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Uma casa portuguesa, mais ou menos

Meio galeto do Nando's

Meio galeto do Nando’s

Uma das redes de restaurantes mais populares de Londres é um lugar de inspiração portuguesa, com origem sul-africana, decoração de Moçambique, onde toca muita música brasileira e na qual, em vez de bacalhau, o prato principal é galeto na brasa com molho picante (chamado peri-peri).

Asinhas de frango grelhadas com molho picante

Asinhas de frango grelhadas com molho picante

Bem diferente dos restaurantes portugueses do Brasil, o Nando’s é praticamente um KFC mais saudável. Assim como a rede americana de fast food, o cardápio é dominado por pedaços de frango em molho picante. A diferença é que o português é com o frango grelhado, e não frito como o americano. Todo formato da rede, entretanto, lembra os casual diners americanos, estabelecimentos um passo à frente dos fast foods, mas ainda sem alma e distante de um restaurante de qualidade.

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Criada em 1987, a rede Nando’s tem restaurantes em mais de 20 países. Somente na região de Londres, a rede tem mais de cem endereços, e é um dos restaurantes mais populares entre jovens que buscam comida barata – o preferido de estudantes. Uma refeição completa no Nando’s pode sair por menos de 10 libras – um preço que faz o restaurante disputar espaço com pubs e redes de fast food.

A comida é OK. Nada excepcional. O Monstro experimentou dois pratos bons e uma decepção. O fígado de frango na brasa estava muito bem feito, suave, e as asinhas picantes tinham carne macia e soltando do osso. O meio galeto grelhado, entretanto, foi servido ressecado e sem muito sabor.

Assim como os pubs, o Nando’s não tem serviço na mesa, e é preciso fazer os pedidos no caixa – mas a comida é servida na mesa. A vantagem é não ter que receber a conta depois de comer.

Para brasileiros saudosistas, o Nando’s oferece cerveja Brahma em long neck por 3,6 libras (cerca de R$ 14).

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Run, tourist, run

A Times Square é o paraíso dos turistas e dos restaurante em estilo casual diner, com temas característicos, comida plastificada e sem muita graça a preços relativamente baixos – refeições familiares para os milhões de viajantes norte-americanos que são a maior parte das pessoas que passam por ali todos os anos. Em poucos quarteirões, reúnem-se Friday’s, Applebees, Planet Hollywood, Hard Rock Café, Red Lobster, Ruby Tuesday, Olive Garden e o Bubba Gump. Em todos eles é possível ter refeições minimamente respeitáveis por menos de U$ 30 por pessoa, mas nenhum oferecerá nada absurdamente memorável.

Cada mesa do Bubba Gump tem uma plaquinha com tema do filme que é usada para chamar a atenção dos garçons

Algumas dessas redes internacionais de restaurantes padronizados são grandes e têm lojas até no Brasil, mas outras são menores. Um dos que é mais a cara da praça onde ficava o jornal “New York Times” no passado é também um dos restaurantes de temas mais bizarros, o Bubba Gump. O estranho dele é que o tema escolhido foi o filme Forrest Gump, que inspira o nome do restaurante, sua decoração, o cardápio e até o atendimento. O lugar é tão voltado a turistas que todo mundo que chega no restaurante é recebido com boas vindas acompanhadas de uma pergunta sobre olugar onde vivem, já que nenhum nova-iorquino vai lá.

Toda a decoração segue temas relacionados ao filme Forrest Gump

O Bubba Gump tem mais de 30 lojas espalhadas por diferentes países, especialmente os Estados Unidos. A rede foi criada em 1996, dois anos após o lançamento do filme, e tira o nome da parceria entre o personagem principal e seu amigo Bubba, que aparece no filme falando sobre a tradição de pesca de camarão e as formas de preparar o crustáceo. Daí sai a maior parte do cardápio do restaurantes, que se diz especializado em camarão e tem isso em quase todos os pratos. A empresa dona da rede alega que a ideia de abrir os restaurantes veio do estúdio que lançou Forrest Gump, e por isso todos os temas do Buba Gump têm a licença de serem relacionados com o filme.

O prato com camarões grelhados, linguiça e purê, mais bonito de que bom

Para quem apenas está no centro turístico de Nova York e quer comer bem, por mais curioso que pareça ao tema do Bubba Gump, a preocupação deles é mais com a ligação com a história do filme de que com a qualidade da comida em si. Muitos pratos até soam interessantes, mas a comida não passa de regular.

