“Comendo Londres” – Orelha

O texto abaixo é um pequeno resumo de “Comendo Londres – Um Guia para Amar a Pior Comida do Mundo”, e foi publicado na orelha do livro.

capa completa

Ao contrário do que diz o mais forte estereótipo sobre alimentação na Inglaterra, come-se muito bem no país que tem fama de ter a pior gastronomia do mundo. Tão bem, que este livro defende até mesmo que hoje come-se melhor na capital inglesa do que em Paris.

Apesar do tom de provocação, “Comendo Londres” mostra que ficou para trás o tempo em que o cardápio britânico era formado apenas por batatas e carnes cozidas sem tempero, ou fish and chips mergulhado em óleo velho e servido com cerveja quente e sem gás. Hoje Londres é uma das capitais internacionais da gastronomia, com alguns dos melhores restaurantes do mundo e oferta de culinárias de todo o planeta. Além disso, houve uma renovação da culinária local, com a reinvenção dos pratos clássicos do país, agora com mais tempero e sabor – além da sua alma histórica.

“Comendo Londres” convida o leitor a deixar de lado o preconceito e conhecer a cultura gastronômica do Reino Unido. A obra explica o que se come no país, por que se come isso, e indica alguns endereços para comer bem na terra que sofre com o clichê da comida ruim.

Mais de que uma lista de locais “imperdíveis” e “obrigatórios” para o turista, o livro ensina qualquer viajante ou morador local a navegar pela cultura gastronômica inglesa e saber escolher por ele mesmo. Afinal, é melhor ensinar cada um a “pescar”, a descobrir o seu fish and chips favorito, do que simplesmente dar o peixe.

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Apresentação – por Néli Pereira

A jornalista Néli Pereira, da BBC Brasil, escreveu uma pequena apresentação de “Comendo Londres”, publicada na quarta capa do livro. Segue abaixo o texto completo dela.

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“Comendo Londres” é um tratado guloso e curioso para iniciantes e profissionais da entrada ao prato principal para entender a culinária da cidade. O Daniel resume aqui o que me levou quase seis anos para compreender: comer em Londres reflete muito o jeito da cidade – autêntica e orgulhosa de suas tradições, e moderna, multicultural. Ali tem lugar para o seu assado de domingo em família, para o curry mezzo indiano meio londrino, já incorporado ao menu local. Para o fish and chips enrolado em papel e para a gelatina de enguia.

Esse livro ainda faz mais: aproxima a cultura de lá com a nossa – bolovo e buchada inglesa? Oh, yes. No fim, você também vai achar comida de vó colocar gravy em cima do purê de batatas e perceber que a melhor comida, e a melhor cidade, são aquelas acolhedoras.

Néli Pereira é jornalista e morou seis anos em Londres 

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“Comendo Londres – Um Guia para Amar a Pior Comida do Mundo”

capa comendo

Livro mostra que é possível, sim, comer bem na capital inglesa, e traz dicas de pratos tradicionais, pubs, restaurantes e feiras de ruas que fazem parte da cultura local

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O jornalista Daniel Buarque assume um divertido desafio de quebrar preconceitos e estereótipos alimentares para mostrar que a comida londrina possui uma identidade gastronômica marcante. Em uma pesquisa minuciosa, o autor lança o livro “Comendo Londres” e mostra que, apesar da má-fama, é possível, sim, comer bem na capital inglesa.

A obra é uma coedição entre as editoras Livros de Comida e Aeroplano.
Com 240 páginas, e um prefácio escrito pelo ex-correspondente da Globo em Londres, Roberto Kovalick, o livro traz dicas de pubs e feiras de ruas que fazem parte da cultura local para que o leitor sinta-se como um verdadeiro londrino, inclusive no quesito preço. Como exemplo, a obra cita restaurantes indianos e gastropubs que possuem cardápios autorais e muito mais baratos do que restaurantes estrelados. “Há comidas excepcionais, criativas e com toque de chefs talentosos em restaurantes simples, feiras e mercados”, enfatiza Daniel Buarque.

O livro está dividido em 14 capítulos, apresentados como um menu. Ele trata dos pratos mais tradicionais e estranhos da alimentação britânica, debruça-se sobre a história de costumes como o fish and chips, o rosbife, o feijão servido no desjejum, as batatas e o chá. Trata ainda do fortíssimo hábito de frequentar pubs, onde se toma a cerveja inglesa, a ale, uma bebida viva tão deliciosa e diferente das cervejas mais populares no Brasil. A obra inclui ainda sugestões de passeios fora de Londres e fala sobre as sobremesas britânicas. Tudo como numa excelente refeição completa.

Em “Comendo Londres”, o autor compartilha o segredo para se apaixonar pela culinária da cidade e abrir horizontes em relação ao diferente. “Os ingleses comem feijão com molho adocicado no café da manhã – um brasileiro não precisa deixar de lado a sua experiência com o feijão do seu cotidiano ao experimentar a versão popular nos pubs de Londres, mas precisa não ter preconceito na hora de experimentar. Daí surgem ótimas experiências”, explica Daniel.

