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O lanche dos corajosos

“Quando você pegar o gosto, você não vai querer desperdiçar as adoráveis enguias gelatinosas” – Joe Brown

A traditional British snack of jellied eels

A cara de nojo parece obrigatória. Quase todo mundo que decide experimentar pela primeira vez um dos pratos mais representativos da gastronomia inglesa se assusta e tem um certo medo ao ficar cara a cara com as jellied eels. Ainda assim, o prato é histórico, faz parte da formação dos ingleses e é bem gostoso, quando se supera o estranhamento inicial. É um bom lanche, mas é preciso ter coragem.

eel2Para alguns, a simples descrição do prato é suficiente para fazer desistir: Jellied eels é um prato preparado com postas de enguias cozidas, resfriadas, e servidas dentro da gelatina natural que é liberada em seu cozimento. As enguias são naturalmente gelatinosas, e liberam grandes quantidades de colágeno quando elas são cozidas.

Soa estranho, é verdade. A enguia viva se parece uma cobra escorregadia e feiosa. Preparada para consumo, a aparência da comida, servida normalmente em pequenos potes em que a gelatina é visível e cobre parte dos pedaços de enguia, também não ajuda muito.

Não é tão comum em outras partes do mundo comer gelatina salgada, assim como não é tão comum comer enguia (que na verdade é um peixe de carne branca com sabor simples), e não é tão comum comer peixe cozido frio.  O estranhamento comum em estrangeiros existe até mesmo entre as novas gerações de ingleses, que se interessam cada vez menos pelas enguias frias. Mesmo eles têm um certo medo de experimentar.

Enguias gelatinosas servidas quentes em loja de tortas

Enguias gelatinosas servidas quentes em loja de tortas

Ao colocar na boca, o estranhamento continua. Muitas vezes a cara de nojo inicial continua presente mesmo nos corajosos que decidiram experimentar a iguaria. A textura dificulta o reconhecimento do que os não-iniciados estão comendo, e é muito comum que mesmo quem queira comer, desista no meio do caminho.

Apesar de tudo isso, “não há nada mais britânico de que um pote de jellied eels”, diz o chef/apresentador inglês Gordon Ramsey.

eel4E a perseverança de quem quer experimentar comidas diferentes é recompensada com um gosto que se ganha com o tempo. Superado estranhamento inicial, enfrentado o medo e o nojo desnecessários, é possível gostar e ser feliz comendo a enguia em gelatina.

História
A receita de enguia gelatinosa vem do século XVIII, uma tradição mais antiga de que o fish and chips. Ela surgiu por causa da grande quantidade de enguias encontradas no Tâmisa, da facilidade de capturar as enguias e do apelo nutritivo delas para as classes operárias que se formavam por toda a Inglaterra.

As jellied eels são consideradas precursoras da atual moda de food trucks que toma conta de Londres (e de outras cidades do resto do mundo, como São Paulo). No passado, elas eram servidas em barracas na rua por todas as partes de Londres como fast food.

Torta de carne com purê, enguia e molho de salsa

Torta de carne com purê, enguia e molho de salsa

Com o tempo, além de serem uma comida vendida na rua, as enguias se tornaram acompanhamento obrigatório das tradicionais tortas de carne que são servidas em estabelecimentos dos mais tradicionais da Inglaterra. A primeira loja de torta e enguia abriu em Southwark em 1844.

A tradição se manteve forte e, no final da Segunda Guerra Mundial, havia pelo menos cem casas de torta e enguia em Londres.

eel9Abundantes no Tâmisa, elas se tornaram populares por serem baratas e nutritivas. Atualmente menos comuns, elas continuam sendo pescadas no rio mesmo nas áreas centrais da cidade (o governo garante que atualmente o rio é limpo o suficiente e que elas podem ser comidas). As enguias também são protegidas para evitar a pesca excessiva e seu desaparecimento dos rios britânicos.

Tradição e atração turística
Não é mais tão fácil achar jellied eels nas áreas centrais da capital inglesa. Mesmo as casas tradicionais de tortas em que as enguias são servidas como acompanhamento, têm se tornado cada vez mais raras. A enguia em gelatina é parte da herança culinária do país, e chefs renomados como Ramsey estão engajados na manutenção do costume.

Entre 1994 e 2014, 39 lojas especializadas em servir enguias juntamente com as populares tortas de carne ingleses foram fechadas em Londres.Há quem fale no risco de desaparecimento da tradição britânica, mas o consumo de enguias ainda é grande no Reino Unido. Segundo o “Daily Mail”, as enguias voltaram a ganhar popularidade por conta da crise financeira internacional, que fez com que as pessoas passassem a buscar comidas mais baratas. Segundo o jornal “Telegraph”, em média são consumidas mais de 300 toneladas de enguias por ano ali. Segundo o jornal, o turismo está ajudando na sobrevivência da tradição.

