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A comida trash dos chefs estrelados

Danny Meyer e David Chang têm os restaurantes mais premiados, aclamados e idolatrados de Nova York, com comida de altíssimo nível que muitas vezes custam valores estratosféricos. E depois de passar horas trabalhando com foie gras, trufas e outros alimentos requintados e caros, eles largam tudo para ir comer um pedaço de galinha empanada e frita por menos de U$ 10 numa rede de fast food especializada em fazer concorrência com o KFC, o Popeye’s.

A caixinha em que vêm a galinha frita e o biscuit do Popeye's

Originado em Nova Orleans, o Popeye’s é menor e menos conhecido de que a rede de frango frito do Kentucky, mas ganha adeptos mesmo na alta gastronomia por um tempero mais forte, apimentado, e por uma capinha empanada muito crocante. O restaurante surgiu nos anos 1970 em Baton Rouge, a rede tem cerca de mil lojinhas quasde exclusivamente nos Estados Unidos.

O ambiente das lanchonetes é ainda menor e menos agradável de que o do KFC, com espaço praticamente apenas para comprar a comida e levar para comer em outro lugar, mas o sabor e a textura dos pratos preparados lá fizeram com que a rede vencesse vários concursos nacionais de melhor frango frito das grandes redes desse tipo de fast food. Um dos motivos, alega-se, além do tempero, é o fato de que o Popeye’s serve quase exclusivamente isso, frango empanado e pãezinhos tipo biscuit.

Os dois tipos de galinha empanada e frita que são servidos bem baratinhos no Popeye's

Em Nova York há nove lanchonetes da rede Popeye’s, sendo sete delas em Manhattan. Ela chama menos a atenção, mas pode ser uma boa alternativa para uma comida rápida e barata, se não há preocupação com limites de calorias também. As refeições individuais, com três pedaços de frango frito, um pãozinho e algum outro acompanhamento custa em torno de U$ 5, com bastante comida para servir por todo o dia.

O Monstro pulou os acompanhamentos e experimentou dois preparos da galinha empanada da lanchonete. Pediu o tradicional combinado de asas e coxas de galinha e um especial de filezinho. Os dois são cobertos com massas de empanar diferentes. Os tradicionais lembram o KFC, mas são mais temperados e crocantes. Os segundos recebem uma massa mais clara e com sabor bem característico e diferente do que há em outras lojas do tipo.

Uma das poucas variações que o Popeye’s oferece são pedaços de camarão empanados com a mesma massa que é usada para fazer a galinha frita. São pequeno pedaços de camarão com uma capinha crocante e apimentada, bem gostosos e excelentes para acompanhar uma cerveja gelada.

Serviço:
Lojas do Popeye’s em NY

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Danny Meyer fala que visita o Popeye’s 2 vezes por ano

David Chang inclui restaurante em seus prazeres culpados

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Croquete frito de macarrão com queijo

A mentalidade da alimentação trash é bem simples: se alguma coisa é boa de comer, pode ficar melhor ainda se for frita. E assim tudo é mergulhado no óleo fervente para se transformar em petisco. O impressionante é que por menos saudável que seja essa forma de pensar, ela funciona perfeitamente na hora de preparar petiscos em um bar.

Os bolinhos de macarrão frito, que ainda são servidos com um molho de queijo

Se os italianos começaram a fritar sobras de risoto para fazer o arancini (o bolinho de arroz que nem os conhecidos em São Paulo), porque os americanos não podiam dar um passo além e fritar sobras de macarronada? No caso, o prato de massa mais americano de todos, o macaroni and cheese, que é o tubinho com molho de queijo servido gratinado. Por todo o país há lugares que fazem isso, e em Nova York, o mais popular dos lugares a servir macarrão frito é o Professor Thom’s.

Os tubinhos de massa com queijo dentro do croquete

O Bar fica na segunda avenida, tem decoração inspirada em temas e times de Boston, e se tornou um dos mais populares entre os fãs de Lost por ter colocado em sua fachada a série de números que sempre aparecia na série. No dia do último episódio, havia filas para entrar no bar, e centenas de fãs de Lost assistiram aos últimos momentos ali.

O Monstro foi depois, em um happy hour em que a cerveja fica por U$ 3, e pediu a porção de bolinhos de macarrão frito para experimentar. A porção custa U$ 7, e vem com sete croquetes triangulares. O macarrão cozido com bastante molho de queijo é coberto em uma fatia fininha de massa, empanado e frito.

O gosto é de queijo frito, mas a textura é uma das mais diferentes, pois ao morder o croquete percebe-se claramente a textura de macarrão cozido. A mistura é interessante, mas não parece funcionar tão bem quanto o bolinho de arroz frito, e se matem em cardápios provavelmente só por causa deste aspecto pitoresco.

