A cozinha do rei

IMG_1793A primeira vista da cozinha do palácio de Hampton Court, no sul de Londres, pode dar a impressão de exagero ao ver os cinco ambientes, dezenas de salas diferentes e 300 metros quadrados em que a comida era preparada, mas é preciso salientar que a população que morava no palácio chegava a 1.200 pessoas no inverno. Foi por isso que a corte decidiu reformar e ampliar a cozinha em 1529, duplicando sua capacidade.

Desde então, a cozinha já funcionava como cozinhas profissionais dos dias de hoje, com estações especializadas em trabalhos específicos. Havia cozinheiros responsáveis por fazer tortas e massas, outros especializados em cozidos e alguns responsáveis por assados, além de responsáveis por estoques, frutas, legumes e especiarias – todo o trabalho dividido.

IMG_1787Apesar de tanto espaço para a cozinha, tantos profissionais envolvidos e tanta comida preparada, nada disso servia para alimentar o rei, segundo Julian Humphrys, autor de “The Private Life of Palaces, livro que reúne histórias dos palácios reais britânicos. A comida do rei era preparada em outro lugar, e o rei não se juntava aos outros membros da corte nas refeições que juntavam 300 pessoas de cada vez.

A comida do rei era preparada em uma cozinha menor e “secreta” (Privy Kitchen), em espaço próximo a seus quartos privados, o que permitia flexibilidade nos horários das refeições e maior variedade na oferta de alimentos para ele. Henrique VIII gostava muito de frutas, mas comia elas preparadas em tortas e doces, pois dizia-se à época que frutas podiam causar febre.

Segundo Humphrys, o número de pratos servidos aos membros da corte variava dependendo da posição dele na hierarquia real. Trabalhadores do palácio recebiam quatro pratos diferentes no jantar, enquanto lordes podiam comer até 16 pratos diferentes na refeição – o que gerava um grande desperdício, até porque era considerado falta de caridade comer tudo o que era servido nos pratos. As sobras dos lordes de mais alto nível eram passadas para os abaixo deles no ranking e assim por diante até chegar nos trabalhadores, que deixavam as sobras para mendigos que iam ao palácio pedir comida. “Tudo era feito de acordo com o status”.

A maioria da comida servida no palácio na época era formada por carnes assada e servida com molhos e pães. A maior parte dos alimentos era comprada por preços abaixo do mercado por conta do direito que o rei tinha de demandar privilégios dos produtores do país.

O cardápio do palácio, entretanto, era determinado não por gosto, mas pela sazonalidade dos ingredientes e pela obrigação religiosa de jejuar, ou comer peixe em vez de carne.

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