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O pão que não é (ou, a farofa do churrasco inglês)

Yorkshire-puddings--001É difícil definir o yorkshire pudding. O principal acompanhamento do tradicional rosbife e uma das comidas mais adoradas pelos ingleses não tem tradução para o português, nem é achado facilmente no Brasil.

Seu nome também não ajuda muito. O termo “pudding” costuma ser empregado para se referir a doces, ou a linguiças, mas poderia ser traduzido como pudim, bolo, ou bolinho. O yorkshire, entretanto, muitas vezes é chamado de pão. Mas não é nada disso na verdade.

Rosbife do pub Jugged Hare

Yorkshire pudding acompanha o rosbife do pub Jugged Hare

O formato dele é como de uma pequena tigela feita de massa. A receita, com ovos, leite e farinha de trigo, e a consistência da massa antes de assar, um tanto líquida, lembram uma panqueca, mas o preparo é no forno, onde ela infla como um suflê. Seu preparo tradicional se dá por baixo da carne que assa, recebendo pingos de caldo cheios de sabor soltos por ela. A textura dele depois de pronto é mista, com uma parte mais alta, aerada, seca e crocante, e outra mais fina, lisa e macia.

Difícil de explicar, mas fácil de comer. O yorkshire pudding se comporta no almoço de domingo como a farofa que acompanha um churrasco no Brasil, usado para absorver o sangue e acompanhar uma bela fatia de carne mal passada. Em entrevista que me concedeu, o pesquisador Colin Spencer disse que o yorkshire pudding que sua avó fazia, recebendo a gordura que pingava da carne assando, era sua comida inglesa preferida. “Enquanto a parte de fora crescia e ficava crocante, o centro ficava mole e com sabor da carne”

O yorkshire pudding começou a aparecer no século XVII, época em que havia farinha de trigo em abundância. Não se sabe exatamente a origem, e não há registros confiáveis dos motivos por que a massinha leva o nome da região de Yorkshire, no norte da Inglaterra. O fato é que foi concebido no norte da inglaterra como uma opção barata de comida, usando uma massa simples para absorver a gordura que escorria da carne assando e servindo como entrada antes do prato principal.

Yorkshire_PuddingO livro que primeiro registrou uma receita de Yorkshire pudding, The Whole Duty of a Woman, de 1737, trata a massa por “dripping pudding”, em referência ao fato de que é assada recebendo os “pingos” que saíam da carne sendo assada. A receita pede que seja preparada uma “boa massa para paanquecas” que vai ser colocada numa forma com um pouco de manteiga e assada por baixo de um pedaço de carne até que fique seca e dourada. O nome yorkshire pudding aparece pela primeira vez dez anos mais tarde, em um livro de Hannah Glasse.

Além disso, a massinha é versátil. a pesquisadora Jane Grigson conta que na sua família o yorkshire pudding também era sobremesa, comida depois da refeição com leite consensado jogado por cima da massa. A diferença, ela diz, é que dessa forma o pudding tem que ser preparado sem os pingos de caldo da carne assada.

O yorkshire é tão importante que se tornou tema de um estudo da Real Sociedade de Química. O grupo de cientistas determinou em 2008 que a massinha tem que ter pelo menos 10cm de altura.

A decisão foi tomada depois que um inglês que mora nos Estados Unidos enviou um questionamento sobre a química por trás do pudding. Ele havia fracassado na tentativa de preparar a receita, e queria saber o que estava fazendo errado. A sociedade é formada por milhares de pesquisadores que trabalham em indústrias alimentares, incluindo o chef Heston Blumenthal. Ela abriu uma discussão interna e chegou à conclusão de que qualquer coisa com menos de 10cm de altura não pode ser chamara de yorkshire pudding.

A sociedade decretou que, cientificamente, o pudding é uma fórmula de carboidrato + H2O + proteína + NaCl + lipídios. A sociedade também determinou que o pudding pode ser servido como entrada, acompanhamento do prato principal ou mesmo como sobremesa.

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O melhor sunday roast de Londres

Rosbife do pub Jugged Hare

Rosbife do pub Jugged Hare

O Sunday Roast, carne assada servida aos domingos, é uma das mais fortes tradições gastronômicas da Inglaterra. Todos os domingos, famílias se reúnem em casa ou em pubs para comer o prato, em um costume parecido com o da feijoada brasileira.

