Arquivo do mês: novembro 2014

Safári gastronômico em Londres

Vitrine de carnes exóticas no Borough Market

Vitrine de carnes exóticas no Borough Market

Risoto com filé de cobra

Risoto com filé de cobra

Nunca antes uma foto de um prato preparado em casa causou tanta comoção na rede social. O jantar foi servido em fevereiro, após uma agradável visita ao Borough Market, o principal mercado de comidas de Londres, e o prato principal fez muita gente fazer cara feia por causa de um dos ingredientes: carne de cobra.

O Reino Unido tem uma dieta tradicional e conservadora, se comparado com países da Ásia ou da África, onde a oferta de animais é bem diferente do que se encontra na Europa, mas os fluxos comerciais dos ingleses com o resto do mundo fazem com que Londres seja um ótimo local para experimentar carnes estranhas ao paladar “Ocidental”. A partir do Borough Market, é possível fazer um delicioso safári gastronômico, experimentando carnes de cavalo, camelo, avestruz, canguru, zebra, e até mesmo de cobra – todas essas foram comidas durante o último ano em Londres.

Essas carnes tão diferentes foram compradas na Exotic Meat Company, uma loja operada pela fazenda Gamston Wood no mercado de Londres. A loja vende cortes de carne congelados para que sejam preparados em casa, e oferece ainda carne e imensos ovos de avestruz, carne de cabra-de-leque, de alce e de outros animais que conseguem importar. As vendedoras sempre sabem dar dicas de como preparar cada tipo de carne.

Carnes exóticas no mercado de Londres

Carnes exóticas no mercado de Londres

Além disso, todos os dias no Borough Market, a loja vende hambúrgueres de carnes exóticas já preparados e prontos para comer na hora do almoço – é uma boa alternativa para experimentar, por mais que os hambúrgueres percam parte da experiência por não ter a textura original da carne..

A EMC importa suas carnes de produtores “com boa reputação” de diferentes lugares do mundo, e especialmente da Austrália e da África do Sul. A carne de cavalo, segundo eles, é importada do Brasil.

A fazenda Gamston Wood é uma área designada originalmente à criação de avestruzes, mas que se especializou como distribuidora de carnes importadas menos conhecidas ou até mesmo estranhas ao paladar Ocidental. Localizada em Notinghamshire,ela foi criada em 1995. Desde 2000, eles montaram uma loja no Borough Market para comercializar as carnes “exóticas”.

Veja abaixo algumas das refeições preparadas no safári gastronômico

Filé de cobra

Filé de cobra

Cobra – Pedaços de filé de píton, aquelas grandes cobras constritoras não peçonhentas, foram preparados junto com um risoto. A carne precisou cozinhar lentamente em caldo de legumes por quase 4 horas para que ficasse macia. A carne é branca e tem uma textura que lembra peixe, mas não tem sabor muito intenso.

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Filé de cavalo

Filé de cavalo

Cavalo – Em 2013, o Reino Unido viveu um grande escândalo gastronômico quando foi revelado que carne de cavalo havia sido encontrada processada em hambúrgueres vendidos como sendo de carne de boi nos supermercados ingleses. Apesar de ser uma das maiores fraudes alimentares das últimas décadas, não existe problema em comer carne de cavalo, e o filé vendido no Borough Market foi uma das melhores carnes exóticas já experimentadas. Carne bem vermelha, preparada mal passada, macia, suculenta e bem saborosa.

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Carne de canguru

Canguru – Importada da Austrália, onde o animal existe naturalmente, a carne de canguru é bem vermelha e fibrosa, com uma textura bem diferente da carne de boi, e com sabor intenso, mais próximo de carnes de caça. O filé foi preparado com molho de vinho tinto e cebola e servido com vagem.