“Londres é uma metrópole global que oferece algumas das melhores oportunidades gastronômicas do planeta, mas é importante estar interessado em fugir do clichê de que a alimentação inglesa é sofrível e estar disposto a encarar novas experiências e sabores. Assim, pode-se conhecer uma gastronomia secular, de origem medieval, que passou por privações de guerras devastadoras, por uma mentalidade religiosa que inibia qualquer forma de prazer, mas que com o tempo conseguiu se reerguer e consolidar Londres como um dos endereços mais atraentes para quem se interessa pela boa comida no mundo”, defende.

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Vem aí: Comendo Londres – Um guia para amar a pior gastronomia do mundo

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Há décadas a comida inglesa é reconhecida internacionalmente como a pior do mundo. A própria concepção de “gastronomia” é muitas vezes colocada em oposição ao Reino Unido, e é comum ouvir piadas em que as pessoas perguntam de forma irônica: “Existe gastronomia na Inglaterra?”.

“Comendo Londres” vai contra esse estereótipo para mostrar que é possível, sim, comer bem e se encantar com a comida inglesa.

Assim como aconteceu com o “Comendo a Grande Maçã”, sobre a gastronomia de Nova York, “Comendo Londres” vai guiar o leitor pela cultura gastronômica da capital inglesa, explicando o que se come, por que se come e indicando alguns endereços para comer bem. Mais de que uma lista de locais “imperdíveis” e “obrigatórios” para o turista, este livro pretende ensinar qualquer viajante a navegar pela cultura gastronômica inglesa e saber escolher por ele mesmo.

“Comendo Londres” está no forno, quase pronto…

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Comendo Londres

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Comendo Londres – Fish and Chips

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Chá é melhor de que café.

A frase é decretada pelo jornal britânico “The Guardian” logo no início de uma reportagem sobre a forma correta de preparar o chá inglês, com leite e tudo. É uma forma de deixar claro logo de início que o assunto é importante para os ingleses e que de fato a bebida quente preparada com infusão de folhas fermentadas de Camellia sinensis é uma prioridade no país. Mesmo que o café esteja espalhado pela Inglaterra e que seja muito popular (especialmente por conta de cafeterias de rede estilo Starbucks, como Costa e Nero), o chá continua sendo mais popular e é a verdadeira instituição alimentar do país, praticamente um sinônimo de Inglaterra.

O chá é valorizado na Inglaterra como se tivesse propriedades miraculosas, explica a antropóloga Kate Fox. Uma xícara de chá pode curar quase qualquer problema, da dor de cabeça ao joelho ralado, e é remédio para qualquer mal psicológico. A bebida é vista de uma vez só como calmante e estimulante, e tem o poder de ajudar em qualquer situação.

Além disso, o costume de preparar chá serve como reação automática ao desconforto em qualquer situação social. Sempre que há silêncios desconfortáveis, os ingleses interrompem a conversa para preparar um chá.

Apesar de no Brasil existir o hábito de chamar qualquer infusão de chá (de camomila, de boldo, de erva doce, por exemplo) somente as infusões da Camellia sinensis podem ser chamadas de chá: preto, verde ou oolong. O chá mais comum no Reino Unido é o chá preto, comumente chamado apenas de chá (tea), ou “breakfast tea”. As folhas neste caso são fermentadas antes de serem desidratadas. O principal produtor dele é a China também. O chá verde é preparado com folhas desidratadas, mas não fermentadas. o chá Oolong é preparado com folhas “semi-fermentadas”, e tem gosto diferente. Os dois são mais populares na ásia.

O chá é um símbolo do lar britânico. Em uma casa inglesa pode não ter geladeira, pode não ter fogão ou microondas, mas jamais faltará um kettle, uma chaleira elétrica que serve para esquentar rapidamente a água que vai preparar o chá.

É em casa, ao acordar, após a refeição, à tarde, à noite ou em qualquer hora em que duas pessoas se sentarem para conversar, que o inglês mais consome a bebida quente, com leite.

Na rua, o chá divide atenção com o café, vendido em bares, restaurantes e cafeterias e servido de forma pouco elegante, em copos de plástico para consumo na rua.

O diferencial é que a Inglaterra ainda valoriza a tradição do chá da tarde, em restaurantes e hotéis que se especializaram e preparar a longa refeição intermediária da tarde para turistas que querem conhecer o costume britânico e para muitos ingleses que gostam de interromper a atividade do dia, sentar para conversar e beliscar umas comidas. É como o brunch, aquela longa refeição entre café da manhã e almoço servida nos fins de semana, só que qualquer dia e à tarde. só não pode ter pressa.