É fácil determinar o público atual das jellied eels. É só entrar em uma das lojas de torta e enguias que ainda existem, especialmente na periferia de Londres, e perceber que a clientela é formada por dois grupos: idosos britânicos apegados à tradição e jovens turistas que querem experimentar a iguaria.

Apesar da cara de nojo inicial, o fato de a gastronomia ter se tornado uma grande moda internacional faz com que mais viajantes se interessem pelas tradições locais dos locais que visitam, e não são poucos os turistas que buscam conhecer as enguias gelatinosas, mesmo com todo o estranhamento do mundo.

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Ao comer a enguia pela primeira vez, é preciso tomar um pouco de cuidado. As postas de enguia costumam ser colocadas inteiras na boca. Apesar da textura estranha, a pele e a carne são comidas juntas. A carne macia deve ser mastigada cuidadosamente, e o pequeno osso dela separado dentro da boca. Em alguns lugares, o vendedor costuma avisar para ter cuidado com o ossinho, que não deve ser engolido.

Comer enguias gelatinosas é estranho, mas há um caminho para se iniciar nessa “arte” gastronômica. Quando as enguias são servidas com tortas de carne nas “pie houses” inglesas, elas costumam ser aquecidas, o que diminui o estranhamento e ajuda até mesmo a gostar delas. Servidas quentes, as enguias perdem a textura que assusta, e deixam mais evidente o sabor de peixe e os temperos que acompanham. Depois de comer a enguia servida quente, vale a pena pedir o pote dela fria, e experimentar a textura gelatinosa.

As enguias ainda são vendidas em barracas especializadas em frutos do mar para consumo imediato. Elas não são tão populares nas áreas centrais de Londres, mas fora da capital, especialmente nas cidades litorâneas como Brighton e Whitstable, é muito comum ver jellied eels vendidas nas ruas. Além disso, as jellied eels podem ser encontradas já prontas em supermercados.

O melhor lugar para experimentar as jellied eels em Londres, entretanto, são as lojas mais antigas de tortas, chamadas de Pie and Mash shops.

Algumas das mais famosas são a Goddard’s (22 King William Walk), a M. Manze (87 Tower Bridge Rd.), F. Cooke (9 Broadway Market), Poppies (6-8 Hanbury St.), e Clark’s (46 Exmouth Market)

As jellied eels são tão importantes para a cultura britânica que inspiraram uma canção de Joe Brown, que diz que “quando você pegar o gosto, você não vai querer desperdiçar as adoráveis enguias gelatinosas”

Ouça a música abaixo

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A comida trash dos chefs estrelados

Danny Meyer e David Chang têm os restaurantes mais premiados, aclamados e idolatrados de Nova York, com comida de altíssimo nível que muitas vezes custam valores estratosféricos. E depois de passar horas trabalhando com foie gras, trufas e outros alimentos requintados e caros, eles largam tudo para ir comer um pedaço de galinha empanada e frita por menos de U$ 10 numa rede de fast food especializada em fazer concorrência com o KFC, o Popeye’s.

A caixinha em que vêm a galinha frita e o biscuit do Popeye's

Originado em Nova Orleans, o Popeye’s é menor e menos conhecido de que a rede de frango frito do Kentucky, mas ganha adeptos mesmo na alta gastronomia por um tempero mais forte, apimentado, e por uma capinha empanada muito crocante. O restaurante surgiu nos anos 1970 em Baton Rouge, a rede tem cerca de mil lojinhas quasde exclusivamente nos Estados Unidos.

O ambiente das lanchonetes é ainda menor e menos agradável de que o do KFC, com espaço praticamente apenas para comprar a comida e levar para comer em outro lugar, mas o sabor e a textura dos pratos preparados lá fizeram com que a rede vencesse vários concursos nacionais de melhor frango frito das grandes redes desse tipo de fast food. Um dos motivos, alega-se, além do tempero, é o fato de que o Popeye’s serve quase exclusivamente isso, frango empanado e pãezinhos tipo biscuit.

Os dois tipos de galinha empanada e frita que são servidos bem baratinhos no Popeye's

Em Nova York há nove lanchonetes da rede Popeye’s, sendo sete delas em Manhattan. Ela chama menos a atenção, mas pode ser uma boa alternativa para uma comida rápida e barata, se não há preocupação com limites de calorias também. As refeições individuais, com três pedaços de frango frito, um pãozinho e algum outro acompanhamento custa em torno de U$ 5, com bastante comida para servir por todo o dia.