Serviço:
Professor Thom’s
219 Second Ave
New York, NY 10003
(212) 260-9480

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Yelp

Village Voice

Junkie food gelada

Sempre que os cientistas aparecem com suas teorias de que fast food, açúcar e gordura viciam, a imagem que vem na minha cabeça é a de um desses potes de meio litro de sorvete da Ben & Jerry’s. Enquanto muitas empresas apostas nos gelados mais requintados e delicados, a fábrica de Vermont, nos Estados Unidos, mantém sua tradição de misturas gordurosas, cremosas e deliciosas.

três potes de sorvete Ben & Jerry: New York Super Fudge Chunk (chocolate com calda de chocolate ao leite e branco, nozes, pecãs e amêndoas), Berried Treasure (blueberry e blackberry com limão) e Oatmeal Cookie Chunk (creme com canela e pedaços de biscoito de aveia e calda de chocolate).

Ben e jerry eram amigos de infância que montaram sua primeira barraquinha de sorvetes em 1978 no Maine e acabaram construido um dos maiores impérios do sorvete norte-americano. Uma das marcas mais específicas do sorvete deles é a mistura de ingredientes e sabores que formam bolas geladas com creme, bolos, nozes, frutas, chocolate, caramelo, tudo de uma vez só.

Cada pote vem com quase meio litro de sorvete que faz querer acabar tudo de uma vez

Alguns dos sabores mais conhecidos são New York Super Fudge Chunk (chocolate com calda de chocolate ao leite e branco, nozes, pecãs e amêndoas), Berried Treasure (blueberry e blackberry com limão) e Oatmeal Cookie Chunk (creme com canela e pedaços de biscoito de aveia e calda de chocolate).

Os sorvetes vistos de cima

Manhattan tem três lojas em que o sorvete Ben & Jerry é servido em casquinhas e potinhos. Normalmente essas lojas seguem um fluxo sazonal, abrindo mais no verão e fechando algumas no inverno. Em 2010, além das lojas há um caminhão de sorvete que circula por Nova York.

Mas sem importar a estação do ano, Ben & Jerry vendem sorvetes em todos os mercados, lojas e bodegas da cidade. Em potes de meio litro, há mais de uma dezena desses sabores misturados, sempre deliciosos. Cada pote desses costuma custar em torno de U$ 5, mas em lojas da própria marca há promoções em que três potes custam U$ 10.

Serviço:
Localizador de lojas Ben & Jerry

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Quem são eles?

Sabor de bolo de chocolate sem farinha

Docinho de porco

Este post é sobre uma fatia fininha de bacon torrada até ficar crocante e então coberta com chocolate e servida como um doce, uma sobremesa.

"Pig Candy", o docinho de bacon com chocolate

Depois da descrição, dá vontade de parar de falar, de tão absurda que a ideia pode parecer. Mais absurdo ainda é que a combinação funciona bem (tinha como não funcionar? É bacon com chocolate…). O doce do chocolate ao leite faz um contraste com o salgado do bacon, que chega a confundir as papilas, mas de forma agradável.

A barraca de doces de Roni-Sue na Hester Street Fair, no Lower East Side

Lembremos que este é o país que idolatra o bacon, criando camisetas dizendo isso, ou perguntando o que Jesus faria por este pedaço de porco… Então estamos dentro de uma realidade que aceita bem qualquer combinação com ele, até mesmo como sobremesa. A combinação de doce e salgado chegou a ser apresentada como uma nova tomada na mistura entre amendoim e chocolate, que é uma das mais comuns no paladar americano, mas mais extrema.

O pacote de bacon com chocolate, que custa U$ 5

Por mais que haja invenções igualmente bizarras em outros países, e regiões, em Nova York a combinação é creditada a Rhonda Kave, que é dona e chocolateira da loja Roni-Sue, no Mercado da Essex Street. Rhonda já havia combinado chocolate com pétalas de flores, com pickles e outras comidas, então o bacon não era uma coisa tão distante da realidade dela, e se tornou o favorito da sua loja.

Além do Essex, a loja também vende o “doce de porco”, como chamam, na feira de fim de semana na rua Hester, que já foi apresentada como o flea market perfeito para comer.

Na feira do Lower East Side, um pacotinho com meia dúzia de tiras de chocolate de porco custa U$ 5. O preço é alto para uma quatidade pequena, mas evita que coma-se demais da combinação.

Bacon é idolatrado, e camiseta pergunta até o que Jesus seria capaz de fazer por ele

OK, é chocolate com bacon e não poderia dar muito errado, mas é preciso saber que não dá para sentar no sofá com um pacote desse docinho e ficar comendo até ficar satisfeito, senão é fechamento certo de todas as artérias. Comer um pedaço que seja deixa com uma forte sede logo em seguida, o que já diz muita coisa sobre a sobremesa.