Em vez de procurar o “melhor” sunday roast, o ideal é encontrar aquele que é mais tradicional para os ingleses. Assim como a melhor feijoada não é aquela do melhor (e mais caro) restaurante da cidade. A melhor é aquela comida em casa, ou no restaurante do bairro, ao longo de um dia inteiro com boa companhia e muita cerveja.

Rosbife do pub Bull and Last

Rosbife do pub Bull and Last

Sunday Roast é uma coisa “familiar”, que faz os britânicos relembrarem de casa, das avós, dos parentes reunidos. Até hoje ele ainda é comido em casa por muitos ingleses, mas a tradição ganhou as ruas e hoje faz parte do cardápio de bares e restaurantes de todo o país aos domingos.

Praticamente todos os pubs oferecem alguma forma de rosbife no almoço de domingo, e a tradição muitas vezes migrou da casa da avó para o pub da esquina. O pub já tem uma relação forte com seu bairro, e a vizinhança forma grande parte da clientela fixa. Como já dito antes, não existe mais um “melhor pub” para comer o assado.

O assado é servido aos domingos no horário de almoço. É comum que os pubs comecem a servir o prato ao meio dia, e mantenham ele no cardápio até o fim do dia – lembrando que a maior parte dos pubs serve comida de forma ininterrupta durante a tarde. Assim como a feijoada, entretanto, existe o momento ideal, o auge da qualidade da carne assada. Como o assado normalmente é preparado com um grande pedaço inteiro de carne, que vai sendo fatiado e servido à medida que o prato é pedido pelos clientes, é sempre bom evitar estar entre os primeiros ou os últimos a pedir, para pegar uma fatia do meio da carne, fugindo do exterior bem passado e das sobras ao fim do dia.

Uma outra questão importante é que o Sunday Roast tem fim. é muito comum que por volta das 16h do domingo os melhores restaurantes que servem o assado já não tenham mais nenhum pedaço da carne do dia. Nos lugares em que o dife é feito no dia, o prato deixa de ser servido na hora em que a carne acaba.

Alguns pubs de Londres, é verdade, têm um apego menor à qualidade do assado. Os pubs da rede Taylor Walker por exemplo, me deixaram com uma opinião muito baixa de toda a rede por terem servido um assado sem graça, com muita cara de ter sido requentado no microondas. Alguns pubs assim são capazes de oferecer o Roast em qualquer dia e horário, mas a chance de ser uma boa carne recém-preparada é muito baixa.

Ainda assim, não faltam listas e rankings dos melhores da cidade. Isso é especialmente bom para turistas que vão ficar pouco tempo na cidade e querem experimentar o prato – e não necessariamente comer um mais simples em um pub de bairro, algum dos não premiados onde a comida pode não ser tão boa, mas a experiência é mais autêntica.

Entre os rosbifes mais premiados de Londres estão:

Anchor & Hope
Um dos gastropubs mais premiados de Londres, tem um almoço de domingo bem elogiado – e o almoço do fim de semana é a única hora em que ele permitem reservar mesas.
36 Waterloo Road SE1 8LP

Bull and Last
Outro gastropub que faz parte de todas as listas de melhores lugares para se comer em Londres. O almoço de domingo faz parte da tradição do bairro de Hampstead Heath, cujo parque fica cheio nos finais de semana.
168 Highgate Road NW5 1QS

Hawksmoor
Nem tanto pub o local é um dos restaurantes especializados em carnes mais premiados em Londres. Os preços são um pouco mais salgados, mas a carne é muito bem feita.
11 Langley Street WC2H 9JG

The Jugged Hare
Os espetos girando com a carne assando são visíveis aos clientes deste pub que tem no domingo seu principal dia. Vale reservar com antecedência para comer o rosbife.
49 Chiswell St EC1Y 4SA

The Spaniards Inn
Mais um pub histórico em Hampstead Heath, com rosbife elogiado.
Spaniards Rd NW3 7JJ

Roast
Restaurante que fica dentro do Borough Market e que tem como rosbife o carro-chefe. Costuma ser um dos melhores lugares para se comer carne em Londres, mas também tem preços bem acima dos pubs (o assado completo para duas pessoas custa mais de 70 libras).
The Floral Hall, Borough Market, Stoney Street SE1 1TL

Pudim de rim

IMG_3677[1]Nenhum prato representa tão bem o quanto a comida inglesa é desprezada (e desconhecida) no resto do mundo quanto o pudim de rim. Este prato incompreendido e temido, na verdade, é chamado steak and kidney pudding, uma torta longamente cozida no vapor recheada com cubos de carne e rins, além de legumes e vinho ou cerveja. É uma descrição que afasta muita gente, e que cria uma série de tabus gastronômicos.

