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Melhores gastropubs de Londres

Gastropubs são lugares despretensiosos que misturam o ambiente informal do pub com uma cozinha de bom restaurante.

Saiba mais sobre a origem o o funcionamento dos gastropubs em Londres

A lista abaixo reúne alguns dos melhores e mais premiados gastropubs de Londres

The Eagle

The Eagle

The Eagle
Ao abrir a porta do local onde se acredita que foi criado o termo gastropub, sente-se um delicioso cheiro vindo da cozinha que é aberta para o bar. O cardápio não é fixo, muda de acordo com a estação, e a comida é barata e excelente. Não tem serviço de garçom, e muitas vezes mesas grandes são divididas por mais de um grupo.
159 Farringdon Road, EC1R 3AL

Bull and Last

Bull and Last

Bull & Last
Um dos melhores lugares para conhecer a ideia de gastropub, oferece um menu sazonal muito bem feito, variando do risoto de lula ao filé de cervo, com oferta de excelentes pequenos pratos que podem ser pedidos em sequência, como degustação. Oferece ainda excelentes defumados da casa e sorvetes artesanais de sobremesa. Fica localizado no norte de Londres, em frente ao agradabilíssimo parque de Hampstead Heath.
168 Highgate Road, NW5 1QS

Anchor & Hope

Anchor & Hope

Anchor & Hope
Um dos mais aclamados da cidade, tem um cardápio sazonal pendurado na parede com dezenas de boas opções e dois ambientes – um de bar, com ótimas cervejas, e um mais formal, com serviço. Um coelho ao molho de mostarda experimentado estava excepcional, e eles costumam oferecer ainda carneiro, pombo e outras carnes tradicionais no Reino Unido. Não faz reserva e costuma ter mesas disputadas.
36 The Cut, SE1 8LP

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The Gun

The Gun
Localizado em uma das áreas menos interessantes de Londres, o bairro moderno e comercial de Canary Wharf, The Gun é indicado por valer o desvio no caminho pela comida e pela bela vista do rio em uma zona longe do caos turístico.
27 Coldharbour, E14 9NS

The Jugged Hare

The Jugged Hare

The Jugged Hare
Famoso especialmente pelo belo almoço de domingo (a aclamada carne assada) e pelos pratos com peixe, equilibra o conforto do ambiente de pub com uma deoração mais moderna.
49 Chiswell Street, EC1Y 4SA

The Harwood Arms

The Harwood Arms

Harwood Arms
Mais bem avaliado endereço de Londres na premiação nacional gastropubs, é uma junção do ambiente tradicional de pub com uma cozinha de restaurante de alta gastronomia. Isso inclui um serviço detalhista, um preço mais alto (menu de 2 pratos custa 34 libras por pessoa) e um intervalo tradicional de duas horas para a refeição. O menu é de produtos ingleses de alta qualidade.
Corner of Walham Grove and Farm Lane, SW6 1QP

Veja outras listas inglesas de melhores gastropubs em Londres

Metro

Time Out

Londonist

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Clima de pub + gastronomia de restaurante = gastropub

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Até os anos 1990 a comida servida em pubs ingleses eram o símbolo do que havia de pior na então mal-fadada gastronomia do país. Pratos sem sabor, descuidados, preparados no microondas e servidos de qualquer jeito a preços baixos para clientes que queriam apenas forrar o estômago durante a bebedeira. Ir a um pub não era sinônimo de buscar uma boa refeição, tanto que a comida servida ali ganhou o nome de “pub grup”, que apesar de não ser a tradução literal (literalmente seria algo como “escavado”, “retirado da terra”), passa a ideia de “gororoba”.

Clique aqui para ver lista de melhores gastropubs de Londres

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Gastronomia do pub The Eagle

Então, nos anos 1990 as coisas começaram a mudar. Uma mudança de rumo no pub The Eagle, em uma esquina de Clarkenwell, abriu as portas para um novo movimento, criando o “gastropub”, uma mistura da tradição do pub com a gastronomia até então inexistente ali.