Serviço:
Roni-Sue
Essex Street Market
120 Essex St at Delancey St
212-260-0421

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Chocolate de bacon no NY Post

Roni-Sue no NYT

Mmm … Bacon! (Of the Chocolate-Covered Variety)

O sanduíche com muito marketing e nenhum pão

A grande sensação do marketing gastronômico dos Estados Unidos é menos assustadora de que pode parecer pela descrição, e menos interessante também. Encarado ao vivo, o double down, “sanduíche” mais discutido do ano, é menor de que aparenta na propaganda, usando pedaços médios de peito de galinha empanado, queijo e bacon. Ele é bom, e nem tinha como ser ruim, mas, tirando a curiosidade, não é algo que dê vontade de comer novamente.

Visto de perto, o double down é menos impressionante de que na TV

O Monstro encarou o suposto sanduíche “insano” e não ficou nem um pouco impressionado. Ele é estranho ao paladar, que fica esperando o pão. A rede de lanchonetes parece esquecer que existe uma razão para o pão estar ali, e que ele não precisa ser mero acompanhamento, mas dividir a atenção com os recheios.

O sanduíche sem pão é até pequeno, e faz sentir saudade do pão

A fim de reverter perdas econômicas recentes a rede de Fast Food KFC, especializada em pratos que envolvem galinha frita, resolveu chamar a atenção ao esquecer o pão de um dos sanduíches mais tradicionais, com peito de frango empanado, fazendo um combinado em que a carne faz as vezes de pão. A invenção chamou a atenção de toda a mídia (que aqui não costuma fugir de discussões de marketing que movimentam o mercado), que chegou a questionar se aquilo podia ser chamado de sanduíche.

No fim das contas, o double down é só mais um pedaço, um pouco maior, de galinha frita do KFC - nada de sanduíche

A grande ideia do KFC parece coisa de criança que brinca com comida. É fácil “desconstruir” dois sanduíches e fazer um único, só com o recheio. E por mais divertida que seja a brincadeira uma vez, não há motivos para voltar a ela. Nem mesmo pela bizarrice que pode parecer comer tanta comida faz sentido, pois ele não é tão grande e nem mesmo tão gorduroso (uma revista listou até saladas mais calóricas que ele)

Pela curiosidade, sim, vale a pena experimentar o sanduíche vendido por U$ 6, mas a própria KFC tem coisas bem melhores feitas com galinha empanada, muitas delas servidas exatamente sem pão, e que tornam insignificante a existência do double down.

Serviço:

Double down do KFC

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O Monstro se diverte com as podreiras do KFC

DD no LA Times

Mais saudável de que muita salada

Bolinhos de chuva recheados com biscoito

Com a chegada  da temporada de feiras livres nos fins de semana da cidade, que acompanha o clima que começa a esquentar, as ruas são tomadas por uma mini volta ao mundo gastronômica. No último domingo, quando a Broadway foi fechada entre as ruas 6th e 14th para um desses eventos, o passeio rápido permitiu ver comida tailandesa, italiana, grega, árabe, barracas de frutas, de nozes, de pipoca, de milho e de doces. A representação mais americana dessas feiras, além da natural mistura, é a das frituras.

Feira de rua na Broadway em Downtown

Sempre vale garimpar para tentar encontrar coisas diferentes, boas e interessantes.

Sanduíches gregos na feira de rua

Na desta semana, a principal “descoberta” foram os oreos fritos, que são bolinhos de chuva recheados com biscoitos tipo negresco. O oreo é um dos biscoitos mais populares do país e há uma verdadeira adoração cultural relacionada a ele, gerando receitas que os usam como base, discussões sobre quem molho ele em leite ou não, debates sobre retirar o recheio para comer separado. É comum ver lanchonetes e restaurantes usarem o biscoito como referência ou como base em receitas.

A barraca italiana em que o biscoito é servido frito

A barraca supostamente italiana se especializava em frituras de forma geral, e oferecia supostas calzones (de massa frita), zepoles (massa frita sem nada, como bolinhos de chuva), Funnel cakes (massa frita em forma de ninho) e os oreos fritos (massa frita com biscoito dentro). Um mini pacote do biscoito é aberto na hora, eles são mergulhados na massa usada para quase tudo ali e fritos na hora, rapidamente, para serem servidos quentes.

A porção de biscoitos fritos em massa de bolinho de chuva, cobertos com açúcar de confeiteiro

A porção com seis bolinhos custa U$ 5, e é uma das alternativas menos enjoativas dessas maluquices fritas que eles inventam. O biscoito amolece um pouco, mas mantém uma textura que se diferencia do resto da massa. A vantagem é que, em comparação com chocolates empanados, por exemplo, os oreos são pouco doces, então é possível comer sem enjoar demais.

