordo com o país de origem e a região de produção das bebidas, sempre com destaque para franceses, italianos, argentinos, chilenos e, mais recentemente, até mesmo americanos, africanos e australianos. Nunca ingleses. Nem mesmo em Londres as lojas de vinho têm prateleiras especialmente separadas para os vinhos ingleses. E ainda assim eles existem. E não são ruins.

Segundo a associação de produtores de vinhos da Inglaterra, o país tem atualmente 432 vinhedos (plantações com um total de 1.438 hectares) e 134 produtores de vinhos.

Apesar de o clima inglês ser um tanto inóspito para a produção de vinho, com pouco sol e muita chuva, as uvas que produzem bons espumantes costumam se adaptar bem ao solo da região sul da Inglaterra. Além disso, a má-fama da Inglaterra na produção de vinhos acaba sendo positiva para produtores, que conseguem comprar terras a preços bem acessíveis – até 10% do que custaria um terreno similar na França.

A produção de vinhos na Inglaterra também foi ajudada pelo aquecimento global. Apesar de a ilha britânica ter um dos climas mais infames do mundo, com muita chuva e pouco sol, na última década as coisas mudaram um pouco, tornando o clima local mais adaptável às vinhas. E há a perspectiva de o clima local se tornar ainda mais quente.

A produção anual varia muito no país dependendo do clima. Enquanto em 2010 foram produzidas 4 milhões de garrafas de vinhos, em 2011 foram 3 milhões e em 2012 somente 1 milhão de garrafas. Apesar de ainda não ter um dado oficial, produtores alegam que 2013 voltou a ser um bom ano para as vinícolas inglesas e há a expectativa de que ultrapasse 5 milhões de garrafas em 2015. Em média, produzem-se 2,58 milhões de garrafas de vinho por ano. Aproximadamente 60% de todo vinho produzido na Inglaterra é espumante, 30% é branco e 10% dividem-se entre tinto e rosé.

O mercado ainda é muito pequeno, entretanto, mesmo dentro do próprio país. Vinhos ingleses são apenas 0,14% de todos os vinhos consumidos na Inglaterra. A produção inglesa de vinhos é equivalente a apenas 0,05% da produção francesa, que chega próxima a 7 bilhões de garrafas.

Apesar de ser uma grande novidade, a produção de vinhos na Inglaterra não é nada nova. Há quem defenda que havia uma produção local de vinhos no século I a.C., antes mesmo da chegada dos romanos. Foi o domínio de Roma, entretanto, a partir do século I d.C, que difundiu vinícolas pelo território britânico. A produção passou por altos e baixos, com forte declínio na Idade Média, e quase desapareceu por completo até o século XX. O renascimento do vinho inglês começou a acontecer nos anos 1950, com a combinação d euvas que se adaptariam melhor aos solos e ao clima locais. Foi necessário quase meio século, entretanto, para que se consolidasse um mercado para os vinhos ingleses, e somente no século XXI eles começam a ser reconhecidos dentro e fora do país.

Na história recente das vinícolas inglesas, 2009 é apontado como o “ano da virada”, quando bons vinhos ingleses conseguiram algum tipo de reconhecimento internacional e a produção “amadureceu”. Nos últimos 15 anos, os espumantes ingleses ganharam 8 prêmios internacionais. Denbies Chalk Hill Rosé 2010 foi eleito o melhor rosé do mundo pela International Wine Challenge

As uvas viníferas mais populares nas vinícolas inglesas são, em ordem decrescente, Pinot Noir, Chardonnay, Bacchus, Reichensteiner, Seyval Blanc, Müller Thurgau, Pinot Meunier, Madeleine Angevine, Schönburger e Rondo (segundo a UKVA). Além de Surrey, onde está a maior vinícola do país, a Denbies, vinhos são produzidos nas regiões de East Sussex, West Sussex, Kent e Cornwall.

Nomenclatura
Desde 2007 o governo britânico criou o selo PGI (PRotected Geographical Indication), que garante a qualidade e a região de origem dos vinhos locais.

O crescimento do mercado de vinhos na Inglaterra gerou uma disputa econômica inesperada a respeito da nomenclatura. Assim como os vinhos italianos e franceses registraram selos de garantia da origem de produção e da qualidade da bebida deles, os ingleses entraram nessa disputa.