O Monstro visitou o restaurante e experimentou um prato em que randes camarões eram grelhados na churrasqueira e servidos com purê de batatas, linguiças francesas e um molho apimentado (cerca de U$ 20). Os camarões tinham um tempero bom, mas pareciam ter sido congelados, sem a textura deles frescos. O resto do prato não chamava nada a atenção.

O sanduíche de peixe frito, crocante e melhor de que os camarões

A esposa fugiu dos crustáceos e pediu uma das poucas opções sem eles, o fishwich, um sanduíche de peixe frito que era quase um fish and chips. O peixe estava saboroso e com capinha bem crocante, melhor de que a especialidade da casa, e o prato era imenso por cerca de U$ 15.

A comida estava ok, e o preço era relativamente baixo em comparação com outros restaurantes de verdade, mas refeição não foi nada memorável, e a decoração chama mais atenção de que o próprio camarão. É um lugar muito mais para um passeio bem turístico de que para comer bem.

O jantar chique do americano médio

Em Nova York tem lugar para se comer frutos do mar e caranguejo quebrando as patas e arrancando a carne de dentro delas. A rede de casual diner de frutos do mar virou uma referência político-cultural ao “americano médio”: guloso, auto-centrado, pouco requintado e desprezado pela elite. Um perfil bem em desacordo com a cosmopolita Nova York, mas mesmo nela tem que ter lugares como o Red Lobster para satisfazer turistas internos e internacionais.

A página inicial do Red Lobster, que tem imagem melhor de que a comida como todo casual diner

O restaurante é igual a todos os casual diners mais conhecidos no resto do mundo. É como se o Friday’s, o Applebees, ou o Outback tivessem cardápio e decoração de frutos do mar – comida simples, pré-fabricada, mas até boa. A estrutura é a mesma, o atendimento é o mesmo, e o estilo de preparar e servir a comida também (até os donos são os mesmos fundos de investimento em alimentação).

A entrada de camarão empanado em coco ralado, em foto do site

Ah, a qualidade também: Comida boa e em grande quantidade, mas nada de pratos delicados, comida autoral e criatividade gastronômica. Eles até oferecem invenções como nachos ou pizza com lagosta, mas nada que valha muito a pena arriscar. É o inferno dos gastrônomos, desprezado por críticos de comida sérios, mas pode ser o paraíso de quem quer comer bem sem se apegar a detalhes.

O combinadão de frutos do mar, em foto do site

Com foco em turistas, o único Red Lobster de Manhattan está muito bem localizado ao lado da Times Square. Ao entrar nele, entretanto, as pessoas são transportadas a um ambiente imparcial ,sem nenhuma ligação real com Nova York.

A sobremesa na foto da propaganda, na versão servida o sorvete veio derretido

O Monstro esteve ali nesta semana, e começou a refeição com uma entrada de camarões empanados com coco ralado, o Parrot Isle Jumbo Coconut Shrimp (U$ 10) . Mais oleoso de que o esperado, o prato trazia seis camarões médios e crocantes, mas doces demais e sem quase nenhum sabor dos camarões.

De prato principal, dividiu-se o carro-chefe da casa, um Ultimate Feast (U$ 29), que vem com bons camarões médio empanados, pequenos camarões assados na manteiga, uma cauda de lagosta média aberta ao meio e metade de um caranguejo gigante. A lagosta estava deliciosamente macia e com tempero leve. O caranguejo lembrava as praias do Nordeste do Brasil, com carne fácil de arrancara da carapaça e sabor suave, bem equilibrado. O prato sustenta duas pessoas facilmente.

Por último pediu-se ainda uma sobremesa, o Warm Chocolate Chip Lava Cookie (U$ 8), que é um biscoito desses tradicionais aqui nos EUA, bem grosso e assado na hora com recheio de chocolate e coberto por uma bola de sorvete de creme. A sobremesa é absurdamente doce e deliciosa, mas veio com o sorvete completamente derretido, o que foi um problema.

O Red Lobster não chega a ser barato, mas não tem preços assutadores. A conta deles já vem com o cálculo de gorjeta de 15%, diferente do que acontece em 99% dos restaurantes da cidade. Pode ser um bom lugar para comer frutos do mar com qualidade e sem riscos (nem de ser ruim, nem de ser absurdamente bom). E é uma boa forma de viver a cultura de raiz americana, que muitas vezes vê lugares como estes como verdadeiros templos da gastronomia americana.

Serviço:
Red Lobster