O Monstro pulou os acompanhamentos e experimentou dois preparos da galinha empanada da lanchonete. Pediu o tradicional combinado de asas e coxas de galinha e um especial de filezinho. Os dois são cobertos com massas de empanar diferentes. Os tradicionais lembram o KFC, mas são mais temperados e crocantes. Os segundos recebem uma massa mais clara e com sabor bem característico e diferente do que há em outras lojas do tipo.

Uma das poucas variações que o Popeye’s oferece são pedaços de camarão empanados com a mesma massa que é usada para fazer a galinha frita. São pequeno pedaços de camarão com uma capinha crocante e apimentada, bem gostosos e excelentes para acompanhar uma cerveja gelada.

Serviço:
Lojas do Popeye’s em NY

Não acredita? Então olha aí também…
Danny Meyer fala que visita o Popeye’s 2 vezes por ano

David Chang inclui restaurante em seus prazeres culpados

Pé na areia de Manhattan

Um pedaço do sul da ilha de Manhattan costuma ser comparado a Miami. Com uma rua fechada para trânsito formada por lojas e restaurantes de todos os lados e um pequeno shopping entrando pelo East River na ponta, o Píer 17 tenta criar uma pequena praia no meio da cidade. O clima montado é totalmente artificial e chega a ser engraçado, mas a verdade é que sentar no bar que simula praia com areia no chão e coqueiro artificial e combater o calor com uma cerveja pode ser uma experiência deliciosa.

A praia artificial do Píer 17

O Píer  é o ponto de partida dos passeios de barco em torno de Nova York. Ali é possível ver centenas de turistas em grandes grupos sendo levados como gado de um lado para o outro, e finalizando o tour com tempo livre para ir nas lojinhas de suvenires da região.

Bares do Píer

Mas o lugar também serve para comer, mesmo que não seja um ponto exatamente valorizado pela alta gastronomia. O próprio bar de praia oferece comidas básicas, como sanduíches e batatas fritas, que acompanham bem as cervejas.

Região de onde saem os passeios de barco do Píer 17

A maior parte dos restaurantes de verdade fica do lado sul do píer. Eles disputam os turistas com ofertas de preços baixos e cardápios com frutos do mar, mas nenhum deles merece uma menção mais honrosa da crítica gastronômica. Dentro do pequeno shopping, há uma praça da alimentação com opções mais ligadas à fast food e a preços mais baixos.

A parte de cima do Píer

A região do South Seaport, como são conhecidos o píer e a rua, fica no mesmo lugar em que existiu um dos primeiros e mais importantes mercados de comidas de Nova York, o Fulton Market, e do lado de uma enorme peixaria antiga, mas a região se condolidou atualmente só como shopping realmente.

Praça da alimentação dentro do shopping

O Píer 17 pode não ser o melhor lugar para comer bem, ou para conhecer a verdadeira Nova York, mas oferece um clima bem agradável e divertido para quem decide enfrentar a Miami local por uma tarde.

A rua fechada para trânsito do South Seaport, um pedaço de Miami em NY

Serviço:
South SeaPort

Comida na rua

Almoço de nova-iorquinos é só um lanche rápido, comido na rua, com pressa para acabar e voltar logo ao trabalho. Enquanto no jantar os restaurantes da cidade ficam apinhados de gente em busca de comida boa servida com calma, no meio do dia eles buscam só matar a fome de forma simples e veloz. Os restaurantes até ficam mais baratos ao longo da tarde para tentar atrair mais gente, mas quem faz mais sucesso com os locais na hora do almoço são os carrinhos que vendem comida no meio da rua, que quase levam a comida até seus clientes apressados.

Fila para comer a comida de rua do Calexico, o carrinho itinerante mais na moda de Nova York

O que pode ter começado com as carrocinhas de cachorro-quente, depois ganhou espaço com dezenas de carroças especializadas em comida árabe, se especializou e virou um ramo paralelo aos dos restaurantes, com carrinhos extremamente bem equipados, cardápio bem planejado e variado, comida preparada de forma profissional, grande disputa e um público cada vez mais fiel. Em todas as partes da cidade é fácil ver esses pequenos caminhões entre o meio dia e as 15h. Eles ficam parados na calçada, servindo a clientes que chegam a formar longas filas.