Mas a verdade é que o nome assusta e afasta mais de que deveria, e que vale ter coragem para experimentar a iguaria. Com uma cobertura macia, em vez de crocante como as tortas tradicionais, e um recheio bem encorpado, com um molho de carne rico e homogêneo, o pudim de rim pode ser uma delícia, não é brincadeira.

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Esse das fotos foi comido no último domingo, em um restaurante do século XVI na pequena cidade medieval de Arundel, ao sul de Londres. Veio acompanhado por legumes cozidos e batatas assadas. Estava uma delícia.

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Para começar, é preciso quebrar o tabu de comer rins. Cortados em pequenos pedaços e misturados ao molho e a pedaços de carne, os rins dão um toque de sabor mais intenso de vísceras à torta, e poderiam passar por pedaços de fígado tranquilamente. Ao mesmo tempo, a receita costuma equilibrar a combinação de carnes, sem deixar que o prato fique com gosto excesivo de vísceras. É verdade que quem não gosta de sabor de órgãos realmente não vai gostar tanto assim do pudim, mas por mais que o uso de rim soe estranho, no Brasil também comem-se vísceras como o fígado, estômago, pulmão, baço e até mesmo tripas. E a verdade é que, se bem preparados, todas são deliciosos.

IMG_3682[1]Em seguida, o tabu do nome. O termo pudding, em inglês, é o equivalente à palavra portuguesa pudim. Em inglês, entretanto, ele não evoca imagens de um cremoso e doce pudim de leite condensado. Na verdade, apesar de a palavra pudim evocar essa imagem de sobremesa, mesmo em português o dicionário aceita o uso do termo pudim como em inglês. Segundo o Aulete, pudim pode se referir a “prato salgado de ingredientes variáveis, em geral com amido, ovos, às vezes queijo, carne de frango desfiado ou peixe, e assado ou cozido em banho-maria.”

Segundo Ivan Day, pesquisador do grupo Historic Food, que pesquisa e reproduz receitas do passado, o termo “pudding” é uma adaptação da palavra francesa boudin que se refere historicamente a misturas de carnes e outros ingredientes cozidas dentro de intestinos ou outra membrana de origem animal. Segundo o jornal “The Guardian”, entretanto, é possível traçar a origem o “pudding” inglês ao período em que os romanos dominaram a ilha, quase dois mil anos atrás, e a versão moderna do pudding teria se desenvolvido no século XVII, junto com tecnologias que passaram a permitir o cozimento no vapor com maior facilidade – sem precisar de tripas.

Origem –

A combinação de carne e rim como recheio de um pudim salgado surgiu em uma receita de 1859, divulgada nacionalmente por Mrs. Beeton, uma das mais famosas autoras de livros de receitas da época, responsável pelo Book of Household Management, de 1861.

Segundo Jane Grigson, uma das mais importantes autoras de livros de receitas do Reino Unido, o pudim de rim é um dos “pratos favoritos” dos ingleses, e foi popularizado por Mrs. Beeton, que disse ter recebido a receita de uma leitora da região de Sussex, local onde se faziam os melhores pudins do país. A criação adicionava rins a um prato chamado “John Bull’s pudding”, inventado por Eliza Acton como um “pudim de carne”. Além de carne e rim, a receita original levava ainda ostras ou cogumelos, para incrementar o sabor.

Nos dias de hoje, o pudim de rim não é mais tão popular, apesar de ainda ser o prato mais essencialmente inglês que existe. Segundo o jornal “Telegraph”, um dos motivos para a diminuição na popularidade do pudim de rim é o trabalho para preparar a receita. Com uma maior participação das mulheres no mercado de trabalho depois da Segunda Guerra Mundial, a comida inglesa buscou pratos mais simples e fáceis de fazer – e o pudim de rim levar mais de três horas para ficar pronto. O que surgiu, para compensar, foram pubs e restaurantes que servem o prato, e versões industrializadas semi, ou totalmente, prontas para o consumo, mas sem charme ou delicadeza de uma receita caseira.