O problema é que vinhos britânicos, “british wine”, é uma nomenclatura tradicional para vinhos de baixíssima qualidade feito na Inglaterra com suco de uva importado e vendidos a baixo preço. Eles se popularizaram com a crise econômica internacional a partir de 2008, e confundiram muita gente que achava que estava experimentando algo dessa nova safra de bons vinhos totalmente produzidos na Inglaterra. Os produtores desses vinho de qualidade, por sua vez, se viram afetados pela concorrência nacional, e decidiram brigar para que seus vinhos “ingleses”, “english wine”, fossem reconhecidos como tal, e como diferentes do barato e ruim.

O preço, por sinal, é um dos problemas que marcam a recente produção de vinhos ingleses de qualidade. Uma garrafa de um bom espumante inglês custa em torno de 12 libras, preço não muito mais barato de que uma cava espanhola, um prosecco italiano ou um champagne mais simples. Os produtores alegam que a produção em escala menor que os concorrentes europeus é um fator que determina o preço mais alto, e que não é possível baixar a não ser que haja apoio do governo.

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O English Wine Centre organiza passeios por vinícolas de East Sussex. O local também vende vinhos produzidos no país e oferece refeições harmonizadas – mas não é tão acessível para o visitante sem carro.

Quem não tem Bordeaux bebe Surrey

DSC_0858Menos de dez minutos após sair da estação de trem de Dorking, pequena cidade a menos de uma hora de viagem de Londres, vêem-se muitas uvas. São as primeiras parreiras da maior vinícola do Reino Unido, Denbies, que fica na região de Surrey, ao sul de Londres, e que é o melhor lugar para experimentar os vinhos ingleses – uma produção ainda pequena e incipiente, mas cada vez com mais qualidade.

Veja fotos da vinícola inglesa Denbies

Uma pint, o copo de meio litro de cerveja, representa a tradição inglesa bem melhor de que uma taça de vinho, é verdade, e este tipo de visita a vinícolas é uma tradição mais forte na França e na Itália. Mesmo assim, há bons vinhos sendo produzidos e bebidos no país que tem mais cervejarias por habitantes no mundo.

DSC_0821Entre agosto e outubro, a plantação de mais de 100 hectares está carregada, e pode-se experimentar a vida em uma fazenda especializada na produção de vinhos de qualidade, mesmo sem ter que ir à França ou a Itália, que lideram o setor. Em vez de Bordeaux, pode-se experimentar o vinho da região inglesa de Surrey.

A vinícola é bem nova para os padrões da produção de vinho no resto do mundo. As parreiras foram plantadas apenas em 1986, dois anos após a aquisição do espaço onde a Denbies funciona. Mesmo assim, a vinícola ascendeu rapidamente ao topo da produção britânica. Em 2011, o vinho rosé Denbies Chalk Ridge 2010 ganhou a medalha de ouro no International Wine Challenge, uma das mais importantes competições de qualidade de vinho. O rosé inglês derrotou 360 concorrentes de 21 países diferentes. Junto aos espumantes, é o que se produz de melhor na vinícola, apesar de haver também tintos que não fazem feio.

Localizada a 15 minutos de caminhada da cidade de Dorking, que fica a menos de uma hora de trem de Londres, a Denbies tem uma área total de mais de 250 hectares, incluindo 107 hectares para as plantações e outras áreas com terrenos com florestas originais da região. A área é três vezes maior de que a de qualquer outra vinícola do Reino Unido.

A plantação de Denbies usa um solo que é marcado pela presença de calcário, que os produtores locais insistem em dizer que é comparável ao da região da Champagne, na França. De fato, o solo favorece a produção de uvas que funcionam bem em espumantes.

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Gastronomia
A vinícola Denbies é formada pelas plantações e dez casas onde o vinho é produzido e vendido. Uma grande construção fica no centro da propriedade, imponente, para receber visitantes. Ali há uma loja em ue são vendidos vinhos e produtos locais, e um pequeno restaurante que faz as vezes de lanchonete, o Conservatory.

No topo da casa principal funciona o Gallery, principal restaurante da vinícola, com um bom cardápio sazonal, comidas bem cuidadas, vinhos locais e uma bela vista panorâmica das plantações de uvas. Durante a semana, o restaurante oferece um almoço completo por 16 libras por pessoa, preço médio de um prato nos finais de semana.

Passeios
A vinícola pode ser visitada livremente por qualquer pessoa. A região é cortada por mais de 10 km de trilhas públicas para caminhada, e não é preciso nem pedir licença para sair caminhando por parte da plantação de uvas. É possível ver as plantações, visitar a loja de vinhos e produtos locais e comer em um dos restaurantes da vinícola.