O Bistro Truck, com comida árabe da região do mediterrâneo

É possível encontrar de tudo nesses carrinhos. Tem hambúrguer, comida mexicana, Cal-Mex, mediterrânea, doces, comida japonesa, churrasco, uma variedade incrível. Cada van muda de lugar todos os dias, e as redes sociais na internet servem para divulgar a cada dia onde encontrar esses carros de comida. O site findnycfoodtrucks.com é um bom começo para saber onde vai estar cada tipo de comida itinerante, mas o mais legal é se deparar com algo que não se espera, de preferência sem fila, para poder comer algo relativamente simples, rápido e a preço acessíveis.

No meio da rua, o Calexico prepara as comidas passo a passo com cuidado e muita qualidade

Uma das vans mais concorridas em 2010 era a Calexico Carne Asada, especializada na versão californiana da comida mexicana, servindo birritos, tacos e quesadillas com mais qualidade de que muitos restaurantes especializados da cidade. O único problema é que a moda é tão grande que na hora do almoço não é estranho ter que esperar por até mais de meia hora, no sol, para poder comer a comida do Calexico, o que quebra o valor de comida rápida. Por outro lado, com uma minichurrasqueira, eles assam as carnes na brasa e na hora, preparando comida muito saborosa no meio da rua.

A quesadilla de carne do Calexico, considerada uma das melhores da cidade

O que mais há, entretanto, são as barracas de comida halal, e o tempero árabe é um dos que mais se sente nas ruas da cidade. São pratos e sanduíches com galinha e carneiro, tudo por cerca de U$ 5. A comida não chega a ser excepcional, mas é interessante e fácil de achar, comer e voltar para casa. Uma das vans especializadas, o Bistrô Truck, tenta fazer uma comida árabe mais mediterrânea e bem cuidada. Eles oferecem por U$ 11 um prato gigante com um pouco de cada tipo de carne (boi, galinha e carneiro), arroz, cuscuz e salada.

Prato misto do Bistro Truck

Como o trabalho desses carros é especialmente durante a semana, vez por outra há eventos de fim de semana que reúne vários desses carrinhos para que seja mais fácil conhecer e experimentar cada um deles. O único problema é que esses eventos podem reunir gente demais, como aconteceu outro domingo no Hell’s Kitchen. Cada fila demorava mais de 40 minutos, no sol, o que tornava menos agradável o evento gastronômico.

Fila para comer comida itinerante em evento no Hell's Kitchen, bairro do west side de Manhattan

Comer na rua pode ser uma das melhores formas de economizar dinheiro e ao mesmo tempo mergulhar no estilo de vida nova-iorquino, por mais que seja abrir mão da hora em que os melhores restaurantes estão mais vazios e cobrando preços mais baixos de que à noite.

Vans de comida no Hell's Kitchen

Comida em campo

Esporte nos Estados Unidos é mais entretenimento, diversão, festa de que puramente disputa. Quando um americano compra ingresso para ir assistir a uma partida de qualquer um dos três principais esportes do país (basquete, beisebol e futebol americano – quatro se o hockey também contar), ele espera mais de que o jogo, mas também música, imagem, humor, dançarinas da torcida e, claro, comida. Dentro do pacote de entretenimento sempre há espaço para uma vasta gama de petiscos diferentes.

Batatas fritas, onion rings e cachorros quentes em jogo de beisebol

Em qualquer ginásio ou estádio do país há dezenas de lanchonetes e estandes de comida, para poder dar conta da demanda e matar a fome e a sede dos torcedores. São tantas opções e o atendimento é tão expresso que é difícil verem se formar filas intermináveis, por mais que quase todo mundo acabe comendo e muita gente pareça estar num piquenique de tanta coisa que compra. É comum não haver monopólio de uma única lanchonete, oferecendo uma variedade maior ainda de qualidade e atendimento.

Pequenos estandes costumam oferecer condimentos e acompanhamentos para os sanduíches

Até mesmo em jogos de futebol, no novo estádio do New York Red Bulls, por exemplo, há opções de comida para fazer um brasileiro acostumado com a ausência de opções no seu país ficar perdido. É uma boa compensação pelo futebolzinho fraco apresentado em campo.

Lanchonetes em estádio de futebol

O cardápio começa pelos basicões que aparecem em todos os jogos. Cachorros quentes, nachos, pretzels, batatas fritas, hambúrgueres. Em qualquer jogo é possível comer coisas simples assim. Todas as opções são sempre de comidas pesadas e gordurosas, mas isso deixa o gosto melhor, pelo menos.

Depois disso vêm as especificidades de cada lugar. Cada ginásio e estádio tem lojas próprias, e em alguns esportes costuma ter até uma disputa nacional para ver onde está a melhor comida. Nova York, na verdade, não consegue tanto mérito na disputa, que fica com cidades menos cosmopolitas e mais de raiz. Mesmo assim, com a inauguração do novo estádio dos New York Yankees, neste ano, foi grande a atenção dada à comida que seria oferecida ali.