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Carne de zebra

Carne de zebra

Zebra – Maior decepção entre as carnes exóticas experimentadas nesse safári, a carne de zebra preparada na chapa tinha textura fibrosa, mas era mais dura de que o esperado e tinha bem pouco sabor. Tavez precisasse ser preparada de forma diferente para poder se destacar mais, ou talvez não fosse o melhor corte. Comi ainda um hambúrguer de carne de zebra, que ficou gostoso, mas nada surpreendente.

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Filé de camelo

Filé de camelo

Camelo – Uma das carnes exóticas mais diferentes, o camelo tem uma textura interessante, com fibras compactas e bastante maciez. O sabor também é bem próprio, diferente de carnes vermelhas mais tradicionais na dieta brasileira, não se confundiria com um bife de boi, por exemplo. Foi servido mal passado, com pimentas vermelhas e acompanhado por arroz com espinafre.

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Uma casa portuguesa, mais ou menos

Meio galeto do Nando's

Meio galeto do Nando’s

Uma das redes de restaurantes mais populares de Londres é um lugar de inspiração portuguesa, com origem sul-africana, decoração de Moçambique, onde toca muita música brasileira e na qual, em vez de bacalhau, o prato principal é galeto na brasa com molho picante (chamado peri-peri).

Asinhas de frango grelhadas com molho picante

Asinhas de frango grelhadas com molho picante

Bem diferente dos restaurantes portugueses do Brasil, o Nando’s é praticamente um KFC mais saudável. Assim como a rede americana de fast food, o cardápio é dominado por pedaços de frango em molho picante. A diferença é que o português é com o frango grelhado, e não frito como o americano. Todo formato da rede, entretanto, lembra os casual diners americanos, estabelecimentos um passo à frente dos fast foods, mas ainda sem alma e distante de um restaurante de qualidade.

Leia mais sobre as redes de restaurantes de Londres

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Criada em 1987, a rede Nando’s tem restaurantes em mais de 20 países. Somente na região de Londres, a rede tem mais de cem endereços, e é um dos restaurantes mais populares entre jovens que buscam comida barata – o preferido de estudantes. Uma refeição completa no Nando’s pode sair por menos de 10 libras – um preço que faz o restaurante disputar espaço com pubs e redes de fast food.

A comida é OK. Nada excepcional. O Monstro experimentou dois pratos bons e uma decepção. O fígado de frango na brasa estava muito bem feito, suave, e as asinhas picantes tinham carne macia e soltando do osso. O meio galeto grelhado, entretanto, foi servido ressecado e sem muito sabor.

Assim como os pubs, o Nando’s não tem serviço na mesa, e é preciso fazer os pedidos no caixa – mas a comida é servida na mesa. A vantagem é não ter que receber a conta depois de comer.

Para brasileiros saudosistas, o Nando’s oferece cerveja Brahma em long neck por 3,6 libras (cerca de R$ 14).

Bifes indigestos

bifesO apelido dado pelos franceses para os ingleses foi abraçado no Reino Unido como uma das principais tradições gastronômicas do país: Rosbifes, uma referência ao hábito de comer carne assada entre os britânicos. Para o português João Magueijo, professor de Física no Imperial College, entretanto, os ingleses são indigestos bifes mal passados.

Magueijo lançou neste ano um “anti-livro de viagens” chamando a Inglaterra de “porcaria de país”, terra de gastronomia incomestível, de gente com pouco higiene e de pessoas que vivem embriagadas. Os ataques de Magueijo chamavam a cultura inglesa de patologicamente violenta.

O título do trabalho satírico, mas com um fundo crítico, foi tirado de um dos principais focos de ataque aos britânicos: a comida. O nome da obra é “Bifes Mal Passados — Passeios e Outras Catástrofes por Terras de Sua Majestade”, uma referência ao rosbife tão famoso e tão tradicional nos almoços de domingo no Reino Unido.

Apesar de o livro ter sido lançado apenas em português, não demorou para que os principais jornais ingleses traduzissem algumas partes e publicassem textos reagindo às “ofensas”.