Foto de Steak and Kidney Pudding do Guardian

Foto de Steak and Kidney Pudding do Guardian

O pub no meio do nada

IMG_9020O trem que sai de Norwich em direção a Gunton tem apenas um vagão, algo estranho para quem se acostuma a viajar em longos comboios na estrada de ferro do Reino Unido, mas que dá uma ideia do quanto isolado é o vilarejo de Thorpe Market, onde fica o Gunton Arms, um pub no meio do nada. Depois de viajar mais de três horas e desembarcar na deserta estação de trem em Gunton, ainda é preciso andar por quase 30 minutos para chegar ao restaurante, mas cada segundo de espera vale pela experiêcia de uma bela refeição com ótima bebida em um ambiente isolado do resto do mundo.

Veja mais fotos do Gunton Arms no Tumblr do Monstro

IMG_8990O pub na verdade fica no meio de um parque que é uma reserva para veados selvagens – e é possível ver muitos dos bichos passeando livremente. É uma bela casa de fazenda com um bar, um restaurante e uma pousada para quem se interessar em ficar algumas noites relaxando longe da civilização.

A grande atração para quem pensa só em comida é o fogão à lenha que ocupa quase uma parede inteira do Elk Room, principal sala do restaurante. É ali que são preparadas excelentes carnes que são as melhores opções do cardápio, e que enchem o ambiente de um cheiro hipnotizante de churrasco.

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O chef Stuart Tattersall criou um cardápio com cara de casa de campo inglesa, investindo em ingredientes locais (incluindo carnes de veado, quando o abate é permitido) e em preparos que valorizam esses ingredientes. A comida é excelente, o atendimento é simpático, e os preços não fogem muito à regra dos pubs de Londres, com pratos em torno de 15 libras (com exceção do prime rib, um imenso pedaço de costela que custa 60 libras, mas alimenta tranquilamente três pessoas).

Além das partes internas, o Gunton Arms tem um amplo jardim com mesas, que também servem para o restaurante, mas que são bons mesmo para passar a tarde (não no inverno, claro) bebendo e conversando. Um almoço simples no Gunton Arms inclui quase sete horas de viagem desde Londres, mas transforma uma refeição em um agradável dia de viagem pelo campo britânico.

Veja o site do Gunton Arms

Veja a crítica ao Gunton Arms no Guardian

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Foto de divulgação do site do Gunton Arms

Veja como chegar ao Gunton Arms

A melhor comida do mundo pelo melhor preço da cidade

A restaurant week, que começou agora em NY, sempre se apresenta como uma ótima oportunidade de comer bem e barato em cidades como Nova York e São Paulo, mas não e preciso esperar por ela para encontrar ofertas perfeitas para equilibrar custo baixo e o benefício da melhor gastronomia do planeta.

Amouse bouche servido no Jean Georges, cubo de melancia com pimenta, cubo de queijo com geléia e azeite e caldo quente de gengibre

Duas vezes por ano, os restaurantes de Nova York se reúnem para oferecer menus especiais a preços mais acessíveis de que o normal, com refeição de três pratos por U$ 24 no almoço ou de U$ 35 no jantar, por pessoa (sem contar imposto e serviço, que jogam os preços para U$ 30 e U$ 44, e sem bebidas). É uma época em que os restaurantes ficam cheios, as reservas são mais disputadas e há oportunidades de encontrar boa comida a bons preços. Mas não é a única.

Sashimi de truta salmonada com ovas no almoço do Jean Georges

Muitos dos restaurantes estrelados de Nova York têm alternativas baratas da sua comida excepcional ao longo de todo o ano. Normalmente isso funciona no almoço, horário em que as pessoas da cidade costumam fazer refeições rápidas na rua e não há fila para reservar mesas e alguns restaurantes ficam vazios. Em vez de fechar as portas, eles oferecem menus mais simples e baratos para atrair pessoas com limite na conta bancária, turistas e refeições de negócios. É assim que pode-se encontrar um menus em restaurantes premiados por menos de U$ 30 por pessoa.

Foie gras brulée, servido om capinha crocante de açúcar caramelizado

As duas melhores opções de custo e benefício de Nova York são os restaurante Jean Georges e o Eleven Madison Park. O primeiro tem três estrelas do Guia Michelin, é considerado “excepcional” pelo “New York Times”. Durante a noite, a refeição no Jean Geroges custa U$ 98 por pessoa, mas todos os dias é possível comer lá por U$ 29 pelo menu de dois pratos no almoço.