Comparados aos pubs do passado, atualmente quase todos os pubs poderiam ser considerados gastropubs, já que a qualidade das refeições em pubs melhorou muito na última década, e é possível comer muito bem mesmo nos mais simples. A definição, entretanto, fica em uma área mista entre o pub tradicional e o restaurante formal, com um menu mais variado, mais bem pensado, muitas vezes ligados a produtos de melhor qualidade e sazonais. Apesar de não ter definiçao oficial, um gastropub é um lugar que serve comida bem preparada e de boa qualidade, a preços acessíveis e em um ambiente relaxado e descontraído.

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Peixe assado no The Eagle

A ideia que melhor resume o gastropub é a de um bom restaurante despretensioso em um ambiente do tradicional bar britânico. A despretensão é tanta que muitos dos mais elogiados gastropubs sequer se classificam como tal, e dizem ser apenas pubs. Claro que há novos gastropubs de chefs pretensiosos que ficam cheios de pompa, mas esta não é a regra.

Gastropub Bull and Last

Gastropub Bull and Last

Assim como não há definição oficial, não existe um padrão para a forma de funcionamento do gastropub. Alguns lugares atuam como pubs, em que as mesas não têm serviço (nem reserva, quem chegar primeiro, pega), os pedidos são feitos diretamente no balcão e pagos na hora. Outros lugares já pedem para fazer reserva de mesa, ou oferecem serviço de garçom e conta no final. E tem lugares que ficam no meio do caminho, com uma área de bar mais informal e uma outra parte separada em que o funcionamento lembra mais um restaurante.

A falta de definição também permite uma maior liberdade ao cardápio, que pode ter influências mais variadas de que os repetitivos cardápios de pub. Por mais que pratos, e especialmente ingredientes, ingleses sejam favorecidos, não é raro ver gastropubs sem oferta de fish and chips, tortas ou bangers and mash, que sempre fazem parte do menu dos pubs tradicionais.

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Bull and Last

Os gastropubs bebem na fonte histórica dos pratos ingleses, mas também se inspiram em culinárias internacionais. É fácil perceber também uma certa influência francesa. Talvez não nos temperos e sabores, mas na forma de servir. Assim como os franceses mudaram a apresentação da comida com a nouvelle cuisine, criando a cultura de pequeníssimos pratos, muitos gastropubs incorporaram a tradição de oferecer aos clientes pratos menores de que uma refeição completa. Assim, os clientes podem pedir uma variedade de pequenos pratos (a preços mais baixos) e experimentar sabores mais diferentes, quase como uma versão reduzida de um menu degustação em um restaurante voltado à alta gastronomia

Uma refeição em um gastropub naturalmente custa um pouco mais de que em um pub normal. Enquanto em um pub simples com comida bem feita o mais comum é cada pessoa pedir apenas um (enorme) prato, e cada um costuma custar entre 10 e 15 libras. Somada a mais um par de pints de cerveja, a refeição fica sempre em torno de 35 a 45 libras para um casal. Em um gastropub a conta fica um pouco mais cara. Por mais que os pratos não custem muito mais, é comum ser uma refeição mais longa, incluindo o pedido de entradas, sobremesas e muitas vezes vinho no lugar da cerveja. Isso tudo aumenta o preço, mas uma ótima refeição completa assim para um casal costuma ficar em torno de 70 libras.

Clique aqui para ver lista de melhores gastropubs de Londres

A gourmetização das batatas fritas

chips2Um dos mais aclamados chefs da Inglaterra passou um tempo fazendo pesquisas científicas na cozinha no começo dos anos 1990 e desenvolveu uma receita de batata frita tão boa, mas tão boa, tão perfeita que o jornal “The Guardian” publicou um texto reclamando que a “chip”, como é chamada a frita na Inglaterra, estava irreconhecível.

A receita é conhecida como “triple cooked chips”, algo como batatas fritas “cozidas” três vezes, porque a batata passa três vezes pelo fogo, um cozimento em água e duas frituras. Esse preparo quase científico cria as batatas “perfeitas”, totalmente douradas e crocantes por fora e macias e saborosas por dentro.