Mesmo que seja preparado com uma mesma planta, o chá pode ser comparado ao vinho (sempre preparado com uvas) para se dizer que ele pode ser servido com formas e sabores muito diferentes, segundo a enciclopédia Oxford Companion to Food. A enciclopédia Food Lover’s Companion também destaca que, assim como no vinho, uma mesma planta de chá pode ter sabores diferentes dependendo de onde ela for plantada, ou a forma como a folha é tratada depois de colhida. o terroir importa, e o resultado são bebidas com sabores bem diferentes.

Outro dos mais famosos na Inglaterra é o Earl Grey, que é chá preto com essência de óleo de bergamota. Este pe um dos primeiros tipode de chá “blended”, misturado. uma nomenclatura que lembra a forma como os especialistas se referem a uísque. Além dele há o “Lady Grey”, que tem toque cítrico bem mais evidente, o Darjeeling, produzido na Índia. Outro tipo de chá muito popular na Inglaterra é o chai, que é o termo indiano para a bebida e se refere a um chá preparado com especiarias como cardamomo, canela, cravo, gengibre, noz moscada e pimenta.

Veja mais gifs hipnotizantes de chá

O pão que não é (ou, a farofa do churrasco inglês)

Yorkshire-puddings--001É difícil definir o yorkshire pudding. O principal acompanhamento do tradicional rosbife e uma das comidas mais adoradas pelos ingleses não tem tradução para o português, nem é achado facilmente no Brasil.

Seu nome também não ajuda muito. O termo “pudding” costuma ser empregado para se referir a doces, ou a linguiças, mas poderia ser traduzido como pudim, bolo, ou bolinho. O yorkshire, entretanto, muitas vezes é chamado de pão. Mas não é nada disso na verdade.

Rosbife do pub Jugged Hare

Yorkshire pudding acompanha o rosbife do pub Jugged Hare

O formato dele é como de uma pequena tigela feita de massa. A receita, com ovos, leite e farinha de trigo, e a consistência da massa antes de assar, um tanto líquida, lembram uma panqueca, mas o preparo é no forno, onde ela infla como um suflê. Seu preparo tradicional se dá por baixo da carne que assa, recebendo pingos de caldo cheios de sabor soltos por ela. A textura dele depois de pronto é mista, com uma parte mais alta, aerada, seca e crocante, e outra mais fina, lisa e macia.

Difícil de explicar, mas fácil de comer. O yorkshire pudding se comporta no almoço de domingo como a farofa que acompanha um churrasco no Brasil, usado para absorver o sangue e acompanhar uma bela fatia de carne mal passada. Em entrevista que me concedeu, o pesquisador Colin Spencer disse que o yorkshire pudding que sua avó fazia, recebendo a gordura que pingava da carne assando, era sua comida inglesa preferida. “Enquanto a parte de fora crescia e ficava crocante, o centro ficava mole e com sabor da carne”

O yorkshire pudding começou a aparecer no século XVII, época em que havia farinha de trigo em abundância. Não se sabe exatamente a origem, e não há registros confiáveis dos motivos por que a massinha leva o nome da região de Yorkshire, no norte da Inglaterra. O fato é que foi concebido no norte da inglaterra como uma opção barata de comida, usando uma massa simples para absorver a gordura que escorria da carne assando e servindo como entrada antes do prato principal.

Yorkshire_PuddingO livro que primeiro registrou uma receita de Yorkshire pudding, The Whole Duty of a Woman, de 1737, trata a massa por “dripping pudding”, em referência ao fato de que é assada recebendo os “pingos” que saíam da carne sendo assada. A receita pede que seja preparada uma “boa massa para paanquecas” que vai ser colocada numa forma com um pouco de manteiga e assada por baixo de um pedaço de carne até que fique seca e dourada. O nome yorkshire pudding aparece pela primeira vez dez anos mais tarde, em um livro de Hannah Glasse.

Além disso, a massinha é versátil. a pesquisadora Jane Grigson conta que na sua família o yorkshire pudding também era sobremesa, comida depois da refeição com leite consensado jogado por cima da massa. A diferença, ela diz, é que dessa forma o pudding tem que ser preparado sem os pingos de caldo da carne assada.

O yorkshire é tão importante que se tornou tema de um estudo da Real Sociedade de Química. O grupo de cientistas determinou em 2008 que a massinha tem que ter pelo menos 10cm de altura.

A decisão foi tomada depois que um inglês que mora nos Estados Unidos enviou um questionamento sobre a química por trás do pudding. Ele havia fracassado na tentativa de preparar a receita, e queria saber o que estava fazendo errado. A sociedade é formada por milhares de pesquisadores que trabalham em indústrias alimentares, incluindo o chef Heston Blumenthal. Ela abriu uma discussão interna e chegou à conclusão de que qualquer coisa com menos de 10cm de altura não pode ser chamara de yorkshire pudding.

A sociedade decretou que, cientificamente, o pudding é uma fórmula de carboidrato + H2O + proteína + NaCl + lipídios. A sociedade também determinou que o pudding pode ser servido como entrada, acompanhamento do prato principal ou mesmo como sobremesa.