Frango com capa de parmesão com alcachofras e molho de limão

Inaugurado em 1997, o Jean Georges fica no Columbus Circle, a esquina sudoeste do Central Park, onde ficam outros restaurantes estrelados. Ele tem um ambiente formal, que exige uso de paletó (gravata é opcional) e onde é melhor fazer reserva com pelo menos um dia de antecedência, por mais que tenha uma parte de bar onde não é exigida tanta formalidade ou reserva. Foi o primeiro grande empreendimento do chef francês Jean-Georges Vongerichten na cidade, e depois do sucesso ali, montou vários outros restaurantes pelo mundo.

Salmão com couscous, molho de tomate e uma fina fatia de pele de peixe frita

O Monstro almoçou no Jean Georges nesta sua última semana morando em Nova York. Fez reserva na véspera, chegou ao lugar ao meio dia, foi rapidamente levado à mesa e recebeu um atendimento impressionante. O menu de almoço inclui dois pratos, uma entrada e um principal, que podem ser escolhidos de uma lista com mais de uma dúzia de opções. A comida é deliciosa, diferenciada, exclusiva, sem esvaziar todos os bolsos.

Sobremesa do Jean Georges, com bolinho de chocolate, sorvete de baunilha e ganache de mel

Antes de servirem a entrada, enquanto se escolhem os pratos, o JG oferece pequenos amouse bouches. Um cubo de melancia com chili e manjericão, impressionante, e um cubo de queijo com azeite e geléia de frutas vermelhas. Vem também uma pequena sopa de gengibre.

E entrada, foram escolhidos dois pratos bem diferentes. Um era um sashimi de truta salmonada, fresca, cortada em cubos e deliciosa, junto com ovas de truta, um caldo de limão e um creme de horseradish, uma raiz forte natural. Combinação excelente. A segunda entrada era ainda mais excepcional, um foie gras brulée, servido quase como um creme brulée, frio e com uma capinha quente e crocante de açúcar caramelizado, por cima de uma torrada.

O primeiro prato principal foi um pedaço de coxa de frango confit, desossada e assada lentamente em gordura, coberta com uma camada crocante de queijo parmesão. Vinha acompanhada por pedaços de alcachofra e um molho amanteigado de limão.

O segundo prato principal, pedido pela esposa, era um filé de salmão cozido acompanhado por um couscous, um molho de tomate e um pedaço crocante de pele de salmão empanada e frita. Estava igualmente delicado e gostoso.

Amouse bouche do Eleven Madison Park

Além do menu, o JG oferece a opção de pedir pratos adicionais por U$ 15. Os dois pratos do menu são suficientes como refeição, mas pode-se experimentar mais pratos pagando um preço não muito mais alto. O restaurante tem uma carta de vinhos gigantesca, com opções boas desde U$ 40 ou com taças de U$ 12. De sobremesa, há algumas opções interessantes de cerca de U$ 10. O Monstro pediu um petit gateau quente acompanhado de sorvete de baunilha e uma ganache de mel, muito bom.

Gourgères, pãezinhos de queijo leves e bons

A outra opção de perfeita combinação entre economia e comida de altíssimo nível é um pouco menos badalada por não ter três estrelas do Michelin, mas apenas uma. O Eleven Madison Park está, entretanto em 50º lugar na lista de melhores restaurantes do mundo segundo a revista “Restaurant” e também recebeu a nota máxima do crítico do “New York Times”.

Manteiga especial preparada com leite de cabra, suave e macia

Parte do império gastronômico de Danny Meyer, um dos empresários com mais força na cena da alimentação nova-iorquina, o Eleven cobra U$ 95 pelo menu mais barato no jantar, mas tem uma opção de dois pratos no almoço por U$ 28. Em vez de separar entre entradas e pratos principais, ele oferece uma lista aberta para que o cliente monte a combinação que achar mais interessante.

Spatzle com carne de porco e cogumelos

O Eleven fica em frente à Madison Square, onde fica o Shake Shack, hamburgueria da moda que também pertence a Danny Meyer. É preciso fazer reserva com um dia de antecedência para sentar no salão principal do restaurante, mas há uma área de bar com mesas menores, menos formalidade e que pode ser acessada sem reserva. Assim como no Jean Geroges, há centenas de opções de vinhos, começando por cerca de U$ 45 por garrafa.

Macarrão com molho de limão e carangueijos

No almoço em que o Monstro teve no Eleven, a refeição começou com pãezinhos, manteiga de luxo, uma manteiga especial preparada com leite de cabra, cubinhos de marshmallow com sabor de cenoura e torradinhas de geléia de frutas e patê de foie. Tudo muito bom.