Magueijo mora há mais de duas décadas em Londres e explicou em entrevista ao jornal português “Observador” que o objetivo do livro é ajudar a melhorar a auto-estima dos portugueses, expondo que os ingleses têm muitos defeitos.

Magueijo diz que não é raro um inglês tomar 12 pints de cerveja, e que até um cavalo ficaria bêbado com a quantidade de álcool bebida pelos britânicos.

Apesar da reação ofendida dos jornais ingleses, o português disse acreditar que tudo seria visto de forma bem humorada. “Acredito piamente que um inglês que lesse o meu livro não se sentiria ofendido, e seria o primeiro a inventar pilhérias ainda piores sobre a Inglaterra” , disse, em entrevista ao jornal “Correio da Manhã”.

Magueijo se refere aos ingleses como “os bifes”, como os franceses que chamavam-nos de “os rosbifes”. O poruguês não se debruça de forma aprofundada sobre a comida, entretanto, alegando que evita a dieta britânica e se aproveita da grande variedade de comidas de outros países. Ele diz que os danos sofridos pelo seu organismo após duas décadas de comida britânica “seriam vastos, imensos até, se de fato ingerisse essa dieta. Felizmente, passo metade do tempo fora de Inglaterra, e quando em Londres evito a comida inglesa. O que não falta aqui é cozinha de outros países, incluindo a portuguesa. Não morro à fome, abstendo-me das gordurreias inglesas”, disse, em entrevista ao “Correio da Manhã”.

Em um trecho do livro em que ele fala sobre gastronomia, Magueijo ataca a preferência britânica por frituras: “Os restaurantes são asquerosos, servem peixe frito, com batatas fritas, com cebolas fritas, tudo frito, comida tão oleosa que dá vontade de a passar por detergente antes de a meter na boca, perdão, aquilo não é gordura, é banha artificial, gordurreia de plástico, e então a carne ainda é pior — empadões, salsichas, sebos e óleos vários: eis os untos com que se alimentam os bifes!”

O português não foi o primeiro estrangeiro a atacar a gastronomia inglesa. Os americanos Paul Theroux, em The “Kingdom By The Sea” de 1983, e Bill Bryson, em “Notes from a Small Island” de 1995, também atacaram a culinária britânica, assim como a jornalista Sarah Lyall, autora de “A Field Guide to the English”, de 2009.

Leia um trecho de “Bifes Mal Passados” no site de revista portuguesa Público

Pudim de natal

Christmas-puddingAinda falta um mês para o natal, mas uma das principais atrações da ceia britânica, o Christmas Pudding, é preparada agora, em novembro, para poder “maturar” por mais de 30 dias e ficar “no ponto” para o consumo no fim de dezembro.

O pudim de natal é uma das mais fortes tradições inglesas nessa época do fim do ano, e famílias se reúnem para misturar as frutas secas, a gordura, o açúcar e a farinha do bolo úmido que vai ser servido um mês depois.

ChristmaspuddingA receita atual foi desenvolvida ao longo do século XIX. Ela leva banha animal, açúcar mascavo, passas, groselha, casca de laranja, farinha de rosca, ovos, canela, noz moscada, cravos e alguma bebida alcoólica (rum, cerveja preta ou conhaque, por exemplo). É possível ver ainda receitas que incluem amêndoas, cenouras e maçãs. O pudim é cozido longamente e depois deixado para “descansar” por um mês até o natal, quando o pudim é reaquecido e servido com caldas doces. Tradicionalmente, esse tempo de maturação podia ser até de um ano.

O pudim era servido no começo das refeições. Antes ele era associado com o fim do ano, e desde os anos 1670 ficou ligado definitivamente à ceia de natal. Apesar de se parecer com um bolo, a quantidade de líquido que vai na receita deixa a textura mais próxima do pudim daí o nome.