Heston Blumenthal é o chef por trás de dois dos restaurantes mais premiados do Reino Unido, o Fat Duck e o Dinner. Ele diz que a receita das fritas perfeitas são um dos maiores orgulhos da sua carreira na cozinha. O grande segredo, segundo ele, é fazer com que as batatas sejam pré-cozidas e percam sua umidade, se tornando mais secas antes mesmo de serem fritas, por isso o processo tem três passos.

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Triple cooked chips no pub Vanbrugh, de Greenwich

Alguns restaurantes e pubs de Londres exaltam logo no cardápio que seguem a fórmula do chef famoso, e elas realmente são deliciosas,  mas há quem torça o nariz para tanta perfeição. Uma reportagem no jornal britânico “Guardian”, alegou que as tri-fritas são como a TV de alta definição, em que a perfeição dá uma sensação de irrealidade, como se fosse uma batata frita irreconhecível, de tão perfeita. “Em vez de ser devoradas com molhos, elas precisam ser contempladas como uma porcelana valiosa. O que é ótimo, ocasionalmente, mas muitas vezes o que se quer é uma pilha de batatas gordurosas”, defendeu o jornal.

A popularidade das fritas gourmet cresceu tanto no Reino Unido que os Bombeiros de Londres responsabilizaram a tendência por um aumento de 14% no número de incêndios causados pelo uso de fritadeiras de 2012 a 2013. Segundo os bombeiros, a tentativa de reproduzir as batatas perfeitas em casa havia sido responsável por centenas de ferimentos nos últimos anos. Em uma reportagem publicada no “Daily Mail”, os bombeiros de Londres recomendaram que as pessoas comprem as batatas fritas de chip shops, em vez de tentar fazer em casa.

A técnica completa envolve cozinhar as batatas em água, resfriá-las no freezer, e depois fritar duas vezes (com uma nova resfriada no intervalo entre elas).

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Veja abaixo um vídeo em que Heston Blumenthal mostra o processo de preparo das “trifritas”

A receita:
Lave as batatas de corte em pedaços de 2 cm de espessura, mas com tamanhos variados, para ter texturas diferentes

Coloque as batatas cortas em água corrente por 5 a 10 minutos (para retirar o excesso de amido)

Coloque as batatas em água fervendo com um pouco de sal até que fiquem macias (cerca de 10 minutos)

Retire as batatas da água e coloque-as em uma bandeja descoberta na geladeira por cerca de 30 minutos, para esfriar, endurecer e retirar a umidade

Aqueça óleo de amendoim a 130ºC e mergulhe as batatas geladas por 5 minutos

Retire as batatas do óleo e repita o processo de colocar elas em uma bandeja descoberta na geladeira por cerca de 30 minutos

Frite novamente as batatas, agora com o óleo a 180ºC, por 8 a 10 minutos, até que as chips estejam bem douradas.

Veja o guia de chips do Guardian, criticando a perfeição das triple cooked chips.

A melhor comida do mundo pelo melhor preço da cidade

A restaurant week, que começou agora em NY, sempre se apresenta como uma ótima oportunidade de comer bem e barato em cidades como Nova York e São Paulo, mas não e preciso esperar por ela para encontrar ofertas perfeitas para equilibrar custo baixo e o benefício da melhor gastronomia do planeta.

Amouse bouche servido no Jean Georges, cubo de melancia com pimenta, cubo de queijo com geléia e azeite e caldo quente de gengibre

Duas vezes por ano, os restaurantes de Nova York se reúnem para oferecer menus especiais a preços mais acessíveis de que o normal, com refeição de três pratos por U$ 24 no almoço ou de U$ 35 no jantar, por pessoa (sem contar imposto e serviço, que jogam os preços para U$ 30 e U$ 44, e sem bebidas). É uma época em que os restaurantes ficam cheios, as reservas são mais disputadas e há oportunidades de encontrar boa comida a bons preços. Mas não é a única.

Sashimi de truta salmonada com ovas no almoço do Jean Georges

Muitos dos restaurantes estrelados de Nova York têm alternativas baratas da sua comida excepcional ao longo de todo o ano. Normalmente isso funciona no almoço, horário em que as pessoas da cidade costumam fazer refeições rápidas na rua e não há fila para reservar mesas e alguns restaurantes ficam vazios. Em vez de fechar as portas, eles oferecem menus mais simples e baratos para atrair pessoas com limite na conta bancária, turistas e refeições de negócios. É assim que pode-se encontrar um menus em restaurantes premiados por menos de U$ 30 por pessoa.