Além disso, a Denbies oferece vários tipos de passeios formais e completos pela vinícola e uma série de atividades de degustação de vinhos e comidas. Em outuro, a vinícola oferece até mesmo um dia de experiência de produtor, permitindo que os visitantes colham uvas e participem de um dia de trabalho aprendendo a fazer vinhos (sempre bebendo e comendo, a um custo de cerca de 50 libras por pessoa).

O passeio básico é um tour pelas plantações de uvas (apenas entre março e outubro). Feito em um pequeno trem adaptado, ele segue por quase uma hora pelas trilhas que fazem uma longa subida até o topo do terreno, e permite visualizar toda a vinícola, incluindo descrições sobre o local e a história da Denbies. São vários passeios por dia e custam 6 libras (incluindo uma pequena degustação).

Os passeios “fechados” (indoor) mostram o processo de fabricação dos vinhos, especialmente os espumantes, com explicações detalhadas sobre o funcionamento da vinícola, visita à adega e degustações. Estes passeios custam entre 10 e 16 libras, dependendo da duração e da degustação.

A vinícola Denbies tem ainda uma pousada, bem ao lado da casa central, onde pode-se ficar hospedado bem de frente para a plantação de uvas, comer as comidas dos restaurantes e sentir a sensação de viver em uma vinícola. a diaria custa em torno de 100 libras para duas pessoas

Os passeios podem ser agendados pela internet.

Leia reportagem do jornal Independent sobre a medalha de ouro do vinho inglês

Assista abaixo a um vídeo mostrando a vinícola inglesa

Veja como chegar à vinícola Denbies

O que os ingleses comem

O sunday roast, prato preferido dos britânicos, segundo pesquisa

O sunday roast, prato preferido dos britânicos, segundo pesquisa

A comida britânica vem passando por um processo de valorização nas últimas décadas, e os ingleses têm tentado fugir da má-fama de que se come mal no país, abraçando receitas tradicionais e buscando o que há de melhor para se comer no Reino Unido. Uma pesquisa divulgada neste mês comprovou esta revalorização dos pratos nacionais, indicando que os ingleses têm dado mais atenção à gastronomia e especialmente a sua comida tradicional.

De acordo com o jornal Independent, a pesquisa mostrou que o assado de domingo foi apontado como o prato mais afetivo dos britânicos, escolhido como principal comfort food por 43% dos entrevistados. O bife com batatas fritas ficou em segundo lugar, com 35%, enquanto pãezinhos (scones) com geleia e creme ficaram em terceiro lugar e o crumble de maçã em quarto. A torta de carne e rim ficou em décimo lugar e o bife wellington em 13º. O resultado mostrou que influências internacionais perderam parte do seu apelo, por mais que continuem presentes.

comida ukA pesquisa foi encomentada pelo canal da rede britânica BBC voltado a estilo de vida e gastronomia, o BBC Good Food, que comemora 25 anos da sua criação. Dez mil pessoas foram ouvidas para revelar o que os britânicos comem, cozinham e o que preferem comer.

A pesquisa revelou que 18% dos britânicos acreditam que sabem cozinhar bem (nota entre 8 e 10 em autoavaliação), enquanto apenas 14% dizem não saber cozinhar nada (nota 1 a 3 em autoavaliação). Mais da metade dos entrevistados disseram saber preparar dez ou mais pratos diferentes sem usar ingredientes pré-prontos enquanto 10% alegaram não saber fazer absolutamente nada. Além disso, 36% dos entrevistados disseram que cozinhar os deixa mais felizes.

A receita mais preparada em casa pelos britânicos é o assado, uma tradição de fins de semana em que carne é normalmente servida com batatas e yorkshire pudding. Fora ele, o outro prato mais comum preparado em casa pelos britânicos é o espaguete à bolonhesa.

Quase metade dos britânicos (48%) faz as refeições em família diariamente, contrariando a ideia de que come-se cada vez mais de forma isolada no país. Apenas 3% dos entrevistados disseram comer sempre sozinhos.

Confirmando uma tendência negativa, entretanto, a pesquisa diz que 67% dos britânicos costumam fazer pelo menos uma refeição por dia em frente à TV.

Para 56% dos ingleses, o forno de microondas é o equipamento mais essencial da cozinha, à frente de facas, que ficam em segundo lugar.

O chá continua sendo a bebida preferida dos ingleses, sendo escolhido por 41% dos britânicos, enquanto o café é o preferido de 29%.

A comida chinesa apareceu na pesquisa como a opção mais popular de comida comprada na rua, à frente do Chicke Tikka Masala e do Fish and Chips.