Um dos biscoitos tentando fugir da massa

A pequena porção é suficiente para duas pessoas, e a melhor coisa a fazer é comprar e encostar em algum lugar para comer junto om um copo de café, que fará um contraste delicioso.

Por dentro de um oreo frito em massa de bolinho de chuva

Barraca com frituras bem americanas (galinha, batatas, salsichas, queijo, cebola e camarão) com porções de U$ 7

Barraca especializada em nozes

Barraca de pipoca

Chocolates

As feiras seguem na idade até outubro. Além de comidas, há muitas barracas com roupas, suvenires, quadros, obras de arte, coisas que distraem os olhos enquanto se come. A cada edição das feiras o número e o tipo de barracas muda, então a graça é descobrir coisas novas e diferentes a cada dia.

Leia mais sobre elas aqui.

Asinhas de búfalo

Comer asa de galinha já foi sinônimo de pobreza no Brasil. Mesmo sem ter status de nobreza mesmo aqui, essa parte menos valorizada da ave deu origem a um dos pratos mais populares da gastronomia norte-americana, tudo a partir de uma cidade dentro do mesmo Estado de Nova York: Buffalo, onde foi inventada a receita de molho vermelho picante que cobre as asas fritas tão comuns em todos os bares de todo o país.

Pacote com asas de galinha de Buffalo do Atomic Wings

A receita original surgiu no Anchor bar de Buffalo, segunda cidade mais populosa do Estado, que fica a 650 quilômetros de Manhattan, junto ao lago Erie (sim, o Estado de Nova York é grande assim). O site oficial do bar conta uma anedota da história do surgimento do bar, dizendo que foi a dona dele, Teressa, que inventou o molho “secreto” de supetão em um dia em que seu filho apareceu em casa com amigos famintos. Isso foi em 1964 e desde então o bar passou a se especializar nesse prato, que hoje é servido em vários países como especialidade americana.

As asas, os legumes e o molho

O prato é muito simples: asas de salinha são separadas em coxa de asa e o que chamam de flat (o pedaço intermediário da asa, que tem dois ossinhos), descartando a ponta. Esses pedaços são fritos imersos em óleo assim bem simples, sem tempero nem cobertura. Quando a galinha está frita, ela é misturada com o molho cuja base de vinagre, manteiga e pimenta caiena. Mesmo com uma receita tão simples, a divulgação desse prato pelo mundo suscitou a criatividade de chefs, e fez com que o molho ganhasse centenas de variações, deixando até se ser feito com asas. O que permanece é a ideia de pedaços fritos e cobertos em molho picante.

A pequena porta da lanchonete, que está em dez lugares diferentes

Na cidade de Nova York, as asas de búfalo estão presentes em cardápios de quase todos os bares da cidade. Entrando em muitos deles é possível sentir o cheiro do molho de vinagre e pimenta, e não há um consenso grande sobre quem faz melhor as asas fritas. Não parece haver muita valorização dessa comida de bar, na verdade, e o momento em que elas ganham mais atenção é na época do Superbowl, a final do campeonato nacional de futebol americano.

O cardápio na parede, indicando os diferentes níveis atômicos do molho

Mesmo sem ser apontada necessariamente como a melhor asa de búfalo da cidade, uma das que já foi apontada como das mais próximas da receita original é uma rede de lojinhas que é especializada exatamente nelas e só nelas, a Atomic Wings, criada no final dos anos 1989 e já premiada por sua comida apimentada.

O nome é uma referência a uma forte tradição relacionada às buffalo wings, que faz com que as asas sejam o foco de disputas de resistência a molhos picantes. A atomic wings oferece vários níveis de força do molho, dos três básicos mais suaves aos “insanos”: “abusivo”, “nuclear” e “suicida”.

A comida na Atômic Wings é bem barata, e é possível comprar meio quilo das asas fritas por a partir de U$ 7. As asinhas são um acompanhamento excelente para cervejas. Elas costumam ser servidas com cenoura e salsão, além de um molho suave de queijo que contrasta com o molho apimentado.

O Monstro passou pelas Atomic Wings há pouco tempo e comprou uma porção de asas e filés de galinha fritos e com o mesmo molho. A escolha foi pelo mais suave, “mild”, mas, chegando em casa, mesmo o mais suave parecia um sofrimento antes mesmo de chegar a meia dúzia de pedaços. A ideia de levar para comer em casa no fim das contas não se encaixou tão bem com o prato, que funciona muito melhor como petisco em uma mesa de bar, contanto que não se importe em se sujar com a comida.

Serviço:
Atomic Wings 10 Locations

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Melhores asas de galinha segundo a NY Mag

Anchor bar e a história original

Receitas de asas fritas

Vídeo ensina a desossar as asas