Foie gras brulée, servido om capinha crocante de açúcar caramelizado

As duas melhores opções de custo e benefício de Nova York são os restaurante Jean Georges e o Eleven Madison Park. O primeiro tem três estrelas do Guia Michelin, é considerado “excepcional” pelo “New York Times”. Durante a noite, a refeição no Jean Geroges custa U$ 98 por pessoa, mas todos os dias é possível comer lá por U$ 29 pelo menu de dois pratos no almoço.

Frango com capa de parmesão com alcachofras e molho de limão

Inaugurado em 1997, o Jean Georges fica no Columbus Circle, a esquina sudoeste do Central Park, onde ficam outros restaurantes estrelados. Ele tem um ambiente formal, que exige uso de paletó (gravata é opcional) e onde é melhor fazer reserva com pelo menos um dia de antecedência, por mais que tenha uma parte de bar onde não é exigida tanta formalidade ou reserva. Foi o primeiro grande empreendimento do chef francês Jean-Georges Vongerichten na cidade, e depois do sucesso ali, montou vários outros restaurantes pelo mundo.

Salmão com couscous, molho de tomate e uma fina fatia de pele de peixe frita

O Monstro almoçou no Jean Georges nesta sua última semana morando em Nova York. Fez reserva na véspera, chegou ao lugar ao meio dia, foi rapidamente levado à mesa e recebeu um atendimento impressionante. O menu de almoço inclui dois pratos, uma entrada e um principal, que podem ser escolhidos de uma lista com mais de uma dúzia de opções. A comida é deliciosa, diferenciada, exclusiva, sem esvaziar todos os bolsos.

Sobremesa do Jean Georges, com bolinho de chocolate, sorvete de baunilha e ganache de mel

Antes de servirem a entrada, enquanto se escolhem os pratos, o JG oferece pequenos amouse bouches. Um cubo de melancia com chili e manjericão, impressionante, e um cubo de queijo com azeite e geléia de frutas vermelhas. Vem também uma pequena sopa de gengibre.

E entrada, foram escolhidos dois pratos bem diferentes. Um era um sashimi de truta salmonada, fresca, cortada em cubos e deliciosa, junto com ovas de truta, um caldo de limão e um creme de horseradish, uma raiz forte natural. Combinação excelente. A segunda entrada era ainda mais excepcional, um foie gras brulée, servido quase como um creme brulée, frio e com uma capinha quente e crocante de açúcar caramelizado, por cima de uma torrada.

O primeiro prato principal foi um pedaço de coxa de frango confit, desossada e assada lentamente em gordura, coberta com uma camada crocante de queijo parmesão. Vinha acompanhada por pedaços de alcachofra e um molho amanteigado de limão.

O segundo prato principal, pedido pela esposa, era um filé de salmão cozido acompanhado por um couscous, um molho de tomate e um pedaço crocante de pele de salmão empanada e frita. Estava igualmente delicado e gostoso.

Amouse bouche do Eleven Madison Park

Além do menu, o JG oferece a opção de pedir pratos adicionais por U$ 15. Os dois pratos do menu são suficientes como refeição, mas pode-se experimentar mais pratos pagando um preço não muito mais alto. O restaurante tem uma carta de vinhos gigantesca, com opções boas desde U$ 40 ou com taças de U$ 12. De sobremesa, há algumas opções interessantes de cerca de U$ 10. O Monstro pediu um petit gateau quente acompanhado de sorvete de baunilha e uma ganache de mel, muito bom.

Gourgères, pãezinhos de queijo leves e bons

A outra opção de perfeita combinação entre economia e comida de altíssimo nível é um pouco menos badalada por não ter três estrelas do Michelin, mas apenas uma. O Eleven Madison Park está, entretanto em 50º lugar na lista de melhores restaurantes do mundo segundo a revista “Restaurant” e também recebeu a nota máxima do crítico do “New York Times”.