É importante avisar que, como se espera tradicionalmente, os preços das comidas dentro do estádio são muito mais altos de que os encontrados em bares e restaurantes nas ruas. Um cachorro quente, por exemplo, pode chegar facilmente a U$ 5. Pelo menos a qualidade não deixa muito a desejar, e podem-se encontrar boas comidas dentro do campo.

E, mais importante de que tudo, sempre há cerveja para animar os torcedores…

Não acredita? Então olha aí também…

Comidas de estádio no NYT

Altos preços e muita gordura na NY MAG

Teste do beisebol no WSJ

Os melhores do futebol americano

A cidade menos americana

Manhattan não é o melhor exemplo da realidade dos Estados Unidos. Em termos gastronômicos, isso se registra com a ausência de algumas das marcas mais forte da comida rápida e simples que predomina no resto do país. Algumas das principais redes de Fast Food e Casual Diners não têm lojas nem em Nova York, e muito menos em Manhattan, ou quando tem são longe e pequenas.

O Dairy Queen, que não tem loja em Manhattan

Os mais básicos, como McDonald’s, Burger King, Wendy’s e KFC (entre os FF) e Olive Garden, TGI Friday’s e Applebee’s (dos CD) até têm restaurantes na cidade, mas marcas fortes como o Chili’s, The Cheesecake Factory, Denny’s, e até mesmo Ihop e Dairy Queen ficam longe da cidade cosmopolita.

A loja vista de fora

A maior parte deles nem representam uma perda muito grande. O Chili’s pode até ser um dos melhores Casual Diners, mas não supera bons restaurantes que há em Nova York (onde tem um Outback, para compensar a ausência).

Quem o monstro conheceu na viagem à Filadélfia e achou que faz falta na Nova York quente do verão foi o Dairy Queen, conhecido como DQ. Apesar de servir comidas, o carro chefe do DQ é uma sobremesa, o Blizzard. É impossível traduzir o que é ele para o português, mas fica ali no meio entre o Milk shake e o McFlurry, aquele sorvete da Mcdonalds misturado com chocolates e biscoitos.

O Blizzard, sobremesa que lembra um milk shake, mas não leva leite

O Blizzard é um copo imenso preparado com sorvete e acompanhamentos que são batidos como se fossem um Milk shake, mas que não levam leite, então não é algo para ser tomado de canudo, mas de colher. A consistência fica mais macia e aerada de que sorvete, e mais consistente de que um shake, com o recheio bem misturado.

O DQ tem celebrado os 25 anos dessa invenção durante o ano de 2010, então a rede bombardeia propaganda deles na TV. Além disso há mais sabores a serem escolhidos. O que o Monstro experimentou levava sorvete, calda de morangos (com fruta de verdade) e biscoitos parecidos com Bono de morango. Ficou uma mistura bem interessante.

O Blizzard custa em torno de U$ pelo menor tamanho, mas desde o menor já é sorvete para dividir por três pessoas sem muito sacrifício.

Sanduíche três estrelas na Filadélfia

São 150 quilômetros de distância até a Filadélfia, mas vale viajar para comer os sanduíches do Paesano’s.

Paesano's, sanduíche excepcional na Filadélfia

Pat’s e Geno’s, as duas lanchonetes que brigam pelo título de melhor sanduíche da Filadélfia, não valem nem os U$ 8 que custam. Mas ali pertinho, junto do mercado italiano do sul da Filadélfia, tem uma lanchonete que faz valer a pena qualquer viagem, o Paesanos, com ambiente mais simples e sandubas imensos cheios de recheio e de sabor.

Os sanduíches monstruosos

Foi uma recomendação de um local, um cara que trabalha com restaurantes e entende de comida, que falou que era a lanchonete preferida dos chefs da cidade.

O Paesano's, recheado com carne, maionese com raiz forte, tomate seco, provolone e ovo

O sanduíche que leva o nome da lanchonete é recheado com carne, maionese com raiz forte, tomate seco, provolone e ovo. É uma explosão de gostos diferentes e fortes, algo espetacular. O problema é que é também muito gorduroso e pesado. O outro experimentado foi o Arista, que leva carne de leitão assado inteiro, macia e suculenta, brocolis e provolone. Também excelente.

O Arista, com porco, queijo e brocolis, sensacional

Cada sanduíche custa U$ 8 e dá pra alimentar duas pessoas, mas é melhor pedir um pra cara um e comer até não agüentar mais.

Serviço:
Paesano’s
901 Christian St.
Philadelphia, PA 19147