Veja mais resultados da pesquisa no site da BBC Good Food

Leia reportagem do Independent sobre a pesquisa.

 

O país mais cervejeiro

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O Reino Unido tem a maior quantidade de cervejarias por habitante do mundo. O dado foi divulgado nesta quinta-feira pelo livro The Good Beer Guide 2015, referência mais completa em relação à bebida na Inglaterra.

Atualmente existem 1.285 cervejarias em todo o Reino Unido, o equivalente a uma para cada 50 mil habitantes.

Isso tudo sem contar que uma cerveja no país custa em média R$ 14 reais.

Além de já ter o maior número de cervejarias per capita, a quantidade de novas fábricas de cerveja tem crescido a um ritmo de mais de 10% ao anos. Somente no último ano foram inauguradas 170 novas cervejarias.

O crescimento na quantidade de cervejarias ocorre em paralelo a uma valorização das tradições etílicas britânicas. A maior parte das novas cervejarias se especializa em Real Ales, as cervejas vivas, que são gaseificadas naturalmente e continuam fermentando dentro dos “casks”, seus barris especiais.

Entenda a diferença entre ales e lagers

Além disso, começa a haver uma quebra no estereótipo de que as Real Ales são consumidas por pessoas mais velhas, enquanto jovens preferem lagers. Segundo o livro recém-publicado, jovens têm experimentado cada vez mais a cerveja viva que forma a tradição do país.

As Real Ales dobraram sua participação no mercado de cervejas na Inglaterra na última década. A Grã Bretanha tem atualmente 54.940 pubs que vendem as Real Ales. E há mais de 8 mil cervejas deste tipo sendo produzidas. Se os belgas costumam falar em ter uma cerveja diferente para cada dia do ano, os ingleses podem dizer que têm uma cerveja diferente para beber todos os dias por 22 anos (sem contar as produzidas por mais de cem cervejarias inauguradas a cada ano).

Apesar do tom otimista do guia, o estudo reitera que ainda há muitos pubs sendo fechados por falência no Reino Unido (uma média de 31 por semana). Ele ressalta, entretanto, que muitos têm sido inaugurados também, e que há um esforço crescente para salvar pubs que são importantes para comunidades espalhadas pelo país.

Leia reportagem do Guardian sobre o Good Beer Guide 2015

A cozinheira da TV

deliaSe Jane Grigson deu vida à gastronomia britânica com livros em que estudava as origens e a evolução da culinária na Inglaterra, é Delia Smith, uma outra cozinheira, que tem o status de favorita da TV britânica e maior vendagem de livros de receitas do país ao longo das últimas cinco décadas. Ao contrário de Grigson, Smith não é uma grande pesquisadora e nem se propõe cozinheira excepcional, mas apela ao público inglês por uma abordagem simples da gastronomia e receitas bem fáceis de reproduzir.

Leia mais sobre Jane Grigson e sua importância para a gastronomia inglesa

O canal de TV Food Network na Inglaterra tem passado uma série de documentários sobre a importância de Smith para os ingleses. A cozinheira era muito popular, e seu nome virou um verbete em dicionários, relativo ao efeito do seu programa no consumo de alimentos específicos. Quando ela apresentava suas receitas, os ingredientes se tornavam mais vendidos no mercado. Isso ficou conhecido como “efeito Delia”. Ela nega, entretanto, ter recebido dinheiro para fazer propaganda ou promover quaisquer itens.

Desde 1971, quando lançou o livro “How to Cheat at Cooking”, Smith publicou 23 livros e vendeu mais de 20 milhões de exemplares das suas coletâneas de receitas.

Delia Smith admite que não sabia cozinhar, não era profissional da gastronomia em seu programa, mas atraía audiencias justamente por seu estilo caseiro, amador, simples. Em entrevista, ela dizia seu objetivo era fazer outras pessoas que também não sabiam cozinhar irem para a cozinha e preparar seus próprios alimentos.

Suas receitas são simples, fáceis e usam poucos ingredientes. Sua maior alegria, ela diz, era ter retorno dos leitores e audiência na TV. E o q eles sempre falavam era que suas receitas funcionavam, e por isso ela fazia tanto sucesso.

Criticada por puristas, ela apresentou receitas e publicou livros sobre “trapaças” na cozinha, o uso de ingredientes pré-prontos para poupar tempo e trabalho, possibilitando uma integração ainda maior de pessoas que nao cozinhavam.

Assista abaixo a um vídeo de Delia Smith nos anos 1970