Segundo a enciclopédia “Oxford Companion to Food”, o pudim de natal é uma variação de vários tipos de pudins de ameixa preparados desde o século XV na Inglaterra. Originalmente, esses pudins, mesmo doces, eram preparados com o uso de carne moída, além de cebolas, tubérculos e frutas secas, e temperado com vinho, ervas e especiarias. Esta mesma mistura do pudim poderia ser colocada dentro de tortas, conhecidas como “mince pies”, originalmente doces e com carne, e hoje feitas com frutas. Ao longo do século XVI, a carne começou a ser suprimida da receita, mas até hoje algumas receitas ainda incluem banha animal no preparo.

A garota Jack e a pobreza na Inglaterra

Jack MonroeTerra com fama de ter a pior gastronomia do mundo, a Inglaterra gerou alguns dos nomes mais importantes da gastronomia global nas últimas décadas. Fergus Henderson é reconhecido por criar uma moda de aproveitar animais abatidos por inteiro (o chamado “nose to tail”); Heston Blumenthal foi premiado por suas pesquisas gastro-científicas que geram pratos deliciosos, e por pesquisar receitas históricas em seu Dinner, em Londres; Jamie Oliver, Gordon Ramsey e Nigella Lawson aparecem diariamente na TV, até no Brasil, ensinando receitas; e Delia Smith e Jane Grigson abriram espaço em toda a mídia de língua inglesa para falar de tradições alimentares na Europa. Mas o nome mais recente entre os ingleses a se destacar por seu trabalho com comidas surgiu na mídia somente em 2012, por conta da crise econômica global e da relação entre política e alimentação – é uma garota chamada Jack.

Jack Monroe tem apenas 26 anos e é uma das personagens mais interessantes da gastronomia no mundo atual. Em meio à crise econômica e à escalada global de preços de alimentação, ela enfrentou a pobreza com criatividade e habilidade na cozinha, se tornando uma referência em alimentação de qualidade a baixo custo, e referência em políticas relacionadas a pobreza e alimentação.

Tudo começou em novembro de 2011, quando a jovem Jack, mãe de um filho de apenas 20 meses, ficou desempregada. Ela passou a encarar então algo que para muita gente parece impensável: a realidade de que em um país rico e desenvolvido como a Inglaterra existe pobreza de verdade, e milhares de pessoas chegam a passar fome. Enquanto vivia com orçamento extremamente limitado, precisando vender tudo o que tinha para poder pagar o aluguel e comprar comida, Jack leu que um político local culpava as mães solteiras (junto com bêbados e drogados) pela crise econômica, como se essas pessoas não quisessem trabalhar e preferissem viver de programas sociais do governo (algo que lembra discussões sobre o assunto no Brasil). Como reação, Jack criou o blog “A Girl Named Jack”, em que começou a escrever sobre sua realidade, e a publicar as receitas que preparava com pouquíssimo dinheiro. Um de seus primeiros textos, hoje um manifesto sobre a pobreza na Inglaterra, tinha o título “Hunger hurts”, a fome dói.

O orçamento semanal de Jack para preparar comidas para ela e seu filho era de apenas 10 libras (R$ 40). Dividido por 3 refeições por dia e 7 dias, daria algo como 47 centavos de libra por refeição para duas pessoas – muito, muito, muito pouco.

Vivendo em Londres por um ano com orçamento de estudante bolsista, o Monstro descobriu que a melhor forma de economizar dinheiro com alimentação era comprando comida no supermercado e preparando as refeições em casa. Depois de conhecer melhor a realidade dos mercados britânicos, chegou à conclusão de que, para fazer uma boa refeição para duas pessoas, precisava gastar em média 4 libras (R$ 16) no supermercado. Jack tinha aproximadamente um décimo deste valor para comer cada refeição com seu filho.

