Vinhos ingleses

denbiesLojas de vinho no mundo todo costumam organizar suas prateleiras de acordo com o país de origem e a região de produção das bebidas, sempre com destaque para franceses, italianos, argentinos, chilenos e, mais recentemente, até mesmo americanos, africanos e australianos. Nunca ingleses. Nem mesmo em Londres as lojas de vinho têm prateleiras especialmente separadas para os vinhos ingleses. E ainda assim eles existem. E não são ruins.

Segundo a associação de produtores de vinhos da Inglaterra, o país tem atualmente 432 vinhedos (plantações com um total de 1.438 hectares) e 134 produtores de vinhos.

Apesar de o clima inglês ser um tanto inóspito para a produção de vinho, com pouco sol e muita chuva, as uvas que produzem bons espumantes costumam se adaptar bem ao solo da região sul da Inglaterra. Além disso, a má-fama da Inglaterra na produção de vinhos acaba sendo positiva para produtores, que conseguem comprar terras a preços bem acessíveis – até 10% do que custaria um terreno similar na França.

A produção de vinhos na Inglaterra também foi ajudada pelo aquecimento global. Apesar de a ilha britânica ter um dos climas mais infames do mundo, com muita chuva e pouco sol, na última década as coisas mudaram um pouco, tornando o clima local mais adaptável às vinhas. E há a perspectiva de o clima local se tornar ainda mais quente.

A produção anual varia muito no país dependendo do clima. Enquanto em 2010 foram produzidas 4 milhões de garrafas de vinhos, em 2011 foram 3 milhões e em 2012 somente 1 milhão de garrafas. Apesar de ainda não ter um dado oficial, produtores alegam que 2013 voltou a ser um bom ano para as vinícolas inglesas e há a expectativa de que ultrapasse 5 milhões de garrafas em 2015. Em média, produzem-se 2,58 milhões de garrafas de vinho por ano. Aproximadamente 60% de todo vinho produzido na Inglaterra é espumante, 30% é branco e 10% dividem-se entre tinto e rosé.

O mercado ainda é muito pequeno, entretanto, mesmo dentro do próprio país. Vinhos ingleses são apenas 0,14% de todos os vinhos consumidos na Inglaterra. A produção inglesa de vinhos é equivalente a apenas 0,05% da produção francesa, que chega próxima a 7 bilhões de garrafas.

Apesar de ser uma grande novidade, a produção de vinhos na Inglaterra não é nada nova. Há quem defenda que havia uma produção local de vinhos no século I a.C., antes mesmo da chegada dos romanos. Foi o domínio de Roma, entretanto, a partir do século I d.C, que difundiu vinícolas pelo território britânico. A produção passou por altos e baixos, com forte declínio na Idade Média, e quase desapareceu por completo até o século XX. O renascimento do vinho inglês começou a acontecer nos anos 1950, com a combinação d euvas que se adaptariam melhor aos solos e ao clima locais. Foi necessário quase meio século, entretanto, para que se consolidasse um mercado para os vinhos ingleses, e somente no século XXI eles começam a ser reconhecidos dentro e fora do país.

Na história recente das vinícolas inglesas, 2009 é apontado como o “ano da virada”, quando bons vinhos ingleses conseguiram algum tipo de reconhecimento internacional e a produção “amadureceu”. Nos últimos 15 anos, os espumantes ingleses ganharam 8 prêmios internacionais. Denbies Chalk Hill Rosé 2010 foi eleito o melhor rosé do mundo pela International Wine Challenge

As uvas viníferas mais populares nas vinícolas inglesas são, em ordem decrescente, Pinot Noir, Chardonnay, Bacchus, Reichensteiner, Seyval Blanc, Müller Thurgau, Pinot Meunier, Madeleine Angevine, Schönburger e Rondo (segundo a UKVA). Além de Surrey, onde está a maior vinícola do país, a Denbies, vinhos são produzidos nas regiões de East Sussex, West Sussex, Kent e Cornwall.

Nomenclatura
Desde 2007 o governo britânico criou o selo PGI (PRotected Geographical Indication), que garante a qualidade e a região de origem dos vinhos locais.

O crescimento do mercado de vinhos na Inglaterra gerou uma disputa econômica inesperada a respeito da nomenclatura. Assim como os vinhos italianos e franceses registraram selos de garantia da origem de produção e da qualidade da bebida deles, os ingleses entraram nessa disputa.

O problema é que vinhos britânicos, “british wine”, é uma nomenclatura tradicional para vinhos de baixíssima qualidade feito na Inglaterra com suco de uva importado e vendidos a baixo preço. Eles se popularizaram com a crise econômica internacional a partir de 2008, e confundiram muita gente que achava que estava experimentando algo dessa nova safra de bons vinhos totalmente produzidos na Inglaterra. Os produtores desses vinho de qualidade, por sua vez, se viram afetados pela concorrência nacional, e decidiram brigar para que seus vinhos “ingleses”, “english wine”, fossem reconhecidos como tal, e como diferentes do barato e ruim.

O preço, por sinal, é um dos problemas que marcam a recente produção de vinhos ingleses de qualidade. Uma garrafa de um bom espumante inglês custa em torno de 12 libras, preço não muito mais barato de que uma cava espanhola, um prosecco italiano ou um champagne mais simples. Os produtores alegam que a produção em escala menor que os concorrentes europeus é um fator que determina o preço mais alto, e que não é possível baixar a não ser que haja apoio do governo.

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O English Wine Centre organiza passeios por vinícolas de East Sussex. O local também vende vinhos produzidos no país e oferece refeições harmonizadas – mas não é tão acessível para o visitante sem carro.

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