Manteiga especial preparada com leite de cabra, suave e macia

Parte do império gastronômico de Danny Meyer, um dos empresários com mais força na cena da alimentação nova-iorquina, o Eleven cobra U$ 95 pelo menu mais barato no jantar, mas tem uma opção de dois pratos no almoço por U$ 28. Em vez de separar entre entradas e pratos principais, ele oferece uma lista aberta para que o cliente monte a combinação que achar mais interessante.

Spatzle com carne de porco e cogumelos

O Eleven fica em frente à Madison Square, onde fica o Shake Shack, hamburgueria da moda que também pertence a Danny Meyer. É preciso fazer reserva com um dia de antecedência para sentar no salão principal do restaurante, mas há uma área de bar com mesas menores, menos formalidade e que pode ser acessada sem reserva. Assim como no Jean Geroges, há centenas de opções de vinhos, começando por cerca de U$ 45 por garrafa.

Macarrão com molho de limão e carangueijos

No almoço em que o Monstro teve no Eleven, a refeição começou com pãezinhos, manteiga de luxo, uma manteiga especial preparada com leite de cabra, cubinhos de marshmallow com sabor de cenoura e torradinhas de geléia de frutas e patê de foie. Tudo muito bom.

Carneiro com berinjela

As entradas escolhidas no Eleven estavam entre as coisas mais gostosas comidas durante os seis meses em Nova York. A da esposa era um spatzle, a massa tipo nhoque alemão que não leva batatas, acompanhado por um pedaço de carne de porco assada e cogumelos. A do Monstro era uma massa tipo tagliolini em um molho de manteiga, limão e pimenta e coberto com carangueijo do Alaska, e estava sensacional.

Lasanha de lagosta

Os pratos principais foram um carneiro com berinjela e iogurte, muito saboroso e uma lasanha de lagosta, que vinha com duas ou três camadas de massa e um enorme pedaço de cauda de lagosta no meio, tudo coberto com um caldo tipo bisque de lagosta, sensacional. Este segundo prato, entretanto, exigia o pagamento de U$ 15 adicionais por conta da lagosta, o que valia cada centavo.

trio vermelho de sobremesa

O almoço foi encerrado com uma sobremesa que era um trio de frutas vermelhas, com  um sorvete delicioso de morango, um creme vermelho e um bolinho.

Esses dois restaurantes são o melhor exemplo de alta gastronomia premiada a preços acessíveis. Não chega a ser exatamente barato o custo final de no mínimo U$ 80 pela refeição, é verdade, mas mesmo extrapolando o custo do menu por pessoa e incluindo uma garrafa de vinho, sobremesa e coisas do tipo a conta não passa muito de U$ 120 (cerca de R$ 200), que é até menos do que pode custar uma refeição completa em bons restaurantes de São Paulo, mas com a marca e o reconhecimento internacional na cidade mais cosmopolita do mundo.

Serviço:
Jean Georges
1 Central Park W
New York, NY 10023
(212) 299-3900

Eleven Madison Park
11 Madison Ave
New York, NY 10010
(212) 889-0905

Não acredita? Então olha aí também…
Jean Georges no NYT

Eleven no Yelp

Aristocracia de restaurantes

A cena gastronômica de Nova York é dominada por uma pequena aristocracia. Uns poucos chefs e empresários detêm a propriedade dos restaurantes mais relevantes da cidade e levam quase todos os prêmios locais e internacionais voltados à comida, deixando pouco espaço para pequenos empreendedores.

Por um lado, investidores inteligentes fazem negócios de forma inteligente e inauguram restaurantes de temas e sabores variados contratando os melhores chefs e administradores para coordenar o trabalho – é o caso de Keith McNeelly e Danny Meyer, cada um com uma dezena de restaurantes. Por outro, sempre que algum chef faz sucesso com seu restaurante, é normal ele abrir outros em uma rede similar, repetindo a fórmula a fim de aproveitar a atenção positiva – como acontece com David Chang e Mario Batalli. Para completar o domínio de grandes nomes da gastronomia, os poucos outros restaurantes “independentes” que conseguem fazer muito sucesso e serem premiados muitas vezes são parte de projetos multinacionais, como acontece com Thomas Keller, Nobu e Gordon Ramsay.

