Bifes indigestos

bifesO apelido dado pelos franceses para os ingleses foi abraçado no Reino Unido como uma das principais tradições gastronômicas do país: Rosbifes, uma referência ao hábito de comer carne assada entre os britânicos. Para o português João Magueijo, professor de Física no Imperial College, entretanto, os ingleses são indigestos bifes mal passados.

Magueijo lançou neste ano um “anti-livro de viagens” chamando a Inglaterra de “porcaria de país”, terra de gastronomia incomestível, de gente com pouco higiene e de pessoas que vivem embriagadas. Os ataques de Magueijo chamavam a cultura inglesa de patologicamente violenta.

O título do trabalho satírico, mas com um fundo crítico, foi tirado de um dos principais focos de ataque aos britânicos: a comida. O nome da obra é “Bifes Mal Passados — Passeios e Outras Catástrofes por Terras de Sua Majestade”, uma referência ao rosbife tão famoso e tão tradicional nos almoços de domingo no Reino Unido.

Apesar de o livro ter sido lançado apenas em português, não demorou para que os principais jornais ingleses traduzissem algumas partes e publicassem textos reagindo às “ofensas”.

Magueijo mora há mais de duas décadas em Londres e explicou em entrevista ao jornal português “Observador” que o objetivo do livro é ajudar a melhorar a auto-estima dos portugueses, expondo que os ingleses têm muitos defeitos.

Magueijo diz que não é raro um inglês tomar 12 pints de cerveja, e que até um cavalo ficaria bêbado com a quantidade de álcool bebida pelos britânicos.

Apesar da reação ofendida dos jornais ingleses, o português disse acreditar que tudo seria visto de forma bem humorada. “Acredito piamente que um inglês que lesse o meu livro não se sentiria ofendido, e seria o primeiro a inventar pilhérias ainda piores sobre a Inglaterra” , disse, em entrevista ao jornal “Correio da Manhã”.

Magueijo se refere aos ingleses como “os bifes”, como os franceses que chamavam-nos de “os rosbifes”. O poruguês não se debruça de forma aprofundada sobre a comida, entretanto, alegando que evita a dieta britânica e se aproveita da grande variedade de comidas de outros países. Ele diz que os danos sofridos pelo seu organismo após duas décadas de comida britânica “seriam vastos, imensos até, se de fato ingerisse essa dieta. Felizmente, passo metade do tempo fora de Inglaterra, e quando em Londres evito a comida inglesa. O que não falta aqui é cozinha de outros países, incluindo a portuguesa. Não morro à fome, abstendo-me das gordurreias inglesas”, disse, em entrevista ao “Correio da Manhã”.

Em um trecho do livro em que ele fala sobre gastronomia, Magueijo ataca a preferência britânica por frituras: “Os restaurantes são asquerosos, servem peixe frito, com batatas fritas, com cebolas fritas, tudo frito, comida tão oleosa que dá vontade de a passar por detergente antes de a meter na boca, perdão, aquilo não é gordura, é banha artificial, gordurreia de plástico, e então a carne ainda é pior — empadões, salsichas, sebos e óleos vários: eis os untos com que se alimentam os bifes!”

O português não foi o primeiro estrangeiro a atacar a gastronomia inglesa. Os americanos Paul Theroux, em The “Kingdom By The Sea” de 1983, e Bill Bryson, em “Notes from a Small Island” de 1995, também atacaram a culinária britânica, assim como a jornalista Sarah Lyall, autora de “A Field Guide to the English”, de 2009.

Leia um trecho de “Bifes Mal Passados” no site de revista portuguesa Público

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