A dificuldade serviu de inspiração para um belo tabalho com comidas. Em vez da baladalação de restaurantes e da exibição que costumam dominar blogs relacionados a comidas, Jack ensinava receitas de boas comidas que poderiam ser preparadas com baixo custo. Uma pizza de pesto por 44 centavos; hambúrguer de porco com ameixas por 87 centavos; massa com alho poró e queijo defumado por 43 centavos…

E logo ela começou a chamar atenção. A primeira reporagem sobre seu “trabalho” de mãe com orçamento limitado surgiu no “Daily Telegraph” em março de 2013. Ela era apresentada como exemplo na luta por dignidade na pobreza. Pouco mais de dois anos depois, os desabafos, as receitas e a perseverança de Jack a transformaram em colunista do jornal The Guardian, palestrante, presença constante na TV, autora de dois livros de receitas e ganhadora de prêmios de mulher do ano, de melhor blog e de símbolo de inspiração no país.

Atualmente, seus textos têm um alcance muito maior, e servem para chamar atenção para as pessoas com dificuldades. Além disso, ela ajuda a dar dicas sobre como economizar ao preparar comida, como fazer refeições de qualidade sem gastar muito. A cada data especial, como natal e reveillon, Jack escreve no Guardian com dicas e receitas para uma boa ceia mesmo para quem não tem muito dinheiro.

Jack se tornou famosa, mas continua sua campanha. Em uma palestra recente divulgada pelo Guardian, ela diz que não se tornou rica, e que continua lutando pelos que enfrentam dificuldades. Ao falar sobre a importância da relação entre comida e política, ela se emociona para lembrar que passou fome, e para criticar quem finge que não existe pobreza na Inglaterra.

É um projeto inspirador, que merece colocar a jovem ao lado dos grandes chefs ingleses na lista dos nomes mais importantes da alimentação no país.

Visite o blog de Jack Monroe

Leia a reportagem sobre Jack no Daily Telegraph

Assista a uma palestra de Jack Monroe no Guardian

Bolovo inglês

Scotch egg preparado com peixe defumado em vez de carne

Scotch egg preparado com peixe defumado em vez de carne

Em uma das melhores paródias do grupo humorístico Hermes e Renato, o personagem principal decide seguir o modelo da “dieta do palhaço”, em que um documentarista passou um mês se alimentando apenas de McDonald’s, e criar a “dieta do bolovo”, na qual o humorista passaria um mês se alimentando apenas do “bolinho frito de carne e ovo”. A sátira brasileira chegava a contar a história do bolovo, que teria sido inventado quando um caminhão carregado de ovo cozido capotou na estrada, sendo seguido de um caminhão de carne moída e outro de massa. Uma moradora da área do acidente teria juntado os três produtos, jogado no óleo e inventado o bolovo.

Scotch egg do restaurante Canteen, em Londres

Scotch egg do restaurante Canteen, em Londres

Apesar de ser um salgadinho popular em bodegas de São Paulo e outras cidades do Brasil, e apesar de a paródia da TV dizer que o Brasil está no “primeiro lugar mundial no consumo” de bolinho de carne e ovo, o bolovo não é exclusividade brasileira. O scotch egg, uma das comidas mais populares e tradicionais da Inglaterra, segue um modelo bem parecido: um ovo cozido recheando um bolinho de carne. Apesar de ser bem parecido com o bolinho de carne e ovo do brasil, o scotch egg costuma ser preparado não com carne bovina moída, mas com uma instituição britânica chamada “sausage meat”, uma mistura de carnes processadas que se assemelha ao recheio de linguiças, mas que é usada para vários outros pratos.

O scotch egg é uma das guloseimas britânicas mais populares. Todo supermercado tem versões já prontas do bolinho de carne e ovo, que precisam apenas ser esquentadas e servidas. Pequenas bodegas que vendem salgados pela rua também oferecem muitos bolinhos, e há lojas especializadas e barracas que fazem bolinhos artesanais nas principais feiras de Londres.