Parte disso é causada pela grande demanda de Nova York por bons restaurantes, e parte pelo fato de os nova-iorquinos serem acomodados e mimados, e quererem os melhores restaurantes em sua esquina, buscando não ter que se deslocar pela cidade. Existe demanda para cada vez mais restaurantes, mas eles podem ser menores e ter várias sedes espalhadas em diferentes bairro.

O “Wall Street Journal” diz que Danny Meyer é tão poderoso quanto o prefeito da cidade, Michael Bloomberg. Com onze “palácios” espalhados por Manhattan, Meyer domina o paladar nova-iorquino com comidas variadas que vão desde o simples cachorro-quente, ou do hambúrguer, até a mais refinada alta gastronomia de restaurantes premiados internacionalmente.

Danny Meyer é o “dono” do Union Square Hospitality Group, empresa que de fato assume a responsabilidade por tantos restaurants premiados. São dele as lanchonetes da rede Shake Shack, que estão se espalhando pela cidade com um hambúrguer simples e gostoso que costumava formar filas de até uma hora na Madison Square. O foco ali são milk shakes, cachorros-quentes e especialmente hambúrgueres. O sanduíche de fato é gostoso, mas caiu num clima de ser considerado por várias pessoas o melhor da cidade, criando um marketing sem tamanho para ele e gerando necessidade e mais lanchonetes.

Meyer tem também o 11 Madison Square, restaurante estrelado pelo guia Michelin e que ficou em 50º lugar na lista de melhores restaurantes do mundo da revista “Restaurant”. Ele tem também os restaurantes e cafés do Museum of Modern Art, incluindo o excepcional The Modern, com comida deliciosa e delicada a preços altos, mas acessíveis.

Completam a rede dois favoritos dos nova-iorquinos que acabam não ganhando tanta atenção de turistas: O Gramercy Tavern e o Union Square Café. Mais simples e com uma cozinha refinada, mas não em excesso, esses dois restaurantes costumam ficar em primeiro e segundo lugar na avaliação dos leitores e críticos independentes do guia Zagat, muitas vezes chamado de bíblia da gastronomia da cidade.

Não acredita? Então olha aí também…
WSJ faz tou por todos os restaurantes de Meyer

O empreendedor de estrelas e o hambúrguer perfeito

Ele não é chef de cozinha, não inventa pratos, não mexe no cardápio, não usa avental sujo e ainda assim é uma das pessoas mais poderosas da gastronomia de Nova York. Onde Keith McNally vai, a nata do poder político, econômico e cultural da Grande Maçã vão atrás, assim como os turistas que visita a cidade. McNally coleciona fãs entre os clientes e divide opiniões entre os críticos, arrecadando ataque a alguns de seus empreendimentos e elogios efusivos a outros.

Keith McNally, durante as obras para montar sua pizzaria, Pulino, aberta em 2010

É dele um dos restaurantes mais badalados pelos guias de turismo, o bistrô francês Balthazar, assim como a padaria deste restaurante e seu “concorrente” pelo sabor francês, o Pastis. Também é dele o italiano Morandi, a pizzaria Pulino e alguns bares, assim como leva sua assinatura o retrô Minetta Tavern, que o crítico do “New York Times” diz ter a melhor carne da cidade e a “Time Out” diz ter a melhor comida nova-iorquina, elegendo o hambúrguer dali como o que há de mais importante em toda Nova York.

O hambúrguer Black Label do Minetta Tavern, melhor comida da cidade segundo a revista "Time Out" (foto da Time Out)

Nascido em Londres, McNally se mudou para os Estados Unidos em 1975 querendo se tornar diretor de teatro. O projeto não deu certo e ele acabou escalando a hierarquia de restaurantes e se tornando muito popular por sua coleção de amigos “importantes” no mundo da moda e do entretenimento. Quando abriu seu primeiro restaurante, o Odeon, o público foi atrás dele, e tem feito isso a cada novo empreendimento.