Carneiro com berinjela

As entradas escolhidas no Eleven estavam entre as coisas mais gostosas comidas durante os seis meses em Nova York. A da esposa era um spatzle, a massa tipo nhoque alemão que não leva batatas, acompanhado por um pedaço de carne de porco assada e cogumelos. A do Monstro era uma massa tipo tagliolini em um molho de manteiga, limão e pimenta e coberto com carangueijo do Alaska, e estava sensacional.

Lasanha de lagosta

Os pratos principais foram um carneiro com berinjela e iogurte, muito saboroso e uma lasanha de lagosta, que vinha com duas ou três camadas de massa e um enorme pedaço de cauda de lagosta no meio, tudo coberto com um caldo tipo bisque de lagosta, sensacional. Este segundo prato, entretanto, exigia o pagamento de U$ 15 adicionais por conta da lagosta, o que valia cada centavo.

trio vermelho de sobremesa

O almoço foi encerrado com uma sobremesa que era um trio de frutas vermelhas, com  um sorvete delicioso de morango, um creme vermelho e um bolinho.

Esses dois restaurantes são o melhor exemplo de alta gastronomia premiada a preços acessíveis. Não chega a ser exatamente barato o custo final de no mínimo U$ 80 pela refeição, é verdade, mas mesmo extrapolando o custo do menu por pessoa e incluindo uma garrafa de vinho, sobremesa e coisas do tipo a conta não passa muito de U$ 120 (cerca de R$ 200), que é até menos do que pode custar uma refeição completa em bons restaurantes de São Paulo, mas com a marca e o reconhecimento internacional na cidade mais cosmopolita do mundo.

Serviço:
Jean Georges
1 Central Park W
New York, NY 10023
(212) 299-3900

Eleven Madison Park
11 Madison Ave
New York, NY 10010
(212) 889-0905

Não acredita? Então olha aí também…
Jean Georges no NYT

Eleven no Yelp

Padaria da cidade

Quando chega a hora do almoço, durante a semana, Nova York fica um tom mais caótica de que já é normalmente. As ruas são tomadas por todas as pessoas que estão trabalhando e saem à procura de comida, com pressa, um tanto correndo, disputando espaço em cada um dos milhares de restaurantes da cidade. Em uma semana na cidade já dava para saber que, se puder, é melhor não procurar almoço entre as 12h30 e as 14h (algo semelhante com o que acontece em São Paulo ali na região da avenida Paulista).

As sopas servidas na City Bakery

Em alguns lugares, entretanto, a multidão não se dissipa de forma tão rápida apóso intervalo padrão de almoço. Já passava das 14h quando buscaram uma refeição simples e rápida na City Bakery, padaria multifuncional no Flatiron (fletairon, por mais que dê vontade de ler flatirôn).  Aclamada por sua competência e ecletismo em meio às lanchonetes “insípidas”, segundo a revista “New York”, o local continava bem cheio ao longo da tarde.

O muffing do padeiro e a vista da City Bakery desde o primeiro andar

Cheio, mas não impossível. Além de uma área de saladas self service (no peso, como no Brasil), havia a parde dos pães e bolos, de café e chocolate quente, e a das sopas (elas de novo, para salvar do frio).

Pediram então um par de sopas de cogumelos com missô, deliciosas e com ótimo tempero, apesar de não tanto quente quanto se podia esperar. De sobremesa, a escolha foi por um muffin “do padeiro” (baker’s), levemente doce, temperado com canela e recheado com passas e nozes.

Pode ser considerado um achado, uma vez que a relação dos americanos, e novaiorquinos, com o pão é diferente da dos brasileiros. Aqui não há padarias em toda esquina como no Brasil, mas mais cafés onde há oferta especialmente de bolos e doces, mas não de muitos pães. Supermercados foram, até agora, a alternativa encontrada para o suprimento de pão. Não é que não exista demanda e oferta, pois há padarias especializadas, como a própria City, mas que não é algo tão difundido.

Se se consegue enfrentar a multidão, o almoço na padaria da cidade de fato é satisfatório. Para duas pessoas, o caldo e a sobremesa custaram US$ 15. Havia ainda uma grade variedade de bolos e biscoitos (que dizem estar entre os melhores da cidade) a serem experimentados em visitas próximas.

SERVIÇO:

The City Bakery
3 W. 18th St., New York, NY 10011 40.73857 -73.99187
entre 5ª e 6ª ave.
212-366-1414

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NY Mag