O pesquisador inglês Andrew Webb diz que o amor dos ingleses pelo bolovo local se dá pelo fato de que o scotch egg pode ser considerado uma versão portátil do café da manhã completão. Em um único bolinho há o ovo, a carne se linguiça e o pão triturado em que o bolo é passado antes de ser frito (a farinha de rosca). Se acompanhado de feijão e tomate, então, é o próprio café da manhã.

O bolovo ideal tem uma capa crocante da fritura, uma carne bem temperada e o ovo continua com a gema cremosa, sem ter ficado totalmente cozida. Webb explica que existe uma forma “correta” de comer o scotch egg. Primeiro, o bolinho deve ser cortado ao meio. Em seguida, morde-se o bolo a partir das pontas, até finalizar.

Os principais mercados de Londres atualmente tem barracas especializadas em bolinhos assim artesanais, preparados e servidos da melhor forma possível. No Borough Market, por exemplo, pode-se comer scotch egg como refeição, acompanhado de salada e batata doce frita.

Há variações ainda que são miniaturas do bolovo tradicional, usando ovo de codorna em vez do ovo de galinha tradicional. Além disso, há lojas apostando em receitas variadas para o bolovo inglês. Alguns usam black pudding misturado à carne, para dar um sabor mais intenso. Em Brighton, no sul da Inglaterra, o Monstro comeu um bolovo preparado com peixe defumado no luar da carne, que fica uma delícia e bem diferente.

Scotch egg do Borough Market

Scotch egg do Borough Market

História
Segundo webb, não existe nada que comprove o momento exato da criação do bolovo inglês. Historicamente, era comum colocar ovos cozidos no centro de outras comidas, para melhorar sua aparência, então seria natural imaginar o surgimento do scotch egg. Segundo seu livro “Food Britannia”, uma das primeiras receitas do bolovo aparece no livro “A New System of Domestic Cookery”, publicado por Maria Eliza Ketelby Rundell em 1809. Segundo a enciclopédia “Oxford Companion to Food”, o prato é inspirado em kaftas indianas, pequenos bolinhos de carne moída.

Apesar de não existir um registro oficial da criação do scotch egg, a loja de departamentos especializada em comidas Fotnum Mason alega ter inventado a iguaria.

Segundo a Fortnum Mason, nos anos 1730 os donos da loja investiram na criação de comidas que servissem para viajar, servindo como lanche e refeição portáteis enquanto as pessoas eram transportadas durante longas viagens pelo interior da Inglaterra em carroças. Foi nessa época que a empresa criou a ideia de ovos cozidos inseridos em uma mistura de carnes e frito, um lanche completo, cheio de proteínas, para deixar a fome distante.

A Fortnum Mason diz que o nome não tem nenhuma relação com a Escócia, apesar de scotch ser o termo em inglês para se referir a “escocês”. Na verdade, na época, o termo “scotched” era usado para se referir a “processado”, portanto, em vez de ovo escocês, trata-se de um ovo processado.

Assista abaixo ao vídeo humorístico Hermes e Renato sobre o bolovo

Versões da comida mais feia

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Haggis vegetariano

Haggis, prato nacional da escócia e uma das comidas mais feias do mundo, mas é tão popular que gerou vários produtos com base nele. Há uma versão vegetariana, um tempero de haggis para batatas fritas e até uma versão de haggis frito.

Leia mais sobre a buchada escocesa

Haggis frito

Haggis frito

A principal marca de haggis industrializado criou uma versão vegetariana, que é preparada com aveia, lentilhas, feijão, cebola, cenoura, nabo, cogumelos, sementes de abóbora e temperos iguais aos que vão na receita carnívora. O Monstro experimentou e achou interessante, mas como acompanhamento (como todo vegetal deveria ser) e não como prato principal.

Em Edimburgo tem ainda o chippi Mermaid, uma loja especializada em comidas fritas, que prepara a buchada escocesa empanada e mergulhada no óleo. Claro que fica uma delícia, mas não deve ser muito saudável.

batata frita sabor haggis

batata frita sabor haggis