Por mais variados que sejam os perfis dos restaurantes dele, os projetos de McNally sempre criam uma atmosfera teatral, como se transportasse o comensal a um outro mundo. Com serviço impecável e comida minimamente boa em todos os restaurantes, ele se consolida como um investidor ativo, sempre de olho em novos negócios. Ele “combina em seus restaurantes o equivalente de grande bilheteria de cinema com séria fidelidade dos foodies”, diz Frank Bruni, do New York Times. Não são necessariamente os melhores restaurantes da cidade, mas são ótimos restaurantes com um público maior de que os mais premiados.

O Monstro visitou alguns dos restaurantes de McNally, e também encontrou situações dúbias. Por mais frustrado que tenha ficado no Balthazar, que lhe parece sobrevalorizado, ficou impressionado muito positivamente com o Minetta Tavern, restaurante inaugurado em 2009 na região da rua Bleecker, em Downtown.

O Minetta Tavern havia entrado na lista de restaurantes a serem conhecidos porque a “Time Out” dizia que o hambúrguer Black Label servido ali era melhor de que qualquer outra comida servida na cidade. Mas o restaurante é mais de que o sanduíche, e cria um clima agradável, com boas opções no cardápio a preços relativamente acessíveis. Um jantar para duas pessoas, incluindo duas taças de vinho, fica em torno dos U$ 70, nada absurdo para uma ótima refeição. E o hambúrguer, realmente está bem à frente de outros bons experimentados na cidade.

O aclamado hambúrguer, entretanto, tem um dos preços mais altos da cidade. Custa U$ 26, mas impressiona por ser completamente diferente e muito superior a qualquer outro hambúrguer bom encontrado em NY, tendo sérias chaces de ser o melhor do mundo. Ele é preparado com carnes especiais “envelhecidas” que ficam mais curadas naturalmente em refrigeradores e ganham um sabor mais acentuado. É o mesmo tipo de carne usada na churrascaria Peter Luger, e assim como lá, é possível perceber uma textura e um sabor bem diferentes dos que o paladar brasileiro está acostumado. Bem mais intenso e saboroso.

É servido em uma peça mais alta que o normal e muito suculenta, com uma carne que se diferencia dos outros hambúrgueres. Vem acompanhado de cebola caramelizada e salada, além de batatas fritas, e é surpreendente.

Ah, vale lembrar que o Minetta Tavern não abre para o almoço durante a semana, só para jantar desde as 17h30 ou nos brunches de fim-de-semana.

Não acredita? Então olha aí também…

Frank Bruni do NYT sobre o Minetta

NY MAG sobre abertura do Pulino

O círculo das estrelas

Que calçada da fama que nada, a esquina americana com mais estrelas fica em Nova York, no cruzamento entre a Broadway a Central Park West, Central Park South oitava avenida. Ali fica o Columbus Circle, o Centro Time Warner e alguns dos restaurantes mais premiados do mundo.

O Centro Time Warner, no Columbus Circle, Nova York

Talvez seja o único lugar do mundo a reunir na mesma esquina três restaurantes três estrelas do Guia Michelin. O muito aclamados Per Se, Masa e Jean Georges, todos na lista dos que o guia mais respeitado do mundo diz valer a pena viajar só por eles, estão ali naquele mesmo lugar. Tem ainda o italiano A Voce (que tem mais uma estrela do Michelin), o Bar Masa, e o Porter House, também sempre bem avaliados na crítica local.

A esquina do Central Park em Columbus Circle

Agora, tudo depende da carteira. O Monstro já falou que o East Village, em Downtown, é chamado de Eats Village, de tantos restaurantes bons que reúne. Nessa parte mais jovem e “cool” da cidade as coisas são mais variadas e acessíveis, mas menos estrelada. Ali onde Midtown se transforma em Uptown West as coisas são diferentes, de nível muito mais alto e com custos também nas estrelas – diz-se que um casal, no Masa, pode chegar facilmente a uma conta de U$ 1.200.

O círculo

O Centro Time Warner, onde está a maior parte dos restaurantes, funciona também como um pequeno shopping, com livraria e cafés. Quando se está no limite da conta bancária, ele vale uma visita nem que seja para respirar um ar tão estrelado.

Onde fica o Colubus Circle no Mapa

Serviço:
Lista de restaurantes do Time Warner Center